Você sabe o que se comemora todo 7 de fevereiro? O Brasil celebra — de forma extraoficial — o Dia Nacional do Gráfico.
A data aparece em vários calendários de dias festivos pelo país e deu origem ao "Dia do Gráfico" nos estados do Maranhão e São Paulo, além do "Dia do Trabalhador Gráfico" no Distrito Federal.
Mas por que essa data?
Porque em 7 de fevereiro de 1923, os operários da indústria gráfica paulista pararam.
Uma greve grande, organizada, liderada pelo ativista e linotipista João da Costa Pimenta. A pauta?
Aumento salarial e melhores condições de trabalho. Foram 42 dias de paralisação — e funcionou.
Os direitos conquistados se estenderam a trabalhadores de todas as gráficas, e o movimento ainda possibilitou a criação da UTG (União dos Trabalhadores Gráficos) no Brasil.
O gráfico é o profissional responsável pela produção e difusão de todos os materiais impressos — informações, publicidade, tudo que passa por tinta e papel (ou tela, hoje em dia).
Trabalhar como gráfico é lidar com impressão de materiais de todos os tipos, editoração de artigos de cartonagem e papelaria, edição de livros, convites, jornais, revistas e por aí vai.
Mas como tudo isso começou?
O inventor alemão Johan Gutenberg é o responsável.
Em 1455, ele aperfeiçoou a técnica de impressão usando tipos metálicos — letras em alto relevo — e tinta.
Um feito revolucionário que mudou tudo.
Antes dele, copiar um livro exigia um escriba fazendo tudo à mão.
O custo de uma única cópia era absurdo, e a leitura acabava sendo privilégio da elite e do clero.
Com uma técnica que permitia imprimir cerca de trezentas páginas por dia, Gutenberg fez a primeira impressão da Bíblia Sagrada.
Isso permitiu a propagação do conhecimento bíblico — e de outros livros impressos depois dela — para muito mais gente.
Foi um marco na história da humanidade.
Até então, a Bíblia era o livro mais caro do mundo, porque sua transcrição manual ocupava o trabalho de muitas pessoas.
Mesmo o primeiro exemplar impresso por Gutenberg custava caro: calcula-se que a aquisição de uma cópia exigia algo como quatro vezes o salário anual de um escrivão de livros manuscritos.
A tarefa foi extenuante — quase além das possibilidades humanas do século XV.
Segundo a revista da SBB (Sociedade Bíblica do Brasil):
> Durante quase três anos — de 1452 até 1455 — Gutenberg trabalhou na impressão da Bíblia.
Para imprimir o Livro dos livros foi necessário o trabalho de uma grande equipe: além de Gutenberg, 6 impressores, 12 tipógrafos e mais 20 auxiliares.
O material empregado foi o pergaminho, e para as suas 30 primeiras Bíblias ele precisou da pele de 5.000 cabras.
Ao todo foram impressas cerca de 180 Bíblias.
Ou seja, com a fabricação em massa de livros resistentes, o mundo finalmente conheceu a expansão do conhecimento em escala.
Isso esteve no cerne do Renascimento — os novos ideais e as descobertas científicas passaram a se espalhar por todas as partes com uma facilidade que nunca tinha existido antes.
Por isso, até hoje a obra de Gutenberg tem importância vital para o funcionamento da sociedade.
O trabalho do profissional gráfico não se limita mais à impressão de documentos, cartazes, livros e outros materiais.
A gama de funções cresceu muito com a revolução da informação — artes digitais, comunicação visual — e com isso surgiram profissionais como o arte-finalista, o designer gráfico, entre outros.
Existe toda uma cadeia de profissionais gráficos que atuam nas etapas de pré-impressão, impressão e acabamento.
E quando a gente entende esse trabalho, dá pra perceber algo importante: são esses profissionais que garantem a reprodução e o crescimento dos sistemas que estruturam a vida das pessoas.
Os trabalhos gráficos acontecem em três etapas:
Com o tempo, os serviços de impressão ficaram mais modernos e rápidos.
Os afazeres gráficos viraram instrumentos de alta eficácia para o mundo das comunicações — a ponto de a sociedade moderna poder ver jornais impressos todas as noites, prontos para circular a partir das seis da manhã.
Porém, pra isso acontecer, é preciso contar com vários profissionais cuidando de produção, elaboração de pautas, escrita de reportagens, edição, diagramação, entre outros.
As técnicas de produção foram se alterando junto com as evoluções tecnológicas, deixando de lado a impressão exclusiva de textos escritos e ampliando o trabalho para imagens de alta resolução, digitalizadas, edição de imagens, banners, painéis fotográficos e mais.
Dados da Associação Brasileira de Indústrias Gráficas mostram que o mercado gráfico no Brasil cresceu muito nos últimos anos — impulsionado pelo avanço das tecnologias.
Hoje, o número de profissionais chega a aproximadamente duzentos mil, concentrados principalmente no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
E o que isso significa na prática?
Que existe uma cadeia produtiva robusta, mas ainda concentrada em poucos estados. Nas outras capitais, o número de gráficos é bem menor.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: