Dia da Liderança Jovem 2026

Data Comemorativa
Dia da Liderança Jovem 2026 já passou 28 de Março de 2026 | Sábado
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Sobre Dia da Liderança Jovem

28 de março.

No Pará, essa data não passa em branco — ela carrega o nome de um estudante assassinado com um tiro a queima-roupa no peito dentro de um restaurante no Rio de Janeiro.

Você conhece a história dele?

O Dia da Liderança Jovem foi instituído no Pará pela Lei Nº 7.704 de 2013, e não por acaso: a data marca o assassinato de Edson Luís de Lima Souto.

Ela divide espaço com o "Dia Estadual da Juventude" no Rio de Janeiro, o "Dia Estadual do Grêmio Livre Estudantil" em São Paulo e o "Dia de Luta dos Estudantes Secundaristas" na capital fluminense.

Quem era Edson Luís

Nascido em 24 de fevereiro de 1950 em Belém do Pará, de família pobre.

Estudou na Escola Estadual Augusto Meira, na capital paraense, e quando morreu cursava o 2º Grau no Instituto Cooperativo de Ensino, no Rio de Janeiro.

Tinha 18 anos.

O Calabouço

Em 28 de março de 1968, os estudantes do Rio estavam organizando uma passeata-relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida no restaurante Calabouço — a manifestação estava marcada para o final da tarde daquele mesmo dia.

Por volta das 18 horas, a Polícia Militar chegou e dispersou quem estava na frente do complexo.

Os estudantes se abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial com paus e pedras, o que fez os policiais recuarem.

A rua ficou deserta.

Quando voltaram, tiros começaram a ser disparados do edifício da LBA — a Legião Brasileira de Assistência.

O pânico tomou conta, os estudantes fugiram, mas a PM invadiu o restaurante mesmo assim.

A justificativa, segundo os próprios policiais: os estudantes planejavam atacar a Embaixada dos Estados Unidos da América no Brasil.

Um tiro no peito

Dentro do restaurante, o aspirante Aloísio Raposo, comandante da tropa da PM, atirou e matou Edson Luís com um tiro a queima-roupa no peito.

Outro estudante, Benedito Frazão Dutra, foi levado ao hospital mas também morreu.

Mais 6 pessoas ficaram feridas no tiroteio, conforme o registro de ocorrência nº 917 da 3ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro: Telmo Matos Henriques, Benedito Frazão Dutra (que morreu logo depois), Antônio Inácio de Paulo, Walmir Gilberto Bittencourt, Olavo de Souza Nascimento e Francisco Dias Pinto — todos atendidos no Hospital Souza Aguiar.

O velório na Assembleia

Os estudantes não deixaram o corpo ser levado para o IML.

Temiam que os militares fizessem o corpo desaparecer.

Por isso, carregaram Edson Luís em passeata diretamente para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde ele foi velado.

A necrópsia foi realizada no próprio local pelos médicos Nilo Ramos de Assis e Ivan Nogueira Bastos, na presença do Secretário de Saúde do Estado.

O óbito de nº 16.982 teve como declarante o estudante Mário Peixoto de Souza.

O enterro

O Rio de Janeiro parou.

Cinquenta mil pessoas acompanharam a passeata à luz de velas.

Os cinemas da Cinelândia amanheceram anunciando três filmes: "A noite dos Generais", "À queima-roupa" e "Coração de Luto".

Centenas de cartazes foram colados pela Cinelândia — "Bala mata fome?", "Os velhos no poder, os jovens no caixão" e "Mataram um estudante.

E se fosse seu filho?".

Edson Luís foi enterrado ao som do Hino Nacional Brasileiro, cantado pela multidão.

Protestos no país

Entre o velório e a Missa de Sétimo Dia, realizada na manhã de 4 de abril na Igreja da Candelária, protestos foram organizados em todo o Brasil.

Em São Paulo, 4 mil estudantes se manifestaram na Faculdade de Medicina da USP — e também no Centro Acadêmico XI de Agosto, na Faculdade São Francisco, na Escola Politécnica da USP e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Um estudante morto moveu o país inteiro.

A missa da Candelária

Depois da missa da manhã, quem saía da Igreja da Candelária foi cercado e atacado pela cavalaria da PM com golpes de sabre.

Dezenas ficaram feridas.

O governo militar proibiu uma segunda missa programada para a noite.

Mas o vigário-geral do Rio de Janeiro, Dom Castro Pinto, insistiu em realizá-la. Cerca de 600 pessoas participaram.

Do lado de fora, três fileiras de soldados a cavalo com os sabres desembainhados, o Corpo de Fuzileiros Navais e agentes do DOPS — o Departamento de Ordem Política e Social.

Os padres saíram na frente, de mãos dadas, formando um corredor da porta da igreja até a Avenida Rio Branco para que todos pudessem sair com segurança.

Mas a cavalaria aguardou que todos deixassem e os encurralou nas ruas próximas.

O saldo foi, mais uma vez, dezenas de feridos.

A morte de Edson Luís marcou o início de um ano inteiro de mobilizações contra o regime militar de 1964 — um regime que só endureceu, até decretar o AI-5, o Ato Institucional Nº 5.

Lembrar o nome dele não é nostalgia. É o mínimo.

Perguntas Frequentes

Dia da Liderança Jovem em 2026 foi em 28 de Março de 2026 (Sábado) e já passou. A próxima Dia da Liderança Jovem será em 28 de Março de 2027 (Domingo).

Dia da Liderança Jovem é data comemorativa no Brasil.

28 de março. No Pará, essa data não passa em branco — ela carrega o nome de um estudante assassinado com um tiro a queima-roupa no peito dentro de um restaurante no Rio de Janeiro. Você conhece a história dele? O Dia da Liderança Jovem foi instituído no Pará pela Lei Nº 7.

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