Você sabia que uma criança africana morre de malária a cada 30 segundos?
Esse número, por si só, já justifica a existência de uma data dedicada ao combate dessa doença — mas o caminho até ela foi longo.
O Dia Mundial da Malária é celebrado em 25 de abril.
A data foi oficializada em maio de 2007, durante a 60ª sessão da Assembleia Mundial da Saúde (OMS). O objetivo?
Direto: educar, informar e acelerar estratégias nacionais de controle da doença — da prevenção ao tratamento, com ações de base comunitária nas áreas mais afetadas.
Antes de virar data global, a comemoração nasceu como "Dia Africano da Malária", instituída em 2000.
Chefes de Estado e representantes de 44 países africanos se reuniram na 1ª Convenção Sobre a Malária, em Abuja, então capital da Nigéria.
Ali, firmaram um compromisso político contra as consequências devastadoras de uma doença evitável — causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada do mosquito Anopheles.
Os números são brutais.
Perto de um milhão de pessoas morrem por ano — na grande maioria, crianças.
Cerca de 3,3 bilhões de pessoas vivem vulneráveis ao contágio em 106 países.
Só em 2012, foram 627.000 mortes estimadas, principalmente entre crianças africanas. É muita gente.
É muita vida perdida.
Foi em 6 de novembro de 1880 que alguém detectou, pela primeira vez, parasitas no sangue de pacientes com malária.
Esse marco acabou dando origem ao "Dia da Malária nas Américas".
O responsável foi o médico francês Charles Louis Alphonse Lavéran, que mais tarde receberia o Prêmio Nobel de Medicina de 1907 por suas pesquisas sobre doenças causadas por protozoários.
Lavéran era médico do exército francês, assim como seu pai.
Foi justamente a carreira militar que o levou à África, então colônia francesa.
E foi numa dessas viagens que ele teve o primeiro contato com a doença que mudaria para sempre sua relação com a medicina.
Naquela época, ninguém entendia quase nada sobre malária.
Dois motivos o colocaram na pista certa: as queixas dos habitantes locais sobre surtos febris repentinos e graves, além das amostras de sangue dessas pessoas, nas quais ele notou grânulos negros.
Em 1879, Lavéran se mudou para a Argélia.
Queria testar o método de diagnóstico usado na época — laboratoristas examinavam o sangue a olho nu, procurando partículas negras que pudessem indicar infecção.
O problema? Ninguém sabia se outras doenças provocavam o mesmo efeito. Lavéran quis tirar a prova.
E aí veio a surpresa.
Ao colocar pela primeira vez o sangue de um doente sob um microscópio, Lavéran viu algo inesperado: ao lado dos grãos negros, apareceram microrganismos com núcleos que se mexiam sem parar.
Na hora, ele percebeu que aqueles micróbios é que causavam a doença — e não as bactérias às quais se atribuía a infecção na época.
Quatro anos depois, na Itália, confirmou a hipótese. A malária tinha finalmente um rosto — e era microscópico.
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