Você sabia que existe um dia dedicado à amizade no calendário internacional? E que a história por trás dele tem raízes no Brasil?
O Dia Mundial da Amizade, celebrado em 1º de março, nasceu em 2005 por iniciativa de integrantes da FFI (Força Internacional da Amizade, ou Friendship Force International). A data começou como "Dia da Amizade em todo o Mundo". Em 2008, ganhou até uma Proclamação do Senado dos Estados Unidos.
Mas por que 1º de março?
Porque foi exatamente nesse dia, em 1977, que o presidente Jimmy Carter lançou oficialmente a Força Internacional da Amizade. A reunião aconteceu na Casa Branca, com governadores de estado, e colocou em prática uma ideia que já vinha germinando desde 1973.
O idealizador foi Wayne Smith, um ministro presbiteriano norte-americano que tinha sido missionário no Brasil. Smith imaginou algo simples, porém ambicioso: um programa de intercâmbio cultural onde cidadãos de diferentes países se visitariam e ficariam hospedados nas casas uns dos outros. Nada de hotéis. Nada de turismo convencional. Pessoas comuns abrindo suas portas para estrangeiros.
Smith apresentou a ideia a Jimmy Carter quando este ainda era governador da Geórgia, em Atlanta. Carter e Rosalynn, sua esposa, não apenas gostaram — compraram o projeto de vez. A primeira troca foi organizada com um avião fretado levando 200 georgianos para o Brasil — Rosalynn Carter incluída no grupo. Na volta, 200 brasileiros fizeram a viagem inversa e foram hospedados na própria mansão do governador.
E deu certo.
O modelo inicial envolvia grupos grandes, de 150 a 400 cidadãos, chamados de "embaixadores da amizade". Eles viajavam em aviões fretados até uma cidade parceira, enquanto um grupo do mesmo tamanho fazia o caminho inverso — por isso o termo "Troca", que é usado até hoje nos programas da FFI. Os visitantes ficavam uma semana na casa de famílias voluntárias, compartilhando refeições, rotina e experiências do dia a dia.
A primeira experiência oficial da FFI como organização permanente reuniu 762 embaixadores numa troca simultânea entre Newcastle-upon-Tyne, na Inglaterra, e Atlanta, nos Estados Unidos. Nos cinco primeiros anos, o programa realizava algumas grandes trocas bidirecionais por ano.
Em 1982, o formato mudou. Os fretamentos deram lugar a passagens em companhias aéreas regulares, e as trocas passaram a ser unidirecionais. Os grupos encolheram — primeiro para 40 a 80 pessoas, depois para 20 a 25. O resultado? Uma expansão enorme. Em vez de poucas trocas grandes por ano, o programa passou a realizar entre 250 e 300 trocas menores.
A fórmula básica continua a mesma desde 1977: embaixadores visitantes passam uma semana na casa de uma família anfitriã. Ou seja, embora cada troca agora funcione em apenas uma direção, os participantes desenvolvem um entendimento compartilhado das suas culturas — o intercâmbio cultural acontece de verdade. Em muitos casos, as amizades formadas durante uma troca duram anos, com visitas de acompanhamento que vão além dos programas oficiais da FFI.
Graças à semente plantada por Wayne Smith e ao apoio de Jimmy Carter, a Força Internacional da Amizade realiza hoje quase 400 programas de intercâmbio por ano, em 390 comunidades de 70 países. A organização foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 1992, pelo trabalho de aproximação entre os povos dos Estados Unidos e da ex-URSS durante os últimos anos da Guerra Fria.
A FFI oferece algo que o turismo tradicional não consegue entregar. Por meio do Programa de Hospitalidade Doméstica (Signature Program of Home Hospitality), cada anfitrião local recebe visitantes internacionais em sua casa. Refeições, conversas, os melhores pontos da região — tudo é compartilhado de verdade. Com voluntários em 63 países, os programas reúnem pessoas de culturas completamente diferentes — nas casas uns dos outros — para viver experiências que simplesmente não estão disponíveis para turistas comuns.
A lógica é simples: quando estranhos se tornam amigos, a paz deixa de ser utopia.
Os membros da FFI são pessoas comuns — como você — que viajam ou hospedam em nome da amizade global. Por que participar? Aqui vão 10 boas razões:
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