Você sabia que 7 de fevereiro é feriado no Distrito Federal? Pois é.
Desde 1998, a Lei Nº 2.087 instituiu o Dia do Trabalhador Gráfico — acompanhando o que já existia no Maranhão e em São Paulo com o "Dia do Gráfico".
Mas por que essa data?
Tudo começa com uma greve.
Em 7 de fevereiro de 1923, os operários da indústria gráfica paulista pararam.
O líder era João da Costa Pimenta, ativista e linotipista gráfico, que puxou o movimento exigindo aumento salarial e condições de trabalho melhores.
A greve durou 42 dias. E funcionou.
Os direitos conquistados naquele período acabaram beneficiando trabalhadores de todas as gráficas, não só as que pararam.
Dessa mobilização nasceu a UTG — União dos Trabalhadores Gráficos.
O profissional gráfico é quem cuida da produção e difusão de todo tipo de material impresso: informações, publicidade, papelaria, cartonagem, livros, convites, jornais, revistas.
Parece simples quando você vê o produto final, certo? Mas não se engane.
A cadeia é longa e envolve etapas bem distintas.
Johan Gutenberg, em 1455, mudou tudo.
Criou um sistema com tipos metálicos — letras em alto relevo — e tinta, aperfeiçoando a técnica de impressão de um jeito que ninguém tinha visto antes.
Antes dele, copiar um livro dependia de escribas fazendo tudo à mão. O custo era absurdo.
Ler era privilégio da elite e do clero.
Com a nova técnica, dava para imprimir cerca de trezentas páginas por dia.
A primeira grande impressão? A Bíblia Sagrada.
Esse feito permitiu que o conhecimento bíblico — e de outros livros que vieram depois — chegasse a muito mais gente.
Um marco na história da humanidade.
Porém, mesmo sendo "impressa", aquela Bíblia não era barata.
Calcula-se que um exemplar custava quatro vezes o salário anual de um escrivão de livros manuscritos.
O processo foi brutal: quase três anos de trabalho, de 1452 a 1455.
A equipe incluía, além de Gutenberg, 6 impressores, 12 tipógrafos e mais 20 auxiliares.
O material usado era pergaminho — para as 30 primeiras Bíblias, foram necessárias peles de 5.000 cabras.
No total, cerca de 180 Bíblias foram impressas.
Até então, a Bíblia era o livro mais caro do mundo justamente porque sua transcrição manual exigia o trabalho de muitas pessoas.
Ou seja, com a fabricação em massa de livros resistentes, o conhecimento se expandiu de verdade.
Isso esteve no cerne do Renascimento — novos ideais e descobertas científicas passaram a circular por toda parte com uma facilidade que simplesmente não existia antes.
Por isso, até hoje a obra de Gutenberg tem importância vital para o funcionamento da sociedade.
O trabalho do profissional gráfico já não se limita à impressão de documentos, cartazes, livros e outros materiais.
A revolução da informação trouxe as artes digitais gráficas, novos meios de comunicação visual, e fez surgir profissionais como o arte-finalista e o designer gráfico.
A gama de funções cresceu bastante.
Na prática, uma série de profissionais atua em três etapas:
Quando você entende o trabalho desses profissionais, percebe algo importante: sem eles, boa parte do que estrutura a vida em sociedade simplesmente não existiria.
Os serviços de impressão ficaram mais modernos e rápidos com o tempo.
Os afazeres gráficos se tornaram instrumentos de alta eficácia para o mundo das comunicações — a ponto de a sociedade moderna poder ver jornais impressos todas as noites, prontos para circular a partir das seis da manhã.
Mas para isso acontecer, é preciso uma cadeia inteira de profissionais: produção, elaboração de pautas, reportagem, edição, diagramação.
E as técnicas acompanharam a tecnologia — saíram da impressão exclusiva de textos para imagens de alta resolução, edição digital, banners e painéis fotográficos.
Uma transformação e tanto.
Segundo a Associação Brasileira de Indústrias Gráficas, o mercado gráfico no Brasil cresceu — e muito — impulsionado pelas novas tecnologias.
O número de profissionais chega a aproximadamente duzentos mil, concentrados principalmente no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
Nas demais capitais, o número ainda é bem menor.
Mas uma coisa é certa: o trabalho gráfico continua sendo essencial — e merece ser reconhecido.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: