7 de fevereiro de 1923. São Paulo parou.
Os operários das gráficas cruzaram os braços e não voltaram para as máquinas por 42 dias, exigindo aumento salarial e condições decentes de trabalho.
Quem liderou tudo isso foi João da Costa Pimenta, linotipista e ativista, cujo nome ficou marcado na história do movimento trabalhista brasileiro.
A greve foi bem-sucedida.
Os trabalhadores conquistaram a maioria dos direitos que reivindicavam e, além disso, possibilitaram a criação da UTG — União dos Trabalhadores Gráficos.
Por isso, o 7 de fevereiro entrou para o calendário como o Dia do Gráfico, comemorado no Maranhão pela Lei Nº 4.776 de 16 de junho de 1987 e em São Paulo pela Lei Nº 3.875 de 28 de maio de 1957.
A data também é reconhecida como Dia Nacional do Gráfico em todo o Brasil e como Dia do Trabalhador Gráfico no Distrito Federal.
Mas quem é, afinal, o profissional gráfico?
É o responsável pela produção e difusão de todo material impresso — publicidade, jornais, revistas, livros, convites, artigos de cartonagem e papelaria.
Tudo que vai para o papel passa pelas mãos de quem trabalha com impressão.
A profissão, porém, não ficou parada.
Com o avanço da tecnologia, esse profissional ganhou novas frentes.
As artes digitais e outros meios de comunicação visual deram origem ao arte-finalista, ao designer gráfico e a outros especialistas.
O trabalho segue três etapas:
Antes de Johan Gutenberg, copiar um livro exigia um escriba e semanas de trabalho manuscrito.
O custo era tão alto que a leitura era privilégio da elite e do clero.
A Bíblia, então, era o livro mais caro do mundo — sua transcrição manual ocupava o trabalho de muitas pessoas.
Em 1455, o inventor alemão aperfeiçoou uma técnica com tipos metálicos em alto relevo e tinta que permitia produzir cerca de trezentas páginas por dia.
A primeira grande obra saída dali foi a Bíblia Sagrada, e o processo foi extenuante.
Segundo a revista da SBB — Sociedade Bíblica do Brasil —, Gutenberg trabalhou na impressão por quase três anos, de 1452 a 1455, com uma equipe de seis impressores, doze tipógrafos e mais vinte auxiliares.
Para as primeiras 30 Bíblias, foram necessárias as peles de 5.000 cabras.
Ao todo, cerca de 180 exemplares foram impressos.
Mesmo assim, o preço ainda era proibitivo.
Adquirir uma cópia custava o equivalente a quatro vezes o salário anual de um escriba.
Mas o preço foi caindo, os livros se multiplicando, e o conhecimento deixou de ser monopólio de poucos.
Foi essa expansão que esteve no centro do Renascimento, quando novas ideias e descobertas científicas passaram a circular com uma velocidade que o mundo nunca tinha visto.
Até hoje, a obra de Gutenberg é estrutural para o funcionamento da sociedade.
Sem ela, não existiria gráfico para comemorar.
Com os anos, os serviços de impressão ficaram mais modernos e rápidos, tornando o trabalho gráfico um instrumento de alta eficácia nas comunicações.
Por isso um jornal pode ser impresso à noite e chegar às bancas às seis da manhã — e para que isso aconteça, entram em cena profissionais de produção, pauta, reportagem, edição e diagramação, todos trabalhando com técnicas que evoluíram junto com a tecnologia, das imagens em alta resolução à edição digital, passando por banners e painéis fotográficos.
Dados da Associação Brasileira de Indústrias Gráficas mostram que o mercado cresceu muito nos últimos anos por conta dos avanços tecnológicos.
O número de profissionais gráficos no Brasil chegou a aproximadamente duzentos mil, concentrados principalmente no Paraná, no Rio de Janeiro e em São Paulo — nas demais capitais, o número ainda é bem menor.
Se você usou um material impresso hoje — e quase certamente usou —, já tem um motivo concreto para reconhecer esse profissional.
O setor segue expandindo, e o 7 de fevereiro existe para lembrar por que isso importa.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: