O primeiro culto protestante no Brasil 2026

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Sobre O primeiro culto protestante no Brasil

Você já ouviu falar do dia 10 de março?

Essa data virou comemoração oficial em Pernambuco como Dia do Missionário Evangélico, criada pela Lei Nº 13.794 de 2009.

A Igreja Presbiteriana do Brasil celebra como "Dia do 1º Culto Protestante no Brasil", e o Rio de Janeiro oficializou como "Dia Estadual da Consciência Evangélica".

Mas o que aconteceu nesse dia?

Em 10 de março de 1557, numa pequena colônia francesa chamada "França Antártica", na baía da Guanabara — onde hoje fica o Rio de Janeiro — o pastor suíço Pierre Richier conduziu o que é considerado o primeiro culto protestante nas Américas.

Richier tinha sido enviado pelo próprio João Calvino.

No culto, cantou-se o Salmo 5 no estilo genebrino, e o sermão foi baseado no Salmo 27, versículo 4.

A colônia francesa

Depois do descobrimento, Portugal demorou a ocupar de verdade o território brasileiro.

A experiência das capitanias hereditárias não funcionou bem, e as incursões estrangeiras eram constantes.

Mesmo com a chegada do primeiro governador-geral, Tomé de Souza, em 1549, instalado na atual Salvador-BA, o controle da imensa costa brasileira continuava precário.

Foi aí que entra Nicolas Durand de Villegaignon — militar, aventureiro e com planos ambiciosos.

Ele resolveu fundar uma colônia numa região que os franceses já conheciam bem: a baía de Guanabara.

Villegaignon fez uma viagem secreta de pesquisa até Cabo Frio no verão de 1554 e depois procurou o vice-almirante Gaspard de Coligny, um dos principais conselheiros do reino da França, que simpatizava com o movimento da Reforma religiosa.

O apoio veio.

Henrique II de França cedeu dois navios aparelhados e alguns recursos — poucos, na verdade.

Tanto que, na falta de voluntários, Villegaignon percorreu as prisões do Norte da França prometendo liberdade a quem se juntasse à expedição.

Chegada à Guanabara

A expedição chegou na baía em 10 de novembro de 1555.

Os índios tupinambás receberam bem os franceses — já estavam acostumados com eles por ali.

O grupo se instalou na pequena ilha de Serigipe, depois chamada de Villegaignon, onde construíram o Forte Coligny em cerca de três meses, com ajuda dos indígenas.

Cinco baterias de canhões apontadas para o mar.

Mas a convivência azedou.

Os indígenas cansaram dos presentes e do excesso de trabalho — ou seja, os franceses fugiam das tarefas mais pesadas e empurravam tudo para eles.

Com a colônia em dificuldades, Villegaignon escreveu à Igreja Reformada de Genebra pedindo pastores e colonos evangélicos que pudessem elevar o nível moral e espiritual do lugar.

Os huguenotes

Coligny convidou para liderar o grupo um ex-vizinho seu, Filipe de Corguilleray, conhecido como senhor Du Pont.

Calvino e seus colegas escolheram dois pastores suíços para acompanhar os colonos: Pierre Richier, um homem maduro de uns 50 anos, e Guillaume Chartier, jovem de uns 30, ainda estudante de teologia.

Com eles foram os huguenotes suíços e franceses Pierre Bourdon, Matthieu Verneil, Jean du Bourdel, André Lafon, Nicolas Denis, Jean Gardien, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques Rousseau, além do sapateiro francês radicado na Suíça, Jean de Léry — o cronista da viagem, que escreveria a obra Viagem à Terra do Brasil (publicada em 1578).

Ao todo, 14 pessoas.

Saíram de Genebra em 16 de setembro de 1556. Visitaram o almirante Coligny, seguiram para Paris, onde outros se juntaram ao grupo.

É possível que entre eles estivesse o ferreiro huguenote e ministro calvinista Jacques Le Balleur.

A travessia

Em 19 de novembro de 1556, embarcaram no porto de Honfleur, na Normandia.

A frota de três navios, comandada por Bois Le Conte, sobrinho de Villegaignon, levava cerca de 290 pessoas — inclusive algumas mulheres, entre elas cinco moças que iam se casar no Brasil.

A viagem foi penosa — para dizer o mínimo.

Não conseguiram se abastecer nas Ilhas Canárias e tiveram que assaltar navios portugueses e espanhóis para obter água e provisões.

Racionamento, indisciplina a bordo. Imagine a cena.

Num momento crítico, os reformados recitaram o Salmo 107 (versículos 23-30).

Em 7 de março de 1557, finalmente entraram no "braço de mar" chamado Guanabara pelos indígenas e Rio de Janeiro pelos portugueses.

O culto

O desembarque no Forte Coligny aconteceu em 10 de março.

Villegaignon recebeu o grupo com alegria — os recém-chegados vinham para estabelecer uma igreja reformada na nova terra.

Logo em seguida, reunidos numa pequena sala no centro da ilha, realizaram um culto de ação de graças.

O primeiro culto protestante no Novo Mundo.

O ministro Richier abriu o culto com uma oração.

Depois, cantaram juntos, no costume de Genebra, o Salmo 5: "Dá ouvidos, Senhor, às minhas palavras".

Esse hino consta do Saltério Huguenote, com metrificação de Clement Marot e melodia de Louis Bourgeois, diretor de música da Igreja de Genebra de 1545 a 1557 e um dos grandes mestres da música francesa no século 16.

A versão mais conhecida em português — "À minha voz, ó Deus, atende" — tem música de Claude Goudimel (1572) e metrificação do pastor congregacional brasileiro, Reverendo Manoel da Silveira Porto Filho.

Richier então pregou com base no Salmo 27:4: "Uma coisa peço ao Senhor e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo".

Depois do culto

A primeira refeição brasileira dos huguenotes: farinha de mandioca, peixe moqueado e raízes assadas no borralho — aquelas cinzas quentes que ficam no fogão de lenha depois de apagado o fogo.

Dormiram em redes, à maneira indígena.

A primeira Santa Ceia segundo o rito reformado foi celebrada no domingo, 21 de março de 1557.

O fim da convivência

A boa convivência não durou.

E aqui a história toma um rumo sombrio: Villegaignon começou a perseguir os colonos huguenotes por questões teológicas, incitado pelo ex-frade dominicano Jean de Cointac.

Quando o navio Les Jacques partiu rumo à França, os colonos expulsos decidiram voltar para casa.

Mas Villegaignon não se contentou em expulsá-los.

Enviou instruções secretas para serem entregues ao primeiro juiz em solo francês, pedindo que "se executassem os huguenotes como traidores e hereges".

A história desse primeiro culto protestante no Brasil, como se vê, não terminou em paz — mas o que começou naquele 10 de março de 1557 marcou para sempre a presença evangélica no país.

Perguntas Frequentes

O primeiro culto protestante no Brasil em 2026 foi em 10 de Março de 2026 (Terça-feira) e já passou. A próxima O primeiro culto protestante no Brasil será em 10 de Março de 2027 (Quarta-feira).

O primeiro culto protestante no Brasil é data comemorativa no Brasil.

Você já ouviu falar do dia 10 de março? Essa data virou comemoração oficial em Pernambuco como Dia do Missionário Evangélico, criada pela Lei Nº 13.794 de 2009.

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