Você sabia que existe um dia oficial dos alimentos congelados nos Estados Unidos? Sério.
O "Frozen Food Day" cai em 6 de março, e tem até Proclamação presidencial — a de Nº 5.157, assinada por Ronald Reagan em 1984, a partir da Resolução Conjunta Nº 193 do Senado americano.
Mas por que 6 de março?
Porque foi nessa data, em 1930, que aconteceu a primeira venda em massa de alimentos congelados embalados individualmente de que se tem registro.
A marca Birds Eye foi introduzida em dezoito lojas de Springfield, Massachusetts, pela General Seafoods Company (que depois virou a General Foods).
O responsável era Clarence Birdseye — cientista, empreendedor e inventor que é considerado o pai da indústria de alimentos congelados.
A história de Birdseye começa antes, lá por 1916, quando ele trabalhava como caçador de peles e comerciante no norte do Canadá.
Ali ele percebeu algo curioso: o peixe congelado naturalmente, logo depois de pescado, ficava muito mais saboroso do que o congelado mecanicamente em climas mais quentes.
Mesmo semanas depois.
O que ele entendeu foi que o congelamento ultrarrápido danificava muito menos a estrutura celular do alimento.
Ou seja, quando descongelado, o peixe ficava quase indistinguível do fresco.
A partir daí, ele criou um método de congelamento ultra-rápido por freezers, inicialmente voltado para peixes.
Segundo a própria Proclamação Presidencial, entre 1935 e 1940 os alimentos congelados se tornaram acessíveis ao público em grande escala.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os valores dos pontos de alimentos eram publicados nas lojas e a cobertura dos jornais chamou atenção para os congelados.
Depois, os congelados entraram na era espacial.
Os astronautas do Apollo XII levaram refeições congeladas a bordo.
No Skylab, foram armazenados 72 itens de alimentos congelados — suficientes para quinhentos dias de refeições da tripulação.
Por isso, a indústria americana de alimentos congelados seguiu investindo em pesquisa e desenvolvimento — junto com os produtores — para melhorar a nutrição, a qualidade e o sabor do que chega ao prato do consumidor.
Mas afinal, como funciona o congelamento?
Em termos simples, congelar um alimento é um método de preservação que diminui a decomposição.
Ao transformar a água em gelo, o processo torna o meio inacessível ao crescimento de bactérias e desacelera reações químicas.
Mas atenção: o congelamento desacelera a deterioração e pode parar o crescimento de micro-organismos.
Porém, não necessariamente os mata.
Muitas reações enzimáticas só param de fato com o congelamento, e por isso é comum inativar as enzimas antes — por fervura ou pela adição de produtos químicos.
Os alimentos podem ser conservados por vários meses, desde que a temperatura se mantenha a -18 °C ou menos.
Nem todos os freezers domésticos atingem essa marca.
Quando a temperatura oscila — seja por um pequeno desnível na porta do congelador ou pela adição de uma grande quantidade de alimentos de uma vez — o tempo de conservação cai consideravelmente.
A indústria usa uma técnica chamada congelamento flash — que é, basicamente, uma superventilação potente usada para congelar alimentos de forma ultrarrápida.
A água dentro do alimento é submetida a temperaturas muito abaixo do ponto de congelamento (0 °C ou 273 K), fazendo com que congele de forma extremamente rápida.
A descongelação precisa ser feita de forma a minimizar o risco de desenvolvimento de micro-organismos patogênicos ou formação de toxinas.
Deve acontecer no menor tempo possível — tanto por segurança quanto por questões nutricionais — e preferencialmente em frio positivo, a no máximo 4 °C.
Em casos excepcionais, pode-se usar água corrente potável a uma temperatura inferior a 21 °C, por no máximo 4 horas.
Também é importante evitar que a água resultante do descongelamento (o exsudato) se acumule junto do produto.
Produtos descongelados de origem animal devem ser preparados em até 24 horas.
E recongelar um produto que já foi descongelado? Nem pensar.
É proibido.
Muitas comunidades do Ártico já preservavam alimentos em buracos ou despensas cavadas no gelo, muito antes da indústria moderna.
Na Escandinávia, por exemplo, existe uma tradição antiga de preservar peixes — especialmente o arenque — dessa forma.
Frigoríficos oferecem armazenagem em grande volume e de longo prazo.
São estoques estratégicos, usados em caso de emergência nacional em vários países.
E os bancos de sementes funcionam no mesmo princípio: sementes são armazenadas a -18 °C ou menos, servindo como reserva para plantio caso haja escassez em outros locais.
Podem ser sementes de colheitas comuns ou de espécies raras.
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