Dia Nacional do Fusca 2026

Data Comemorativa
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Sobre Dia Nacional do Fusca

20 de janeiro. A data passa despercebida para a maioria das pessoas, mas para os fãs do carro mais amado do Brasil é quase um feriado particular.

Você sabe por que um carro fabricado há décadas ainda mexe tanto com a gente?

O Dia Nacional do Fusca existe desde 1988, criado por membros do Sedan Clube do Brasil — que mais tarde se tornou o Fusca Clube — com o apoio da própria Volkswagen do Brasil.

A data foi oficializada como "Dia do Fusca" na cidade de São Paulo.

Por que essa data?

Depende de com quem você conversa.

Para alguns, o 20 de janeiro marca o reconhecimento oficial do apelido "Fusca" pela Volkswagen do Brasil — até então o carro se chamava oficialmente "Volkswagen Sedan".

Para outros, a data homenageia o feito de 20 de janeiro de 1972, quando o Fusca desbancou o Ford T e se tornou o carro mais produzido da história até aquele momento, ou então o início da produção nacional, que teria ocorrido nessa mesma data em 1959.

Mas essa última versão tem um problema: o primeiro Fusca brasileiro — chamado na época de "Volkswagen de Passageiros" — saiu da linha de montagem da Fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo, no dia 3 de janeiro de 1959, não no dia 20.

E parte das peças ainda vinha da Alemanha.

A data exata, portanto, é disputada.

O que não é disputado é a importância do carro.

Uma história complicada

A história do Fusca é uma das mais complexas da indústria automobilística.

Não é exagero.

O projeto envolveu várias empresas, o governo de um país inteiro e acabou levando à construção de uma fábrica do zero — algo sem precedente na época.

Alguns pontos são obscuros, mal documentados ou simplesmente perdidos para sempre — parte porque ninguém achava que aquilo importaria um dia, parte pela destruição que a 2ª Guerra Mundial deixou para trás.

O que se sabe com certeza é que a ideia de um carro pequeno, econômico e fácil de produzir ganhou força na Alemanha do início dos anos 1930.

Em 1931, o país vivia uma recessão pesada e tinha um dos piores índices de motorização da Europa.

As fábricas alemãs faziam carros de luxo, montados à mão, caros demais para a maioria da população.

Por isso surgiu o conceito do Volks Auto, ou Volks Wagen — expressões alemãs para "carro do povo".

Ferdinand Porsche

Várias iniciativas surgiram nesse cenário.

Uma delas foi liderada pelo engenheiro austríaco Ferdinand Porsche, que desde 1931 tinha seu próprio escritório de design e seus próprios planos para o VolksAuto.

Os planos existiam, mas não saíam do papel.

Isso mudou em 1933, quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha.

Comprometido com a modernização do país e a recuperação econômica — e sendo entusiasta de automóveis desde jovem —, Hitler abraçou a ideia do carro do povo.

A influência de Henry Ford pesou aqui.

Nos tempos em que esteve preso, Hitler se tornou um admirador de Henry Ford — o empresário americano que provou que qualquer trabalhador poderia ter um carro se a produção fosse feita em série, com menos tempo e custo.

Ford democratizou o automóvel. Hitler queria repetir o feito na Alemanha.

Para ele, um "carro do povo" produzido por trabalhadores alemães, circulando pelas recém-inauguradas Autobahns, era a realização perfeita da plataforma política do seu partido.

Três engenheiros apresentaram projetos: Josef Ganz, Edmund Rumpler e Ferdinand Porsche.

Os dois primeiros eram judeus.

Porsche, além disso, tinha um trunfo adicional: era amigo de Jacob Werlin, assessor de Hitler para assuntos automotivos e ex-colega da Daimler-Benz.

Werlin intermediou o encontro entre os dois em meados de 1933.

Nesse encontro, Hitler demonstrou conhecer os projetos de Porsche na NSU — um carro já bastante parecido com o Fusca, com motor boxer de quatro cilindros, suspensão por barras de torção e o formato aerodinâmico característico.

O que Hitler queria

Com opinião formada, Hitler chegou ao encontro com exigências bem específicas para o carro:

  • Capacidade para dois adultos e três crianças — a família alemã típica da época
  • Velocidade média sustentada de 100 km/h
  • Consumo mínimo de 13 km/litro
  • Motor refrigerado a ar, já que muitos alemães não tinham garagens aquecidas
  • Preço abaixo de mil marcos imperiais — o equivalente ao de uma boa motocicleta na época
  • Capacidade de transportar três soldados e uma metralhadora

Hitler pediu que Porsche colocasse tudo isso no papel.

Em 17 de janeiro de 1934, Porsche enviou seu estudo — intitulado "Estudo Sobre o Desenho e Construção do Carro Popular Alemão" — onde argumentou pela viabilidade de um motor a gasolina traseiro (ao contrário do que Hitler preferia) e concluiu que o preço mínimo viável seria 1.500 marcos imperiais, não os mil exigidos.

Hitler leu o estudo. Manteve sua posição.

Por isso, Porsche se viu diante de um projeto quase impossível: entregar um carro mais barato do que ele próprio julgava viável.

O contrato

Mesmo com as divergências, o projeto seguiu em frente.

A RDA — Associação da Indústria de Automóveis do Reich — foi colocada como responsável pela execução, e Werlin convenceu Porsche a aceitar uma verba de vinte mil marcos por mês para desenvolver o projeto.

Em 22 de junho de 1934, o contrato foi assinado.

Os equipamentos foram instalados na casa de Porsche em Stuttgart.

A equipe era liderada por Karl Rabe e incluía Erwin Komenda, responsável pelo design da carroceria, Franz Xaver Reimspiess, que desenvolveu o motor final e criou o logotipo da VW, além de Joseph Kales, Karl Fröhlich, Josef Mickl, Josef Zahradnik e Ferry Porsche, filho de Ferdinand.

A oposição da indústria

Porsche não tinha só as exigências de Hitler para lidar.

As próprias montadoras do país torciam para o projeto fracassar.

A RDA, acostumada com a produção de carros de luxo, se opôs ao projeto desde o início.

As montadoras também temiam a concorrência estatal no mercado popular — mercado no qual pretendiam entrar por conta própria.

Heinrich Nordhoff, executivo da Opel, defendia que automóveis deveriam ser fabricados por empresas privadas, não pelo governo.

Ironicamente, Nordhoff viria a se tornar presidente da Volkswagen anos depois.

Além da oposição política, o projeto ainda precisava passar por uma bateria de testes imposta pela própria RDA — os mais rigorosos já aplicados a qualquer automóvel até então.

Perguntas Frequentes

Dia Nacional do Fusca em 2026 foi em 20 de Janeiro de 2026 (Terça-feira) e já passou. A próxima Dia Nacional do Fusca será em 20 de Janeiro de 2027 (Quarta-feira).

Dia Nacional do Fusca é data comemorativa no Brasil.

20 de janeiro. A data passa despercebida para a maioria das pessoas, mas para os fãs do carro mais amado do Brasil é quase um feriado particular.

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