No dia 24 de abril, armênios de todo o mundo param.
Em 1915, nessa data, líderes políticos e intelectuais armênios foram presos — e depois assassinados.
A data é lembrada todo ano por comunidades armênias ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde Paraná e São Paulo a reconhecem oficialmente, além de outras cidades.
O genocídio foi idealizado pelo Comitê Central do Partido dos Jovens Turcos e executado por uma organização chamada "Teshkilati Mahsusa", criada pelo Comitê de União e Progresso, o "ve Ittihad Terakki Cemiyet".
A estratégia passou pela formação de "batalhões especiais de carrascos" — criminosos violentos tirados da prisão para esse fim.
Ou seja, o Estado recrutou assassinos profissionais.
Esses batalhões foram responsáveis pelo extermínio de cerca de 1 milhão e meio de pessoas.
Tudo começou com 250 detenções.
Os armênios foram desarmados dentro do próprio exército e transferidos para batalhões de trabalho forçado, onde foram mortos.
Depois, as famílias nas cidades receberam ordens — com a garantia de que seriam apenas realocadas.
Não foram.
Foram forçadas a marchar para campos de concentração no deserto entre Jerablus e Deir ez-Zor.
Durante o trajeto, comida e água lhes eram negadas com frequência, e muitos foram brutalizados e mortos pelos "guardas" ou por saqueadores.
Quem chegou ao destino morreu de fome e sede sob o sol do deserto. A promessa de realocação era só o pretexto para tirá-los das cidades.
A marcha era a execução.
Nem todos aderiram.
Alguns funcionários otomanos se recusaram a participar — e pagaram o preço.
O governador de Alepo, Celal, e o de Ancara, Mazhar, foram demitidos por não apoiar o extermínio, assim como o de Kastamonu, Reshid.
Cidadãos turcos que tentaram proteger armênios também foram mortos.
Por isso, resistir ao genocídio não era só uma questão moral — exigia coragem de verdade.
Mais de 20 países — entre eles França, Itália e Rússia — reconhecem o genocídio armênio, assim como a maior parte dos historiadores.
A Turquia, porém, mantém posição diferente: o que houve, segundo o governo turco, foi uma guerra civil agravada pela fome, na qual morreram entre 300 mil e 500 mil armênios e turcos.
Mas a história dificilmente muda de lado por pressão diplomática.
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