Você sabia que todo 22 de outubro o Brasil celebra o Dia Nacional do Enólogo? A data pode parecer apenas mais uma no calendário, mas carrega uma história que diz muito sobre a cultura do vinho no país. A data já teve versões mais ambiciosas — um Projeto de Lei de 1983 tentou batizá-la como "Dia Nacional do Enólogo e Técnico em Viticultura e Enologia e do Vitivinicultor". O projeto foi arquivado em 1989, mas a comemoração seguiu firme por outros caminhos.
Em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul — que se autoproclama a "Capital Brasileira do Vinho" (e com razão) —, o Dia do Enólogo é oficial desde 1978, por força da Lei Nº 848. No âmbito estadual, o Rio Grande do Sul também reconhece a data como "Dia Estadual do Champanha e do Espumante Fino Brasileiro".
A ABE (Associação Brasileira de Enologia) sempre esteve à frente dessa celebração. O 22 de outubro não é uma data aleatória: marca a fundação da antiga ABTEV (Associação Brasileira de Técnicos em Enologia e Viticultura), criada em 1976. O objetivo da entidade? Promover a cultura vitivinícola e aproximar enólogos e consumidores de vinho no Brasil.
Coincidência ou não, foi também num 22 de outubro — só que de 1959 — que nasceu a Escola Agrotécnica Federal de Bento Gonçalves, uma das principais instituições que formam Técnicos em Enologia no país. Ou seja, o 22 de outubro tem mais peso do que parece.
O enólogo decide tudo sobre a produção do vinho — da análise do solo à técnica de colheita, passando pela vinificação e pelo momento certo de colocar o produto no mercado. E não para por aí: às vezes ainda vende e cuida do marketing.
Na prática, a maioria desses profissionais se forma em Agronomia e depois se especializa em enologia — faculdades que oferecem bacharelado na área ainda são raras no Brasil. A Universidade Federal do Pampa, em Dom Pedrito (RS), é uma das poucas com curso superior de Enologia. O currículo mistura disciplinas de base (botânica, microbiologia, climatologia) com matérias práticas como vinificação, marketing de vinhos e análise sensorial.
Por isso, vale olhar como a própria legislação enxerga esse profissional. O Projeto de Lei que tramitou na Câmara Federal resumia assim as atribuições do enólogo:
Confusão comum, mas na prática são coisas bem diferentes — e entender isso muda a forma como você olha para o mundo do vinho. A jornalista Emili Nitske Pereira explica a distinção de forma direta:
Para ser enófilo não precisa de curso nem de diploma. Basta gostar de um bom vinho — e, convenhamos, essa é a parte mais fácil.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: