22 de outubro. Uma data que quase ninguém fora do universo do vinho conhece — mas que tem história suficiente para justificar a comemoração.
Você sabe quem está por trás da garrafa que você abre no fim de semana?
O Dia do Enólogo existe desde a Lei Nº 848, de 1º de setembro de 1978, sancionada em Bento Gonçalves-RS, a Capital Brasileira do Vinho.
A lei criou não só a data municipal, mas também o Dia Nacional do Enólogo no Brasil.
Anos depois, em 29 de setembro de 1983, o Projeto de Lei Nº 2.274 propôs ampliar o título para "Dia Nacional do Enólogo e Técnico em Viticultura e Enologia e do Vitivinicultor" — proposta que acabou arquivada em 5 de maio de 1989.
A data não é arbitrária.
Ela marca a fundação da ABTEV, a Associação Brasileira de Técnicos em Enologia e Viticultura, criada em 22 de outubro de 1976 com o objetivo de promover a cultura vitivinícola e aproximar enólogos dos consumidores de vinho pelo Brasil.
Quem conduz a data até hoje é a ABE, a Associação Brasileira de Enologia.
E no mesmo dia, em 1959, foi fundada a Escola Agrotécnica Federal de Bento Gonçalves-RS — a instituição que forma Técnicos em Enologia no país.
O enólogo cuida de tudo.
Da análise do solo à decisão de quando a uva deve ser colhida; das técnicas de vinificação ao momento exato de lançar o vinho no mercado.
Por isso, dizer que o enólogo é o arquiteto do vinho não é exagero — ele responde pelo produto do começo ao fim.
A formação mais comum é Agronomia com especialização em enologia — ou seja, o caminho técnico ainda é a regra, porque cursos de bacharelado específicos são raros no Brasil.
A Universidade Federal do Pampa, em Dom Pedrito-RS, é um dos poucos exemplos — e oferece o curso superior de enologia com disciplinas de base como botânica, microbiologia e climatologia, além de práticas como vinificação, marketing de vinhos e análise sensorial.
O Projeto de Lei Nº 2.274 de 1983 listou as funções do enólogo com mais detalhe:
Nem sempre é fácil separar essas três figuras — mas as diferenças são claras.
Pensa assim: o enólogo faz o vinho, o sommelier o apresenta e o enófilo simplesmente o aprecia.
O enólogo é o profissional da produção: responsável por tudo que acontece desde o vinhedo até o vinho pronto para o mercado.
Já o sommelier domina o lado do serviço e do conhecimento sobre a bebida — características, harmonização, gestão da carta de bebidas, compra e recebimento de mercadorias.
Trabalha em restaurantes, bares e lojas.
O enófilo, porém, não produz nem vende: aprecia, anota os rótulos que prova, frequenta confrarias e encontros, mas não tem nenhuma responsabilidade sobre a elaboração do vinho.
Para ser enófilo não precisa de curso nenhum.
Basta gostar da bebida de Baco.
Então, se você ainda não sabe em qual dessas categorias se encaixa — talvez seja hora de abrir uma garrafa e descobrir.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: