Você sabia que o dia 30 de março é o Dia Mundial do Transtorno Bipolar?
A data é promovida por três organizações internacionais — a Rede Asiática do Transtorno Bipolar, a Fundação Internacional do Bipolar e a Sociedade Internacional para Transtornos Bipolares — e existe desde pelo menos 2014.
Mas a escolha do dia não é aleatória.
A data existe desde pelo menos 2014, mas a escolha do dia não é aleatória.
30 de março é o aniversário de Vincent Willem van Gogh, o pintor pós-impressionista holandês que nasceu em 1853 e que, postumamente, recebeu o diagnóstico provável de transtorno bipolar.
Van Gogh se suicidou aos 37 anos, deixando cerca de 800 pinturas e uma centena de desenhos.
Por isso, a data carrega uma mensagem importante: conscientizar sobre o transtorno bipolar, combater o estigma social e, acima de tudo, lembrar que pessoas com essa condição são capazes de realizar grandes coisas.
Elas não estão sozinhas.
A produção de Van Gogh inclui retratos, autorretratos, paisagens e naturezas-mortas de ciprestes, campos de trigo e girassóis.
Ele desenhava desde criança, mas só começou a pintar de fato no final dos seus 20 anos.
Muitos dos seus trabalhos mais conhecidos foram finalizados nos dois últimos anos de vida.
Em pouco mais de uma década, produziu mais de 2.100 obras de arte: 860 telas a óleo e cerca de 1.300 aquarelas, desenhos, esboços e gravuras.
Nasceu numa família de classe média alta.
Começou a vida adulta trabalhando para uma firma de negociantes de arte, viajou por Haia, Londres e Paris, depois foi lecionar em Isleworth e Ramsgate, na Inglaterra.
Era profundamente religioso quando jovem — aspirava ser pastor.
A partir de 1879, serviu como missionário numa região de mineração na Bélgica — e foi ali que começou a esboçar representações de pessoas da comunidade local.
Em 1885, pintou seu primeiro grande trabalho.
A paleta que usava na época era de tons terrosos, sombrios, sem nenhum sinal da coloração vívida que marcaria suas pinturas posteriores.
Em março de 1886, mudou-se para Paris, onde conheceu os impressionistas franceses.
Depois migrou para o sul da França, onde a forte incidência solar estimulou o desenvolvimento de trabalhos com maior complexidade cromática.
Esse movimento criou um estilo único, altamente reconhecível, que atingiu seu auge durante a estada na localidade francesa de Arles, em 1888.
Após tempos sofrendo de ansiedade e crises de desequilíbrio mental, Van Gogh morreu aos 37 anos, em 29 de julho de 1890, por uma ferida de bala autoinfligida.
Até que ponto a saúde mental afetou a arte dele?
Essa pergunta gera debate até hoje. Muita gente romantiza a condição psíquica de Van Gogh — como se o sofrimento fosse combustível criativo.
Mas críticos contemporâneos enxergam algo bem diferente: um artista profundamente frustrado com a inatividade e a incoerência que a doença impunha.
Suas últimas pinturas, porém, parecem mostrá-lo no auge de suas habilidades — completamente no controle.
Nas palavras do crítico de arte Robert Hughes: "ansiando por concisão e graça".
Van Gogh é considerado um dos pioneiros na ligação entre as tendências impressionistas e as aspirações modernistas.
Sua influência aparece em várias frentes da arte do século XIX: o expressionismo, o fauvismo e o abstracionismo.
A fama póstuma cresceu especialmente após a exibição de suas telas em Paris, em 17 de março de 1901.
Com uma obra vasta, o artista é considerado um dos mais importantes da história.
Em sua homenagem, foi fundado o Museu Van Gogh, em Amsterdã, dedicado à difusão de seu legado.
Mas afinal, o que é o transtorno bipolar?
Também conhecido como Transtorno Afetivo Bipolar — antes chamado de Psicose Maníaco Depressiva — é um distúrbio psiquiátrico complexo.
Sua marca principal: a alternância, às vezes súbita, entre episódios de depressão e de euforia (mania e hipomania). Cura? Não existe.
Mas o transtorno pode ser controlado, e é exatamente por isso que a conscientização importa: educar, melhorar a sensibilidade humana e ressaltar a importância do diagnóstico e do tratamento adequado.
O tratamento abrange medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida — cortar substâncias psicoativas (cafeína, anfetaminas, álcool, entre outras), desenvolver hábitos saudáveis de alimentação e sono e reduzir o estresse.
Ou seja, é um esforço em várias frentes. Mas os melhores resultados vêm da associação de psicoterapia com farmacoterapia.
Em alguns casos, a internação pode ser necessária quando há risco de suicídio, homicídio ou incapacidade para os cuidados básicos.
A própria família, aliás, pode precisar de acompanhamento psicoterápico — porque o distúrbio não afeta só o paciente.
Afeta todos ao redor.
Além disso, a família precisa de orientação prática: como lidar no dia a dia com quem tem o transtorno.
Os sintomas se desdobram em três categorias:
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