28 de março. Você provavelmente passou por essa data sem perceber — mas no Estado de São Paulo ela tem um significado bem específico: é o Dia da Mulher Cristã Evangélica, instituído pela Lei Nº 16.317 de 18 de novembro de 2016.
A lei existe. O que motivou a escolha exata dessa data, porém, ainda é uma pergunta sem resposta clara — mesmo depois de ler a íntegra do Projeto de Lei Nº 292, de 9 de abril de 2016, da Assembleia Legislativa de São Paulo, que traz a justificativa para a criação dessa comemoração.
No começo do século passado, a mulher era vista, muitas vezes, como intelectualmente inferior — incapaz de assumir responsabilidades cívicas, sujeita à tutela do pai, do marido ou do irmão. Parece exagero? Não era.
Esposa e mãe, sim — mas sem poder de decisão sobre o patrimônio nem sobre a educação dos filhos. Inspirava poetas e artistas, mas raramente lhe permitiam desenvolver suas próprias capacidades criadoras. Quando precisava trabalhar para sustentar a família, recebia salários sempre menores do que os homens.
Esse cenário virou de cabeça pra baixo. O próprio projeto de lei reconhece que o papel da mulher hoje é completamente diferente — e que a influência feminina em todas as esferas da sociedade cresceu de forma visível.
A magistratura, a diplomacia, as forças armadas, o ensino universitário — espaços que até pouco tempo atrás eram praticamente exclusivos dos homens. Hoje, a presença feminina é inegável. E foi nessa transformação toda que a mulher cristã também encontrou um espaço mais amplo para exercer sua influência.
O projeto de lei lembra também que, mais do que nunca, a mulher cristã precisa ancorar sua vida na Palavra de Deus: "De coração te busquei, não me deixes fugir dos teus mandamentos. Guardo a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti." (Sl.119:10-11).
A influência da mulher cristã, porém, talvez seja mais necessária num lugar específico: a família. E a Bíblia tem exemplos concretos disso.
Loide não é um nome muito famoso. Mas o que ela fez tem peso: transmitiu a fé à filha Eunice, que por sua vez transmitiu a Timóteo a mais nobre herança de fé e de convicção. O Provérbio diz: "Instrui o menino no caminho em que deve andar e até quando envelhecer, não se desviará dele" (Prov.22:6).
Loide não sabia que Timóteo um dia seria companheiro de Paulo no ministério. Ela só fez sua parte — ou seja, a parte que mais importa: cultivou a presença de Cristo no lar. É na família que se formam os homens e mulheres que Deus usa para influenciar países e sociedades inteiras. Por isso, a responsabilidade da mulher cristã para com os filhos e para com as gerações futuras é enorme.
Desde o início, a igreja se beneficiou do ministério feminino. Romanos 16 menciona pelo nome sete mulheres cristãs, entre elas Febe.
Febe ajudou e protegeu crentes mais fracos, ensinou, proveu necessidades físicas, cuidou dos enfermos. Não tinha cargo. Não tinha título. Mas usou tudo o que tinha — recursos mentais, materiais e espirituais — para servir. Por isso merecia, segundo Paulo, a consideração de todos os crentes.
A igreja é um lugar de serviço. E a mulher cristã tem exercido esse serviço em ministérios de oração, evangelização, hospitalidade, beneficência e aconselhamento, entre outras áreas.
As mulheres cristãs estão conscientes de suas responsabilidades e da autoridade que receberam. Muitas mudanças já aconteceram em relação à posição da mulher — não só na sociedade, mas também nas interpretações da própria história eclesiástica.
Por isso, voltar à Bíblia e estudá-la com foco na mulher é mais do que um exercício de fé — é reconhecer uma contribuição que esteve presente desde o princípio, mesmo quando não recebia o crédito merecido. Então: estude, compartilhe e celebre essa herança.
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