Você sabe o que acontece todo dia 9 de março?
É a data que o mundo reservou pra celebrar o DJ — o profissional que faz a pista pulsar, o rádio funcionar e a festa acontecer.
A comemoração existe desde 2002 e já ganhou status oficial em vários cantos do Brasil: São Paulo tem o "Dia do DJ" municipal, o Rio de Janeiro reconhece o "Dia Estadual do DJ" (ou "Disco-Jóquei"), e tanto o Rio Grande do Sul quanto o estado de São Paulo têm suas próprias versões estaduais da homenagem.
Aqui vai uma confissão: mesmo depois de vasculhar projetos de lei — o PL Nº 102 da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o PL Nº 832 de 2014 da Assembleia de São Paulo, o PL Nº 2.032 de 2013 da Assembleia do Rio de Janeiro — não consegui descobrir por que exatamente o dia 9 de março foi escolhido.
Ninguém explica. Ou seja, o mistério continua.
Mas o que se sabe é que a iniciativa veio do World DJ Fund, em parceria com a Nordoff Robbins Music Therapy, uma organização inglesa que usa música pra tratar adultos e crianças doentes.
A celebração rola com eventos em Portugal, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e outros países.
Tem apoio de peso: MTV, Radio 1, Galaxy, Mixmag, DJ, Muzik, Hello, Face, FHM — além de DJs famosos do mundo inteiro, que costumam doar seus cachês do dia pra obras sociais voltadas a crianças carentes.
O site original do evento já saiu do ar faz tempo.
Mas sabe o que não saiu? O espírito da coisa.
Clubes, promotores, gravadoras e a comunidade de dança como um todo seguem contribuindo pra arrecadar fundos pra caridade.
DJ — disc jockey, disco-jóquei — é o artista que seleciona e toca composições previamente gravadas ou produzidas ao vivo, adaptando tudo pro público que está na frente.
Parece simples? Não é.
Pode ser no FM, numa pista de dança, num baile, clube, boate ou danceteria.
O termo nasceu pra descrever o locutor de rádio que introduzia e tocava discos de gramofone.
Depois veio o long play, o CD, o MP3. O nome encurtou pra DJ e ficou assim.
Mas nem todo DJ usa disco.
Tem quem toque com CD, quem use laptop emulando com softwares, quem mixe sons e vídeos ao mesmo tempo — os VJs.
A composição escolhida, o tipo de público, a lista de canções, o meio, a manipulação do som... tudo isso cria variações enormes.
Por isso existe uma gama enorme de denominações dentro da profissão.
Desde janeiro de 2013, o DJ consta no cadastro da CBO — Classificação Brasileira de Ocupações — do Ministério do Trabalho e Emprego.
Profissão reconhecida. Registro em carteira. Direitos trabalhistas garantidos por lei.
Finalmente.
Na prática, o trabalho envolve:
Desde os anos 1940, o DJ vem conquistando um papel de destaque na musicalidade — no Brasil e no mundo.
O trabalho vai muito além de selecionar faixas.
Envolve mixar características originais do fonograma (velocidade, equalização), adicionar efeitos digitais, misturar elementos de áudio e combiná-los com músicas existentes pra criar versões diferenciadas.
Participam de sessões de gravação em estúdio, interagem com técnicos de som, produtores musicais e intérpretes, criam e adicionam elementos e ritmos eletrônicos.
E hoje, criatividade e técnica sozinhas não bastam — por mais que a gente queira que fosse assim.
O DJ precisa conhecer a indústria fonográfica e suas burocracias pra garantir espaço no mercado.
Tem que pesquisar, se dedicar, dominar as ferramentas e buscar inovação o tempo todo.
Segundo os projetos de lei mencionados, o Brasil tinha entre 100.000 e 1 milhão de DJs em 2014.
Cerca de 30% estavam no estado de São Paulo.
Desse universo todo, apenas uns 50.000 trabalhavam de forma contínua, com subordinação e recebendo contraprestação.
Um contingente enorme de profissionais que movimentam a cultura, a economia e as pistas do país inteiro.
Por isso, da próxima vez que a música te pegar de jeito, lembra: tem um DJ por trás disso. E ele merece esse reconhecimento.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: