20 de janeiro.
São Paulo reservou essa data para homenagear os anões da capital — uma comemoração instituída pela Lei Nº 14.618 de dezembro de 2007 e ratificada pela Lei Nº 14.485 de julho do mesmo ano.
Mas por que 20 de janeiro, especificamente?
A razão precisa permanece nebulosa.
Mesmo lendo o Projeto de Lei Nº 537, de agosto de 2007, da Câmara Municipal de São Paulo, a justificativa para essa data não fica clara.
O que o projeto deixa evidente é o contexto: São Paulo concentra cerca de 10% de todos os anões brasileiros.
Esse número foi o gatilho para a criação da Associação Brasileira Pró-nanismo, conhecida como Gente Pequena, no início dos anos 1980.
A entidade se inspirou na ONG norte-americana Little People of America e hoje opera como AGPB — Associação Gente Pequena do Brasil —, com foco em informar e orientar pais e interessados sobre o nanismo.
Nanismo é a condição em que a altura de uma pessoa é muito menor do que a média dos seus pares.
Na prática: considera-se nanismo quando a estatura está até 20% abaixo da média para a mesma espécie e idade — homens com menos de 1,70 metro e mulheres com menos de 1,35 metro.
O Tratado de Pediatria Nelson adota critérios ligeiramente diferentes, com limite de 1,40 metro para homens e 1,35 metro para mulheres.
A morfologia divide o nanismo em dois grupos principais.
O nanismo proporcional é aquele em que a estatura é baixa, mas os órgãos mantêm proporção entre si.
Os tipos mais conhecidos são o nanismo pituitário e o primordial.
Já o nanismo desproporcional — também chamado de displasia esquelética — apresenta membros desproporcionalmente menores em relação ao tronco, ou órgãos maiores em relação à altura.
Os tipos mais comuns são a acondroplasia e a hipocondroplasia, que provocam encurtamento dos membros.
Há ainda displasias com acometimento severo da coluna vertebral.
Em alguns contextos, o termo nanismo é aplicado exclusivamente a esses casos desproporcionais.
Ambos os tipos costumam ter causas genéticas, hereditárias ou não, resultando em uma parada prematura do crescimento esquelético.
O nanismo também pode ser causado pela secreção insuficiente do hormônio do crescimento — o chamado nanismo hipofisário.
A realidade social dos anões ainda é marcada por barreiras.
No mercado de trabalho, as portas nem sempre se abrem da mesma forma — e quando se abrem, frequentemente chegam com ressalvas.
Relacionamentos afetivos também podem ser mais difíceis: a característica física fora do padrão alimenta em muitos um complexo de inferioridade que complica conexões que, para a maioria, já são complicadas o suficiente.
Porém, talvez o problema mais concreto seja o mais invisível: a infraestrutura pública.
Um telefone público, um balcão de atendimento, um banheiro coletivo — nenhum deles foi desenhado pensando em quem tem menos de 1,40 metro.
É uma exclusão silenciosa, mas cotidiana.
Nos meios de comunicação, a discriminação também persiste, com anões frequentemente retratados como figuras exóticas ou cômicas.
A indignação contra esses preconceitos, da sociedade e dos próprios anões, ainda é tímida — mas o cenário vai mudando, ainda que devagar.
Um sinal disso é a visibilidade que personagens como Tyrion Lannister trouxeram.
Interpretado pelo ator norte-americano Peter Hayden Dinklage desde 2011 na série Game of Thrones, no canal HBO, o personagem colocou um anão no centro de uma das narrativas mais assistidas do mundo.
Se a ficção já consegue fazer isso, a sociedade não tem desculpa para não acompanhar — e o Dia do Anão existe, entre outras coisas, para lembrar exatamente disso.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: