Dia do Vendedor de Livros 2026

Data Comemorativa
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Sobre Dia do Vendedor de Livros

O que um poeta consegue fazer com 24 anos?

Castro Alves teve tempo suficiente para escrever os versos mais incendiários contra a escravidão que o Brasil já produziu — e nada mais.

Por isso o 14 de março ficou marcado: é a data do seu nascimento, em 1847, na fazenda Cabaceiras, a 42 quilômetros da vila de Curralinho, hoje rebatizada com o próprio nome do poeta, no interior da Bahia.

A data ainda carrega mais dois registros no calendário brasileiro: o Dia do Vendedor de Livros e o Dia Nacional da Poesia.

No Rio de Janeiro, soma-se o Dia Estadual da Poesia e dos Poetas Populares.

Tudo extraoficial, tudo presente nos calendários de datas comemorativas do país — e cada um com uma história por trás.

Os vendedores

Há não muito tempo, o vendedor de livros era uma figura doméstica.

Chegava na porta, o cliente abria, oferecia assento no sofá e, quase sempre, um copo de suco.

Os catálogos iam sendo virados com calma — enciclopédias, dicionários — e a venda se fechava em promissórias, não em cartão de crédito.

A primeira parcela garantia a compra e ainda permitia ao vendedor retirar parte da comissão.

A internet substituiu esse ritual.

Leituras resumidas, buscas rápidas e compra com poucos cliques tornaram aquele modelo obsoleto.

O que ficou foi só a saudade de quem viveu essa época — e talvez a pergunta de se algo se perdeu junto com o sofá e o copo de suco.

Castro Alves

Filho de Antônio José Alves e Clélia Brasília Castro, perdeu a mãe em 1859.

O pai mantinha em casa uma atmosfera literária — os chamados oiteiros ou saraus, festas com música, poesia e declamação de versos.

Ou seja, cresceu respirando verso.

Aos 17 anos, Castro Alves já escrevia.

Em janeiro de 1862, o pai casou-se pela segunda vez com a viúva Maria Rosário Guimarães.

No dia seguinte ao casamento, temendo que o filho fosse acometido pelo "Mal do Século", embarcou Castro Alves e seu irmão Antônio José para Recife.

Em maio de 1863 tentou entrar na Faculdade de Direito do Recife e foi reprovado.

Mas foi no Recife que tudo mudou.

Tribuno e poeta requisitado nas sessões públicas da Faculdade, nas sociedades estudantis, nos teatros — recebia aplausos que iam num crescendo sem parar.

Era um rapaz de porte esbelto, tez pálida, olhos vivos, cabeleira negra e voz possante. Impressionava homens e arrebatava paixões nas mulheres.

Tinha 16 anos.

Ainda em 1863, chegou ao Teatro Santa Isabel a atriz portuguesa Eugénia Câmara, vinda ao Brasil com Furtado Coelho — ator, dramaturgo, compositor, pianista, poeta e empresário português.

Influência decisiva na vida do poeta.

No dia 17 de maio, Castro Alves publicou no primeiro número de "A Primavera" seu primeiro poema contra a escravidão: "A canção do africano".

A tuberculose já se manifestava — teve sua primeira hemoptise nesse mesmo ano.

Perdas e conquistas

Em 1864, seu irmão José Antônio suicidou-se em Curralinho, aparentemente sofrendo de distúrbios mentais desde a morte da mãe.

Castro Alves conseguiu a matrícula na Faculdade de Direito do Recife, viajou para a Bahia em outubro e só voltaria ao Recife em 18 de março de 1865, acompanhado do poeta Fagundes Varela.

Em agosto recitou "O Sábio" na Faculdade e se ligou a uma moça desconhecida, Idalina.

No dia 19, alistou-se no Batalhão Acadêmico de Voluntários para a Guerra do Paraguai.

Em dezembro, retornou a Salvador com Varela.

O pai morreu em 23 de janeiro de 1866.

Castro Alves voltou ao Recife para o segundo ano da faculdade e, junto com Rui Barbosa e outros colegas, fundou uma sociedade abolicionista.

Também em 1866 tornou-se amante de Eugénia Câmara — e daí veio a fase de produção mais intensa da sua vida, dividida entre duas grandes causas: a abolição da escravatura e a república.

Data desse ano o término do seu drama "Gonzaga, ou a Revolução de Minas", encenado na Bahia e depois em São Paulo.

Em maio, partiu para Salvador com Eugénia.

Na estreia, em 7 de setembro, no Teatro São João, foi coroado e conduzido em triunfo.

Rio e São Paulo

Em janeiro de 1868, embarcou com Eugénia para o Rio de Janeiro.

Foi recebido por José de Alencar e visitado por Machado de Assis — que tinha recebido carta de recomendação de Alencar indicando o jovem poeta com as seguintes palavras: "Seja o Virgílio do jovem Dante, conduza-o pelos ínvios caminhos por onde se vai à decepção, à indiferença e finalmente à glória, que são os três círculos máximos da divina comédia do talento." A imprensa publicaria mais tarde a troca de cartas entre os dois, com grandes elogios ao poeta.

Em março, viajou com Eugénia para São Paulo, matriculou-se no terceiro ano de Direito e continuou produzindo.

Poemas líricos e heroicos publicados em jornais, recitados em festas literárias, com repercussão que nenhum outro da sua geração conseguiu alcançar.

Tinha 21 anos.

Sua geração incluía Fagundes Varela, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Afonso Pena, Rodrigues Alves, Bias Fortes, Martim Cabral, Salvador de Mendonça — nenhum disputou com ele a primazia.

Rui Barbosa disse que ele possuía "uma voz dessas que fazem pensar no glorioso arauto de Agamenon, imortalizado por Homero, Taltibios, semelhante aos deuses pela voz".

O médico e ensaísta Antônio Constâncio Alves afirmou que ele dizia "a magnificência de versos que até então ninguém dissera, numa voz que nunca se ouvira".

Euclides da Cunha registrou que ele pregava o advento de uma "era nova".

Em 7 de setembro de 1868, apresentou publicamente "Tragédia no Mar" — o poema que depois ganharia o nome de "O Navio Negreiro".

Em outubro, a peça "Gonzaga" foi reapresentada no Teatro São José, musicada pelo compositor mineiro Emílio do Lago, então residente em São Paulo.

Em 28 de agosto, havia rompido com Eugénia Câmara.

Meses depois, aprovado nos exames da Faculdade, um tiro acidental no pé durante uma caçada na várzea do Brás trouxe longa enfermidade e cirurgias.

O fim se aproxima

Em março de 1869, tentou retomar o curso matriculando-se no quarto ano de Direito.

Porém, em maio, com o estado piorando, decidiu viajar para o Rio de Janeiro para salvar a vida — mas com o martírio de uma amputação.

Em junho, os cirurgiões Andrade Pertence e Mateus de Andrade, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, realizaram a amputação.

O poeta que havia arrebatado plateias inteiras com a voz agora lutava para não perder a perna. Tinha 22 anos.

Perguntas Frequentes

Dia do Vendedor de Livros em 2026 foi em 14 de Março de 2026 (Sábado) e já passou. A próxima Dia do Vendedor de Livros será em 14 de Março de 2027 (Domingo).

Dia do Vendedor de Livros é data comemorativa no Brasil.

O que um poeta consegue fazer com 24 anos? Castro Alves teve tempo suficiente para escrever os versos mais incendiários contra a escravidão que o Brasil já produziu — e nada mais.

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