Você conhece o significado de 24 de abril? Para a maioria das pessoas, é uma data comum.
Para os armênios, é o dia mais sombrio da história do seu povo.
O Estado de São Paulo reconheceu isso e oficializou a data como Dia da Solidariedade para com o Povo Armênio, pela Lei 6.468 de 19 de maio de 1989.
A data ganhou ainda mais peso com o "Dia do Reconhecimento e Lembrança às Vítimas do Genocídio do Povo Armênio" — em sintonia com o que armênios de todo o mundo chamam de Dia de Recordação do Genocídio Armênio.
A escolha de 24 de abril não é arbitrária.
Ela marca a prisão e o posterior assassinato de líderes políticos e intelectuais armênios, ocorridos nessa mesma data em 1915 — o estopim do genocídio que se seguiu.
O plano foi idealizado pelo Comitê Central do Partido dos Jovens Turcos e executado pela "Teshkilati Mahsusa" — pense nisso como uma força-tarefa criada especificamente para matar.
Para isso, foram formados os chamados "Batalhões Especiais de Carrascos" — compostos por criminosos violentos libertados das prisões especificamente para matar.
Não é metáfora. É o que aconteceu.
Tudo começou com 250 prisões na Turquia.
Os armênios foram desarmados do exército e transferidos para batalhões de trabalho forçado, onde muitos já morreram.
Por isso, quando as famílias em suas casas foram intimadas com uma justificativa distorcida — seriam apenas "transferidas" —, não tinham mais ninguém para defendê-las.
Não foram.
Foram obrigadas a marchar até campos de concentração no deserto, entre Jerablus e Deir ez-Zor. Sem comida nem água, sob o sol implacável.
Muitos foram brutalizados e mortos pelos próprios guardas ou por saqueadores ao longo do caminho. Os que chegaram morreram de fome e sede.
Ao todo, cerca de 1 milhão e meio de pessoas foram exterminadas. Um e meio milhão de vidas.
Deixa isso assentar.
A repressão foi tão sistemática que quem resistiu pagou caro.
O governador de Alepo, Celal, o de Ancara, Mazhar, e o de Kastamonu, Reshid, foram demitidos por não apoiar a campanha.
Cidadãos turcos que protegeram armênios também terminaram mortos.
Ou seja: não havia saída.
Vários historiadores e mais de 20 países — entre eles França, Itália e Rússia — reconhecem o genocídio.
A Turquia, porém, sustenta oficialmente que o que aconteceu foi uma guerra civil agravada pela fome, com mortes estimadas entre 300.000 e 500.000 armênios e outros tantos turcos.
Então o que fazemos com isso? No mínimo, lembramos.
Cada 24 de abril é uma oportunidade de recusar o esquecimento — e entender por que o reconhecimento histórico ainda importa.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: