Você sabe por que o Dia do Farmacêutico é comemorado em 20 de janeiro?
A data foi oficializada pela Lei Nº 12.338, de 2010 — mas a história por trás dela é bem mais antiga do que parece.
Porque foi em 20 de janeiro de 1916, no salão de conferências do Círculo Católico, no Rio de Janeiro, que nasceu a ABF — a Associação Brasileira de Farmacêuticos.
Uma instituição sem fins lucrativos, de caráter científico-profissional, fruto do empenho de um farmacêutico chamado Luiz Oswaldo de Carvalho.
No discurso de fundação, Carvalho não fez rodeios: o objetivo principal da Associação era defender os interesses da classe farmacêutica.
Ponto.
Mas ele foi além — alertou que a aplicação das ciências físico-químicas à arte de curar colocava o farmacêutico no mesmo patamar do médico.
E propôs algo ousado para a época: a criação de uma Escola Superior de Farmácia, pioneira no ensino técnico das ciências naturais, físicas e químicas.
A ideia ia além do ensino.
Nessa escola, seriam instalados consultórios para atendimento aos pobres, com receitas aviadas pelos estudantes sob orientação dos professores e drogas vendidas a preço de custo.
Carvalho chamou esse ensino de "a pedra de toque que haveria de operar o milagre do ressurgimento da profissão farmacêutica no Brasil".
Ele também defendeu a criação de uma biblioteca e de laboratórios para cursos práticos de disciplinas afins, a promoção de conferências científico-técnicas, a organização de congressos farmacêuticos, a instalação de um espaço permanente na sede da Associação para exposição de produtos químicos, farmacêuticos, drogas, utensílios e aparelhos da farmácia moderna — e a implantação do montepio farmacêutico.
Como sócios, a ABF incluiria farmacêuticos formados, estudantes de farmácia (na classe de aspirantes), práticos de farmácia (donos ou não de estabelecimentos) e pessoas ligadas a firmas de estabelecimentos farmacêuticos.
A Associação Brasileira de Farmacêuticos não surgiu do nada.
Ainda no século XIX, três associações farmacêuticas já tinham sido criadas no Brasil, todas com objetivos parecidos: regular o exercício da profissão, melhorar o ensino e elaborar um código farmacêutico brasileiro, que até então não existia.
Nenhuma durou muito.
E nenhuma conseguiu entregar o que prometia.
A classe farmacêutica ficou, mais uma vez, sem representação de verdade.
Ou seja, entre o final do século XIX e o início do XX, a profissão farmacêutica brasileira vivia uma crise — sem uma agremiação que a representasse de verdade.
E a situação piorou com a reforma do ensino superior implantada pelo Decreto Nº 3.890, de 1 de janeiro de 1901, que reduziu o curso de farmácia para apenas dois anos e cortou disciplinas do currículo.
Foi nesse cenário de dispersão que a ABF foi fundada.
A classe farmacêutica sentiu a necessidade de harmonizar seus "variados interesses: profissionais, científicos, culturais, deontológicos e pecuniários".
A elaboração dos estatutos ficou a cargo da diretoria e de uma comissão de 10 farmacêuticos:
Os estatutos foram aprovados na assembleia de 20 de fevereiro de 1916.
A Associação seria administrada pela Diretoria e Conselho Administrativo, foi inscrita no Registro Civil de Pessoas Jurídicas em 16 de novembro de 1916 e, pelo Decreto Nº 4.704, de 21 de junho de 1923, declarada de utilidade pública em nível nacional.
Desde 1920, a ABF edita sem interrupção a RBF — Revista Brasileira de Farmácia —, periódico indexado de âmbito internacional, bastante respeitado nos meios farmacêutico e científico.
A Associação também participou da elaboração da 1ª edição da Farmacopéia Brasileira, organizada por seu ex-presidente, o Professor Rodolpho Albino Dias da Silva.
Mas não parou por aí — foi da ABF que partiram os primeiros esforços para a criação dos Conselhos Federais e Regionais de Farmácia no Brasil.
A lista de contribuições é longa — e impressiona:
Ou seja, onde havia uma lacuna na organização da profissão, a ABF estava lá.
A sede atual da ABF foi adquirida em 31 de dezembro de 1949 e inaugurada em 13 de janeiro de 1951.
O espaço virou mais do que a casa da Associação — tornou-se sede de várias entidades farmacêuticas do então Distrito Federal: Federação das Associações de Farmacêuticos do Brasil, Academia Nacional de Farmácia, Associação dos Professores de Farmácia do Brasil e Sindicato dos Farmacêuticos do Rio de Janeiro.
Por isso seus membros a chamam carinhosamente de "A Casa da Farmácia".
Fica no 10º andar do Nº 96 da Rua dos Andradas, no Centro do Rio de Janeiro, e funciona de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h.
Lá dentro, auditório, salas de aula, laboratório, secretaria, biblioteca e museu.
Ali também funcionam a Biblioteca Rodolpho Albino e o Museu de Farmácia Antônio Lago — considerado o primeiro da América do Sul.
Hoje, a ABF reúne farmacêuticos das mais variadas especializações, fomenta o intercâmbio cultural nacional e internacional e promove cursos de especialização.
Na prática, continua fazendo o que Carvalho sonhou lá em 1916: fortalecer a classe.
A diretoria é eleita a cada dois anos — e não é qualquer pessoa que chega lá.
Todos os membros são farmacêuticos com títulos de Mestrado ou Doutorado, além de participantes ativos da sociedade farmacêutica acadêmica e política.
Entre os objetivos da ABF:
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: