"Senhor Watson, venha aqui, que eu preciso de você." Em 10 de março de 1876, essa frase marcou a primeira chamada telefônica bem-sucedida registrada na história.
Por isso, todo 10 de março aparece nos calendários brasileiros como o Dia do Telefone — uma data extraoficial, mas com história de sobra pra sustentar.
Mas você sabe quem deveria realmente ser celebrado nessa data?
Antonio Meucci era um imigrante italiano que vivia nos Estados Unidos.
Em 1856, ele construiu um telefone e chamou a invenção de telettrofono.
O motivo era prático: sua esposa sofria de reumatismo e ele precisava conectar o escritório ao quarto dela, no segundo andar, sem obrigá-la a se levantar.
Mas Meucci era pobre.
Conseguiu pagar apenas uma patente provisória e acabou vendendo o protótipo a Alexander Graham Bell.
Em 1876, Bell patenteou o telefone como se fosse criação sua. Meucci processou o escocês, porém morreu antes do julgamento terminar.
O caso foi encerrado, e Bell saiu da história como o pai do telefone.
Por isso, durante décadas, Graham Bell foi o nome que todo mundo aprendeu na escola.
Só em 11 de junho de 2002 o Congresso americano aprovou a Resolução 269, reconhecendo oficialmente Antonio Meucci como o verdadeiro inventor.
Postumamente.
Como costuma acontecer com quem tem genialidade de sobra — mas não tem dinheiro para proteger o próprio trabalho.
O telefone chegou ao Brasil rápido — e pela porta da frente.
Dom Pedro II estava na Filadélfia para a Exposição Centenária, que comemorava os 100 anos de independência americana.
Bell também estava por lá, tentando mostrar o invento a quem quisesse ver.
O imperador não só viu o aparelho — participou da demonstração ao vivo.
Os dois foram para um campo aberto, com 150 metros de distância entre eles.
Bell falou pelo telefone um verso de Shakespeare:
"Ser ou não ser?"Dom Pedro II respondeu do outro lado:
"Meu Deus, isto fala!"O Brasil tinha acabado de conhecer o telefone — e o imperador foi o primeiro brasileiro a usá-lo.
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