Você já ouviu falar de uma cidade que para tudo por dez dias seguidos?
Pois é o que acontece em Vargem Grande, no Maranhão, entre 22 e 31 de agosto.
É a semana do Festejo de São Raimundo dos Mulunduns — uma tradição que mistura fé, vaquejada e cultura nordestina num só calendário.
O estado oficializou a comemoração pela Lei Nº 9.745, de 31 de dezembro de 2012.
Ou seja, o objetivo é claro: difundir a cultura local e movimentar o turismo religioso no Maranhão.
A legislação autoriza o governo estadual a trabalhar junto com o município, a iniciativa privada, ONGs e a sociedade civil.
O objetivo é um só: fomentar a economia da região durante a semana festiva.
Mas por que essa semana específica?
A data não existe no vácuo. Ela começa no Dia do Vaqueiro Maranhense, em 22 de agosto, e vai até o Dia de São Raimundo Nonato, em 31 de agosto.
No meio do caminho, em 29 de agosto, entra o Dia Nacional do Vaqueiro — referência que vem do Piauí.
Tudo conectado por uma devoção popular forte em todo o Nordeste.
Mas, afinal, quem foi esse São Raimundo dos Mulundus?
Raimundo Nonato era vaqueiro no povoado de Mulundus — simples assim.
Morreu na lida, tentando pegar gado no meio da caatinga. E aí vem a parte que ninguém explica: o corpo dele desapareceu.
Por isso, com o tempo, a fama de milagreiro cresceu na região — e ele acabou convertido em santo da cultura popular.
Escravos e moradores do lugar passaram a venerá-lo, principalmente depois que um milagre atribuído a ele teria salvado a vida de um fazendeiro das redondezas.
É assim que nasce um santo popular no sertão: na boca do povo, na fé dos que precisam, na história que ninguém consegue apagar.
E se você acha que isso é coisa do passado, basta ir a Vargem Grande em agosto para ver que a devoção está mais viva do que nunca.
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