Roraima foi na contramão.
Enquanto a maioria dos estados e municípios brasileiros adotou 15 de setembro como o "Dia do Cliente", o estado escolheu 23 de julho — período que cai entre o Dia dos Namorados e o Dia dos Pais no calendário brasileiro.
A Lei Nº 590, aprovada em 25 de abril de 2007, é o que sustenta essa escolha.
Pela lei roraimense, empresas, entidades civis e entes públicos devem, nessa data, realizar atividades voltadas a qualificar as relações de consumo — promoções, eventos, ações de relacionamento com o cliente.
Por trás da data de setembro há um nome: João Carlos Boiczuk Rego, consultor, palestrante e profissional de treinamentos empresariais, atualmente em Porto Alegre.
Desde fevereiro de 2003, ele escreve a deputados e vereadores de todo o Brasil defendendo a criação do "Dia do Cliente" em nível municipal, estadual e federal — e chegou a enviar minutas de projetos de lei para facilitar o trabalho dos legisladores.
Porque, se a ideia era boa, o caminho não podia ser complicado.
Por que setembro? É um mês fraco no comércio brasileiro por natureza.
Colocar uma data comemorativa ali seria uma forma de movimentar as vendas num período que normalmente patina.
O legislador roraimense, porém, não foi por esse caminho — criou sua própria data, num período intermediário que já tem o Dia dos Namorados de um lado e o Dia dos Pais do outro, destoando dos demais estados.
O Projeto de Lei Nº 132 de 2003 da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul é um dos mais antigos a propor o 15 de setembro.
O texto é claro sobre a intenção: criar uma data em que empresas, entidades, poderes públicos e cada profissional pudessem homenagear seus clientes de verdade.
Dia de agradecer e de surpreender.
De mostrar que o cliente não é só discurso.
Você já ouviu isso antes — quem trabalha com vendas ou atendimento sabe: nunca se falou tanto que o "Cliente é o Rei", que o cliente é o maior patrimônio da empresa, que ele é a razão de existir de qualquer negócio.
Mas falar é fácil.
O Dia do Cliente seria uma oportunidade concreta de passar do discurso para a prática.
A ideia era criar um momento único — aquele em que, ao entrar num estabelecimento, o cliente percebe que algo mudou.
Mais atenção, mais alegria e mais cuidado, com respeito e boa vontade genuína.
Uma surpresa que ele não esperava.
O raciocínio vai além do simbólico.
Promoções criativas geram propaganda boca a boca, que alimenta as vendas — e tudo isso fortalece os setores produtivos, consolida a imagem das empresas e, além disso, gera emprego e renda para quem trabalha com marketing, propaganda e vendas.
Quanto mais inovadoras as ações, maiores os resultados.
É um ciclo que começa com uma escolha simples — ou seja, tratar bem o cliente num dia específico, de propósito, com planejamento.
O projeto do legislador gaúcho ainda aponta para algo maior.
O Brasil, país criativo por natureza, tem capacidade de transformar uma data comercial numa demonstração de alegria, respeito e valorização do ser humano — um impacto que vai muito além de uma promoção pontual.
Uma data consolidada no calendário comercial poderia gerar um volume expressivo de negócios, anúncios e eventos, favorecendo políticas de fidelização e fortalecendo as atividades produtivas como um todo.
Duas datas, uma mesma ideia.
Seja 15 de setembro ou 23 de julho, o ponto é o mesmo: o cliente merece mais do que o discurso de sempre.
O que você vai fazer de diferente nessa data?
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: