16 de março de 1998: o Protocolo de Quioto foi aberto para adesões.
Essa data não foi escolhida por acaso para marcar o Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas no Brasil — instituído pela Lei Nº 12.533/2011 e celebrado todo ano nessa mesma data.
Por lei, as escolas brasileiras devem promover atos, eventos, debates e mobilizações sobre proteção dos ecossistemas brasileiros.
Na prática, poucos sabem o que essa data significa. Ou de onde ela veio.
Tudo começou em Toronto.
Em 28 de junho de 1988, a Conferência sobre as Mudanças Climáticas reuniu especialistas no Canadá num debate que ainda soava como alarmismo para muita gente.
Dois anos depois, em agosto de 1990, o IPCC — o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas — publicou seu Primeiro Relatório de Avaliação na cidade sueca de Sundsvall.
O tom mudou.
O relatório embasou o que viria em junho de 1992: a UNFCCC, a Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, firmada durante a Rio'92, no Rio de Janeiro.
Dali saiu o arcabouço.
Em 1997, os países se reuniram em Quioto, no Japão, para negociar o compromisso concreto — um acordo internacional com metas mais rígidas para a redução dos gases que, segundo a maioria das investigações científicas, são causas antropogênicas do aquecimento global.
Aberto para assinaturas em março de 1998, o protocolo só entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005 — ou seja, sete anos depois — somente após a Rússia ratificá-lo em novembro de 2004.
A proposta era clara: países desenvolvidos signatários deveriam reduzir suas emissões de gases poluentes em pelo menos 5,2% até 2012, usando como referência os níveis de 1990.
Os planos de redução tinham de ser executados entre 2008 e 2012.
Seis gases foram alvo do protocolo: CO2 (dióxido de carbono), N2O (óxido nitroso), CH4 (metano), HFC (hidrofluorcarboneto), PFC (perfluorcarboneto) e SF6 (hexafluoreto de enxofre).
Mas os Estados Unidos — responsáveis por 21% das emissões de gases de efeito estufa no planeta — não aderiram.
O maior emissor do mundo ficou de fora de um acordo construído exatamente para frear esses gases.
O que vale um protocolo climático sem o principal poluidor do planeta? O Brasil, porém, ratificou o tratado em 15 de março de 1999.
O compromisso existe. O desafio é honrá-lo.
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