Você sabia que o Dia do Acupunturista nasceu de uma batalha?
Em 23 de março de 1995, cerca de 400 representantes de escolas brasileiras de acupuntura se reuniram na Câmara Municipal de São Paulo para o 1º Congresso da CONAT — a Confederação Nacional de Acupuntura e Terapias Afins.
Além dos debates técnicos e das articulações de categoria, o encontro serviu para arrecadar fundos para a Campanha de Regulamentação da atividade de acupunturista no Brasil.
A data não ficou esquecida.
Em 1997, a Câmara Municipal paulistana a transformou em data comemorativa pela Lei Nº 12.487; o Estado de São Paulo seguiu com a Lei Nº 10.410 em 1999; o Espírito Santo adotou a data em 2010 pela Lei Nº 9.548.
Assim o 23 de março passou a ser o Dia do Acupunturista — e também de massoterapeutas, profissionais em terapias naturais e naturólogos, entre outras profissões afins.
A campanha que nasceu naquele congresso de 1995 ganhou urgência poucos meses depois.
Em agosto do mesmo ano, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução CFM Nº 1.455, reconhecendo a acupuntura como especialidade médica.
Na prática, isso jogava na ilegalidade os cerca de 20 mil acupunturistas não-médicos que exerciam a atividade no Brasil — aproximadamente 70% deles sem formação universitária.
A resolução foi revogada em 2002, depois modificada mais três vezes nos anos seguintes.
Porém todas mantiveram o mesmo ponto central: a acupuntura reconhecida como especialidade médica no Brasil.
Ou seja, a disputa nunca saiu de cena de verdade.
Do latim acus (agulha) e punctura (colocação).
Em chinês, a palavra é Zhen Jiú — Zhen, agulha; Jiú, fogo. Pense bem: agulha e calor.
Dois elementos simples que atravessaram milênios sem precisar de atualização.
Ramo da medicina tradicional chinesa, a acupuntura é classificada pela OMS como método de tratamento complementar no Ocidente.
O tratamento parte de um diagnóstico baseado nos ensinamentos clássicos da Medicina Tradicional Chinesa e aplica agulhas em pontos específicos do corpo — os acupontos —, distribuídos sobre linhas chamadas meridianos ou canais.
Os efeitos variam. Cada caso é um caso.
Além das agulhas, o acupunturista pode recorrer à moxabustão (aplicação de calor sobre acupontos ou meridianos), à auriculoterapia e à eletroacupuntura.
O leque vai bem além do que a maioria imagina.
Os acupontos e meridianos podem ser estimulados com os dedos (do in), moedas, pentes de osso ou jade (gua sha), ventosas (ventosaterapia), massagens (tui na) e sangria, entre outras técnicas.
Por seu histórico milenar, a acupuntura deu origem a escolas específicas em países próximos da China.
O shiatsu, espécie de massagem japonesa, é o exemplo mais conhecido — mas está longe de ser o único.
Mais recentemente, surgiram técnicas voltadas para os chamados microssistemas do corpo.
Com o tempo, a prática foi incorporando tecnologia: eletroacupuntura, ryodoraku, moxa elétrica, cristais stiper (Estimulação Permanente), ventosas plásticas e acrílicas com válvulas de pressão, ventosas de borracha, esferas banhadas a ouro e a prata, de quartzo e de vidro.
Mas tudo isso é acessório.
A acupuntura de hoje é a mesma dos primórdios da civilização chinesa — o mesmo raciocínio, os mesmos mapas de meridianos, os mesmos conceitos.
Sem nenhuma preocupação com explicações científicas para os fenômenos verificados. Nunca houve. E sabe o que é curioso?
Isso nunca impediu nada.
Os conceitos soam estranhos ao Ocidente: os 5 elementos ou wu xing (madeira, fogo, terra, metal e água), o tao — equilíbrio entre yin e yang, as duas forças opostas e complementares presentes em todas as coisas —, o fluxo de chi (traduzido a grosso modo como energia vital), o xué (sangue), o zang (órgão) e o fu (víscera).
Os mapas de meridianos atravessaram milênios quase intocados.
Em 2010, a UNESCO declarou a acupuntura Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade.
Por isso, se você já considerou experimentar ou já faz acupuntura, saiba que está participando de algo que a humanidade decidiu preservar para sempre.
Isso não é pouco.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: