Você já parou para pensar por que algumas pessoas decoram cada detalhe da filmografia de um diretor que ninguém conhece, vão a eventos fantasiadas até o limite e passam horas discutindo teorias sobre séries?
Para esse público existe um dia oficial: 17 de março, no calendário de São Paulo.
A comemoração foi estabelecida pela Lei Nº 13.868 e depois ratificada pela Lei Nº 14.485 de 19 de julho de 2007 como data oficial do município paulistano.
O ponto de partida foi o Projeto de Lei Nº 584, apresentado em 10 de setembro de 2003 na Câmara Legislativa de São Paulo — mas mesmo lendo a íntegra com a respectiva justificação, os motivos concretos para a escolha do dia 17 de março seguem sem uma explicação clara.
Por isso fica a dúvida: foi arbitrário mesmo, ou existe uma história que ninguém documentou direito?
Na prática, a festa acontece no fim de semana mais próximo de 17 de março, ou em qualquer domingo de março que se encaixe no calendário de eventos da Estação Ciências da Lapa, vinculada à Estação Ciência da USP.
Um dia inteiro dedicado aos universos de ficção, fantasia, ação e aventura, com palestras, concursos de fantasias, jogos e atrações para os fãs de séries e cinema.
é abreviatura do inglês fanatic.
A palavra diz bastante sobre o nível de comprometimento dessas pessoas: alguém que dedica tempo e admiração a uma pessoa, grupo, ideia, esporte — ou até a um objeto inanimado, como um carro ou um modelo de computador.
É comprometimento de verdade.
No universo das séries e do cinema, essa paixão assume formatos bem variados — e quem nunca se pegou assistindo mais um episódio às duas da manhã porque a narrativa era boa demais para parar, que atire a primeira pedra.
Algumas séries carregam um peso nostálgico por terem acompanhado a infância de muita gente, e quando isso acontece, a identificação com os personagens costuma ser intensa.
Em eventos organizados pelos próprios fãs, não é raro ver pessoas chegando fantasiadas ao limite da caracterização do seu personagem favorito.
Quem já foi a um desses eventos sabe: a entrega é total, sem ironia, sem meias tintas.
No futebol, o fã vira torcedor — alguém ligado a um clube, disposto a apoiá-lo em competições.
As torcidas organizadas reúnem esses torcedores de forma estruturada.
Mas há gradações dentro desse universo: os Ultras ficam num ponto intermediário entre o torcedor comum e os grupos mais violentos, como os barra bravas e os hooligans.
Fandom — abreviação de fan kingdom, ou "reino dos fãs" — é o termo para as subculturas que surgem quando grupos de pessoas compartilham o mesmo interesse.
Dentro do fandom existem as fanfics (fan fiction), contos e romances criados por fãs baseados em filmes, livros, quadrinhos ou qualquer outro universo.
Os fanzines são revistas editadas por fãs, e a versão eletrônica deles — distribuída por e-mail ou publicada em sites — é chamada de e-zine.
A indústria sabe aproveitar essa energia — e muito bem.
Autógrafos, pôsteres e produtos licenciados movimentam bilhões anualmente.
Ou seja, o fandom deixou de ser nicho há muito tempo.
Nem tudo é celebração.
A adoração excessiva pelos ídolos tem seus críticos — e Regis Tadeu, crítico musical, produtor, apresentador de rádio e colecionador brasileiro de discos e CDs, é um dos mais diretos.
Ao comentar sobre as críticas que recebe por suas opiniões, ele foi categórico: "As pessoas têm medo de ouvir a opinião de um profissional especializado, e como sempre digo e repito, todo fã é um idiota se não consegue perceber quando seu ídolo pisa na bola em termos artísticos".
Por isso completou, sem meias palavras: "Infelizmente, adoração por parte de fãs retardados fez com que a música em si tenha se tornado o menos importante".
É uma visão dura — mas vale a reflexão: até que ponto a paixão pelo ídolo compromete a percepção da obra?
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: