22 de março. Você sabe o que essa data tem de especial? O Paraná a transformou em comemoração oficial em 2005.
O Rio de Janeiro já tinha feito o mesmo em 2003.
Os dois estados seguem o "Dia Mundial da Água" — o World Day for Water —, que no Brasil também atende pelo nome de "Dia Nacional da Água".
Tudo isso tem raiz comum: a Agenda 21, documento nascido na ECO-92 — a grande conferência da ONU sobre meio ambiente, realizada em 1992 no Rio de Janeiro.
É lá, no capítulo 18, que estão as orientações específicas sobre água.
No Paraná, a data tem consequência prática: as escolas do estado precisam incluir o tema água nos programas, com lições sobre a importância de preservar os mananciais.
A ONU, por sua vez, convida os estados-membros a dedicar o dia a ações concretas, de acordo com o contexto de cada país — conscientizar o público por meio de reportagens, organizar conferências, mesas redondas, seminários e exposições sobre o aproveitamento dos recursos hídricos e as recomendações do Programa 21.
H2O.
Dois átomos de hidrogênio, um de oxigênio.
A fórmula é simples, mas o que essa molécula faz no planeta é tudo menos trivial.
A água é abundante no Universo e, na Terra, cobre grande parte da superfície — sendo também o maior constituinte dos fluidos dos seres vivos.
As temperaturas do planeta permitem sua ocorrência nos três estados físicos ao mesmo tempo.
Em pequenas quantidades, a água líquida parece incolor, mas em grandes volumes ganha uma coloração azulada.
São esses oceanos, rios e lagos que cobrem quase três quartos da superfície da Terra. Nas regiões polares concentram-se as massas de gelo.
O vapor, por sua vez, compõe parte da atmosfera.
O que torna a água peculiar vai além do que os olhos veem.
Ela dissolve praticamente tudo — daí o apelido de solvente universal —, mas ignora completamente graxas e óleos.
Tem dilatação anômala e alto calor específico, propriedades que parecem técnicas mas foram decisivas para o surgimento da vida nos oceanos primitivos.
Praticamente todos os seres vivos dependem da água para sobreviver.
O problema é que a maior parte dessa água não serve para nós.
Os oceanos cobrem quase três quartos da Terra — e têm água salgada demais para o consumo humano.
Só uma pequena fração da água disponível nos continentes tem baixa concentração de sais dissolvidos — a água doce.
E mesmo essa não está distribuída de forma uniforme pelo planeta.
Por isso diversas regiões sofrem com escassez hídrica.
As atividades humanas, principalmente a agricultura, retiram grandes volumes de água do leito natural dos rios — o que tem afetado a distribuição da água doce nos continentes e também na forma de água subterrânea.
A poluição hídrica compromete a qualidade da água, prejudica a biodiversidade e ameaça o abastecimento e a produção de alimentos.
Além disso, uma parcela considerável da população mundial ainda não tem acesso à água potável, o que tem causado sérios problemas de saúde.
A água está tão ligada ao modo de vida da humanidade que faz parte da cultura de todos os povos da Terra.
Diante dos problemas gerados pelo mau uso dos recursos hídricos, surgiu a consciência de que é preciso utilizá-la de forma racional.
Por isso o Dia Mundial da Água existe — para transformar essa consciência em ação concreta.
De onde vem a água que você bebe?
A resposta começa logo após o Big Bang.
Os primeiros átomos de hidrogênio — o elemento mais simples do Universo — se formaram e se espalharam pelo cosmos primordial.
Milhões de anos depois, nuvens desse elemento colapsaram gravitacionalmente.
Conforme os corpos agregavam massa, o núcleo ficava cada vez mais quente e submetido a pressões cada vez maiores, até que os núcleos atômicos se fundissem, liberando enorme quantidade de energia — e nasciam as primeiras estrelas.
A fusão nuclear em estrelas cada vez maiores criou núcleos atômicos progressivamente mais pesados, entre eles o oxigênio.
Ao fim de sua existência, cada estrela ejeta esses novos elementos no espaço.
Por isso a água é comum no meio interestelar — no estágio atual de evolução do Universo, hidrogênio e oxigênio estão entre os elementos mais abundantes.
Ou seja, quando olhamos para o céu, estamos olhando para um universo cheio de água.
Acredita-se, porém, que grãos de poeira no espaço facilitam a ligação entre esses átomos e aceleram o processo.
Os oceanos formam uma massa de água líquida que ocupa 71% da superfície do planeta, com espessura média de 3,7 quilômetros.
Embora divididos em Pacífico, Atlântico, Índico e Ártico, são comumente tratados como um único oceano global — todos conectados entre si.
Eles se dividem em duas camadas.
A superficial, com apenas cem metros de espessura, é onde a luz solar penetra, com grande dinamismo.
As águas profundas permanecem em frio constante e escuridão, com temperatura praticamente uniforme em toda a extensão.
Menos de 3% da água da Terra está fora dos oceanos.
Essa fração, com concentrações muito menores de sais minerais, é a água doce — mas a maior parte dela está imobilizada em geleiras continentais e calotas polares.
Groenlândia e Antártida juntas têm mais de 99% de todo o volume de gelo do planeta.
Apenas 0,65% da água terrestre está sobre os continentes, na forma de rios, lagos e água subterrânea.
Cursos d'água menores nascem em altitudes elevadas, fluem para regiões mais baixas e ganham volume ao se juntar com afluentes, formando rios que, na maioria das vezes, desaguam no oceano.
Pelo caminho, carregam sedimentos, matéria orgânica e sais dissolvidos até o mar.
Lagos cobrem 1,8% da área dos continentes e não são necessariamente de água doce.
Lagos artificiais surgem do represamento de rios para diversas finalidades — principalmente geração de energia elétrica.
Boa parte da água da Terra ainda está sob o solo, na forma de água subterrânea.
A água circula pela atmosfera e pela litosfera por meio de um ciclo hidrológico.
A radiação solar sobre os oceanos fornece energia suficiente para a evaporação — o vapor passa a fazer parte da atmosfera e circula com os ventos dominantes.
Ao atingir camadas mais frias, se condensa e forma nuvens: aglomerações de gotículas de água líquida ou mesmo gelo.
O vento transporta essas nuvens para outras regiões, onde, sob certas condições, ocorre precipitação na forma de chuva, granizo ou neve.
Essa precipitação pode cair sobre geleiras — onde é incorporada às massas de gelo existentes —, sobre os oceanos ou sobre os continentes.
No caso dos continentes, a água escoa pelo solo, abastecendo rios e lagos, ou se infiltra para as camadas inferiores, onde constitui as águas subterrâneas que normalmente emergem à superfície como pontos de descarga de aquíferos.
Os fluxos de água líquida seguem em direção ao oceano.
Mas parte da água sobre os continentes ainda sofre o processo de evapotranspiração, causado
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