25 de fevereiro.
No Mato Grosso do Sul, essa data não passa em branco.
É o Dia do Agronegócio — criado pela Lei Nº 3.627, de 23 de dezembro de 2008, e confirmado pela Lei Nº 3.945, de 4 de agosto de 2010.
A data coincide com o aniversário de Hélio Martins Coelho — médico, pecuarista e empresário que ajudou a moldar o setor agropecuário do estado.
A comemoração é uma homenagem a todos os produtores rurais sul-mato-grossenses.
Hélio Martins Coelho nasceu em 25 de fevereiro de 1926, na Fazenda Bela Vista — hoje município de Nova Alvorada do Sul-MS, então parte de Rio Brilhante.
Filho de Laucídio Coelho e Lucia Martins Coelho, o parto foi feito pela parteira conhecida como Tia Joaquina.
Ele veio ao mundo muito pequeno.
A solução foi uma incubadora improvisada com tijolos aquecidos no forno a lenha.
Sobreviveu — e foi longe.
Hélio faleceu em 5 de novembro de 2008, aos 84 anos, e foi enterrado no cemitério Parque das Primaveras, em Campo Grande-MS.
O curso primário foi na própria Fazenda Bela Vista.
O ginásio, no Internato Dom Bosco, em Campo Grande. O pré-médico, no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.
Em 1949, formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil.
Em 1950 foi para Nova York, enviou currículo para vários hospitais em busca de residência médica e logo conseguiu internato no Berkeley Memorial Hospital, em Berkeley, Califórnia.
De 1951 a 1953, fez residência em Cirurgia no Franklin Hospital, em San Francisco — afiliado à Universidade da Califórnia, na equipe do Dr.
Norman Freeman.
Em 1952, casou-se com Cynthia Jane Folley, enfermeira norte-americana natural de Larchmont, Nova York, que também trabalhava no Franklin Hospital.
Desse casamento nasceram seis filhos:
De 1953 a 1954, fez residência na equipe do Dr.
Julian Ormond, no St. Luke's Hospital, em Chicago, afiliado à Universidade de Illinois.
No mesmo hospital, de 1955 a 1956, foi fellow em medicina cardiovascular e pesquisador da própria equipe do Dr.
Ormond.
Em 1956, voltou. Parou em Campo Grande só para o nascimento do filho Eduardo e foi direto para São Paulo.
Na Escola Paulista de Medicina e no Hospital São Paulo, ocupou as seguintes posições:
Durante esse período, publicou trabalhos em revistas médicas e capítulos em livros didáticos.
Em 1965, a família voltou para Campo Grande — e a partir daí, Hélio passou a conciliar a medicina com a agropecuária e outras atividades.
O campo e o consultório dividiram o mesmo homem.
De 1970 a 1975, foi diretor do Hotel Campo Grande — e não foi pra enfeitar o cargo.
Implantou um sistema de gestão profissional, trouxe gerente e chef de cozinha de São Paulo.
Ao mesmo tempo, de 1970 a 1973, atuou como Professor Nomeado de Clínica Cirúrgica na UFMS e coordenou o curso de Medicina — organizou o terceiro, quarto e quinto anos do currículo e montou um ensino prático em sistema de rodízio, com aluno e professor por períodos de duas a seis semanas, modelo que ele vira nos Estados Unidos para internos e residentes.
Em 1974, fez o Curso Superior de Guerra da ESG/EMFA, no Rio de Janeiro, por indicação do governador do estado — o que o levou a coordenar a ADESG em Mato Grosso do Sul, de 1975 a 1979.
No mesmo ano, adquiriu a Financial Imobiliária.
Por meio dela, inaugurou o sistema de construção pelo preço de custo, incorporando e conduzindo nove prédios de alto gabarito em Campo Grande e um em Cuiabá, além de conduzir loteamentos próprios e de terceiros em Campo Grande, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Dourados e Sidrolândia.
Hélio herdou do pai o gosto por tecnologia no campo.
Mas foi na liderança sindical e no associativismo que ele colocou isso em prática — a diferença entre admirar uma ideia e fazer com que os outros a sigam.
Foi presidente da Acrissul — Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul — de 1979 a 1981, organizando a 42ª Expogrande em 1980 e a 43ª em 1981.
De 1989 a 1995, presidiu o Sindicato Rural de Campo Grande.
Em 1980, iniciou o primeiro projeto de Arroz Irrigado em Rio Brilhante, com sistema de reservação em barragens.
Em 1984, instalou um projeto de Arroz Irrigado na Fazenda San Francisco, em Miranda-MS, com 3.800 hectares.
A San Francisco Agropecuária foi montada em Miranda para secagem, armazenamento e produção de sementes de arroz.
Em 1983, iniciou o Cruzamento Industrial de bovinos em convênio com o CNPCG da EMBRAPA — ou seja, cruzar raças europeias de alto rendimento com o Nelore adaptado ao cerrado brasileiro.
Trabalhava com Simental, Marchigiana, Chianina, South Devon, Red Angus e Pardo-Suíço Corte sobre Nelore.
Nesse mesmo período, abriu a Empresa Fazendeiro Nutrição Animal, com sede em Campo Grande e filial em Rio Brilhante, voltada à produção de rações e suplementos alimentares.
Em 1986, iniciou o confinamento de bovinos na Fazenda Remanso, em Rio Brilhante.
Em 1991, implantou melhoramento genético nas raças Nelore, Pardo-Suíço Corte e Composto Montana Tropical, com avaliação pelo "modelo animal" — método científico coordenado por professores da USP de Ribeirão Preto e Pirassununga.
A partir de 1992, iniciou a criação de Pardo-Suíço Corte PO com transferência de embriões e implantou o sistema de confinamento na Fazenda San Francisco.
Plantou soja, milho, arroz irrigado, aveia, milheto e sorgo — para cobertura de área no inverno e alimentação do gado.
A Fazenda Remanso entrou em convênio com a EMBRAPA no Programa Procitrópicos em 1995.
No mesmo ano, iniciou a criação do Bovino Composto Montana Tropical em franquia com a Leachman Cattle Company, de Montana, e a CFM Agro-Pecuária, de São Paulo.
Em 1996, implantou a sistematização da área de terra para arroz irrigado na mesma fazenda.
Como líder sindical, Hélio defendeu a propriedade rural e as iniciativas no campo ao longo de décadas.
Foi diretor e fundador do MNP — Movimento Nacional de Produtores.
A formação nos Estados Unidos o estimulou a experimentar e inovar — por isso a trajetória dele atravessou medicina, imóveis, hotelaria e pecuária com a mesma convicção.
O que fica dessa história é simples: inovar no campo não é tendência.
É postura. E Hélio Martins Coelho carregou isso muito antes de existir nome bonito para chamar.
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