Dia Nacional dos Surdos 2026

Data Comemorativa
Próximo Dia Nacional dos Surdos 26 de Setembro de 2026 | Sábado
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Sobre Dia Nacional dos Surdos

26 de setembro de 1857.

Nessa data, no Rio de Janeiro, abria as portas o Colégio Nacional para Surdos-Mudos — a primeira escola de surdos do Brasil.

Quase 170 anos depois, a mesma data é comemorada como o Dia Nacional dos Surdos, instituído pela Lei Nº 11.796 de 29 de outubro de 2008.

Uma data que virou símbolo.

O homem por trás da escola

Eduard Huet não era um estranho ao mundo dos surdos.

Conde e educador francês, ele próprio era surdo, havia dirigido o Instituto dos Surdos-Mudos de Bourges, na França, e chegou ao Brasil com um objetivo claro: fundar uma escola para surdos.

Segundo o colunista Adalberto Mario Ribeiro, em reportagem publicada na Revista do Serviço Público em 1942, quando emigrara para a Corte Portuguesa no Brasil, Huet já vinha "levado por sentimentos de solidariedade humana, o que fez com que ele houvesse cogitado por sua vez, a fundação de uma casa de ensino e abrigo para seus companheiros surdos-mudos".

Esse modelo tinha precedentes.

Em 1815, o educador surdo norte-americano Thomas Hopkins Gallaudet foi estudar no Instituto Nacional dos Surdos de Paris.

Ao voltar, convidou Laurent Clérc — também surdo, também ex-aluno do mesmo instituto, já atuando como professor — para fundar a primeira escola de surdos nas Américas.

A proposta de Huet seguia esse mesmo caminho.

Mas o Brasil daquele tempo era outro cenário.

Não havia noção pública sobre educação de surdos, e as próprias famílias relutavam em educar seus membros surdos.

Por isso, a carta de recomendação do Ministro de Instrução Pública da França foi decisiva: abriu as portas do Imperador Dom Pedro II, que acolheu o projeto e destacou o Marquês de Abrantes para acompanhar de perto a criação da escola.

Para desenvolver o trabalho, Huet contava ainda com o apoio da nobreza ligada ao governo Imperial.

Os primeiros anos

Em 1º de janeiro de 1856, quando o estabelecimento começou a funcionar, Huet apresentou o programa de educação para surdos, com as disciplinas de Língua Portuguesa, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Escrituração Mercantil, Linguagem Articulada, Doutrina Cristã e Leitura sobre os Lábios.

Dois anos depois, apresentou os primeiros 7 alunos ao Imperador num exame público que entusiasmou todos os presentes diante dos resultados alcançados.

Porém, em 1861, abalado pela separação da esposa, Huet reconheceu que não tinha mais condições de continuar à frente da instituição.

Era o fim de um ciclo pesado.

Vendeu seus direitos ao Imperador Dom Pedro II — quando o instituto já contava com 17 alunos e já caminhava com as próprias pernas.

Os nomes que teve

Ao longo de quase dois séculos, o Instituto passou por outras denominações.

A mudança mais significativa foi em 1957, quando a palavra "Mudo" deu lugar a "Educação", refletindo o ideário de modernização da década de 1950 no Brasil.

A escola que nasceu como Colégio Nacional para Surdos-Mudos tornou-se o que hoje conhecemos como INES — Instituto Nacional de Educação de Surdos.

Mas o que significa ser a única instituição federal de educação de surdos em um país de dimensões continentais?

Significa que, por muito tempo, quem era surdo no Ceará, no Pará ou no Rio Grande do Sul tinha um único destino possível: o INES.

Alunos de todo o Brasil e do exterior passaram por ali.

A língua de sinais praticada lá, de forte influência francesa por conta de Huet, foi sendo espalhada pelo país pelos alunos que regressavam aos seus estados ao fim dos estudos.

Ou seja: o INES não formou só alunos — formou multiplicadores.

Foi assim que a Libras chegou a cada canto do Brasil.

O que se ensinava lá

Nas primeiras décadas do século XX, além do ensino literário, o Instituto oferecia formação profissionalizante.

A conclusão dos estudos dependia da aprendizagem de pelo menos um ofício.

Conforme suas aptidões, os alunos frequentavam oficinas de sapataria, alfaiataria, gráfica, marcenaria e artes plásticas.

Para as meninas, que estudavam em regime de externato, havia as oficinas de bordado.

O INES hoje

O papel do INES vai além de uma escola — e muito além de uma data no calendário.

Pense assim: se você quisesse aprender Libras hoje, provavelmente encontraria algum curso na sua cidade. Essa oferta não surgiu do nada.

Além do Colégio de Aplicação — com Educação Precoce, Ensino Fundamental e Médio —, o instituto forma profissionais surdos e ouvintes no Curso Bilíngue de Pedagogia, experiência pioneira no Brasil e em toda a América Latina.

Promove fóruns, seminários, pesquisas e assessorias em todo o território nacional, e produz material pedagógico, fonoaudiológico e vídeos em língua de sinais distribuídos para os sistemas de ensino do país, em conformidade com a Portaria MEC Nº 323 de 8 de abril de 2009 e o Decreto Nº 7.690 de 2 de março de 2012.

Quase fechado

Em meados de março de 2011, representantes do INES e do IBC — Instituto Benjamin Constant, voltado para cegos — foram informados pela diretora de Políticas de Educação Especial do Governo Federal, Martinha Clarete, de que os alunos do ensino básico das duas instituições seriam transferidos para as redes estadual e municipal de ensino em 2012, seguindo a política de inclusão do Ministério da Educação.

A notícia gerou confusão imediata.

Cerca de 800 crianças e jovens — do maternal ao ensino médio do IBC e do INES — teriam a rotina completamente alterada, todos recebendo serviços especializados que não encontrariam em qualquer escola da rede.

O então Ministro da Educação, Fernando Haddad, precisou se reunir com as direções das duas casas para desfazer o mal-entendido.

Uma crise que poderia ter acabado com quase 150 anos de história.

Perguntas Frequentes

26 de Setembro de 2026 | Sábado

Dia Nacional dos Surdos é data comemorativa no Brasil.

26 de setembro de 1857. Nessa data, no Rio de Janeiro, abria as portas o Colégio Nacional para Surdos-Mudos — a primeira escola de surdos do Brasil. Quase 170 anos depois, a mesma data é comemorada como o Dia Nacional dos Surdos, instituído pela Lei Nº 11.

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