Foices, facões e velhas espingardas de caça.
Era com isso que vaqueiros, agricultores e trabalhadores de Campo Maior-PI foram enfrentar as tropas do Marechal português João José da Cunha Fidié, em 13 de março de 1823.
A diferença era absurda. Perderam.
Mas o resultado daquela derrota mudou o mapa do Brasil.
A "Batalha do Jenipapo" é apontada por historiadores como a única batalha sangrenta da Guerra da Independência do Brasil.
Os combatentes do lado brasileiro eram piauienses, cearenses e maranhenses sem preparo militar — armados com instrumentos de trabalho, chuços, espadas e espingardas velhas.
Do outro lado, um exército profissional sob ordens diretas de Lisboa.
Os brasileiros perderam o confronto.
Mas o que acontece quando um exército profissional perde homens demais para uma batalha que deveria ser fácil?
Fidié saiu do Piauí com os planos completamente desviados.
Ele seguiu para o Maranhão e, em 31 de julho de 1823, terminou preso ao se render a piauienses e cearenses.
Dom João VI tinha voltado a Portugal em 1821.
Ele sabia que barrar a independência do Brasil inteiro era inviável.
Então mudou o plano: manter o norte — Pará, Maranhão e Piauí — como colônia portuguesa.
A região concentrava grandes riquezas em gado bovino e controlava o suprimento de carne para o restante do país — funcionava como uma espécie de gerador de abastecimento nacional: quem dominasse o norte, dominava a mesa do Brasil.
A derrota de Fidié no Jenipapo comprometeu essa estratégia.
Ou seja, aqueles trabalhadores que perderam a batalha colaboraram para enterrar os planos de Dom João VI — e mantiveram intacta a unidade territorial do Brasil.
O mapa do país que você conhece hoje passou pelas mãos de pessoas armadas com foices.
O 13 de março virou feriado extraoficial no Piauí — e foi além disso.
Desde 2005, a data da batalha está gravada na própria bandeira piauiense: em caracteres brancos e maiúsculos, no retângulo azul abaixo da estrela.
Uma lei determinou que esse dia não pode ser esquecido nem na simbologia do estado.
Além disso, o Projeto de Lei Nº 968 de 2007 da Câmara dos Deputados chegou a propor que o 13 de março se tornasse data comemorativa nacional brasileira.
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