Você sabia que todo 31 de agosto a Bahia celebra o Dia do Rodoviário Baiano? A data foi criada pela Lei Nº 2.513, de 2 de fevereiro de 1968.
Mas a pergunta que pouca gente faz é: por que justamente esse dia?
Porque foi em 31 de agosto de 1917 que saiu a Lei Nº 1.227, estabelecendo meios, normas e condições para construir estradas que ligassem os principais centros produtores e mercados consumidores aos portos de mar, rios navegáveis e terminais ferroviários do estado.
Essa lei é o marco zero do rodoviarismo baiano.
Mais do que um documento burocrático, ela marca simbolicamente o nascimento do DERBA — o Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia.
A partir daí, as primeiras grandes estradas modernas da Bahia começaram a sair do papel.
Antes das estradas, o que existia eram trilhas.
Trilhas de boiadas, de tropeiros, de aventureiros atrás de ouro e pedras preciosas.
Gente que queria uma coisa só: ganhar dinheiro e conquistar território.
Os caixeiros viajantes foram outro motor dessa expansão.
Irmãos siameses dos engenheiros e topógrafos, tiveram papel fundamental na abertura das primeiras estradas da Bahia e do Brasil.
Viajavam por matas virgens e estradas carroçáveis primitivas, montados a cavalo, transpondo rios em embarcações frágeis, às vezes a pé por várias léguas.
Conquistavam povoados e lugares, mas levavam junto seu principal produto: a insatisfação constante pelas trilhas percorridas com muito desgaste físico e emocional.
Os protestos deles ecoavam em todas as direções — junto ao poder público, junto às empresas em que trabalhavam — formando um coro com populações quase isoladas do resto do mundo.
Ou seja, era um grito coletivo por melhores condições, porque as trilhas precárias causavam prejuízos sérios ao desenvolvimento comercial.
Por isso, a persistência dos caixeiros viajantes influenciou diretamente na abertura de novas estradas na Bahia e no país como um todo.
Aqui entra um ponto que muita gente ignora: as primeiras ligações rodoviárias da Bahia não nasceram isoladas.
Elas faziam parte de um sistema intermodal — conectando ferrovias, portos e centros de produção e consumo.
A primeira estrada planejada e construída nesse modelo foi a Rodovia Salvador–Feira de Santana, com 144,5 quilômetros na época (hoje são 108 quilômetros, com pista dupla e novo traçado).
Ela passou a interligar o Porto de Salvador ao interior baiano na região cacaueira, por meio da SULBA — a Companhia de Viação Sul Baiana — sob tutela do Instituto de Cacau da Bahia.
Depois veio a estrada carroçável Pirangi–Itabuna, ligando o Porto de Ilhéus a Itabuna.
Inaugurada em 19 de novembro de 1934, sob responsabilidade do engenheiro Nelson Baptista, essa rodovia mostrou na prática o peso do cacau para a economia nacional.
Não era só estrada — era dinheiro circulando.
Para ter uma ideia do tamanho dessa malha hoje: em 2012, as estradas baianas já somavam 19.050,7 quilômetros.
Veja como se distribuem:
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