1º de março de 1962. São Paulo. Um telefone toca pela primeira vez num serviço que ainda não tinha nome reconhecido.
Era o primeiro plantão do CVV — Centro de Valorização da Vida. Daquele dia em diante, a prevenção do suicídio no Brasil tomou outro rumo.
Mas quantas pessoas, hoje, sabem o que aconteceu nessa data?
São Paulo oficializou a data pela Lei Nº 13.918 de 2004 — ratificada em 2007.
Um reconhecimento formal para um trabalho que, na prática, já existia há anos: voluntário, gratuito, aberto a qualquer pessoa que precisasse conversar.
A ideia veio de fora — e de um episódio que choca até hoje.
Na Inglaterra, em 1953, o Reverendo Chad Varah fundou os Samaritanos Internacionais depois de um caso que o marcou profundamente: uma menina de 14 anos que tirou a própria vida após ter a primeira menstruação.
Sem ninguém para conversar, ela acreditou que o sangramento era sintoma de uma doença grave.
Uma morte que poderia ter sido evitada com uma conversa.
O trabalho dos Samaritanos influenciou diretamente a criação do CVV no Brasil.
A proposta nunca mudou.
Qualquer pessoa pode entrar em contato com o CVV — de graça, com total sigilo, a qualquer hora.
O atendimento é feito por voluntários que se revezam 24 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados, pelos seguintes canais: telefone 141 (para todo o Brasil), e-mail, chat, Skype e atendimento presencial nos postos.
O CVV foi, aliás, a primeira entidade do gênero no mundo a prestar atendimento via chat.
Pioneirismo que passou despercebido de muita gente.
Em 1977, o serviço começou a expandir para além de São Paulo.
Hoje são cerca de 70 postos distribuídos por quase todas as capitais e por diversas cidades do interior, com aproximadamente 2.000 voluntários em atividade — duas mil pessoas que escolheram, voluntariamente, estar do outro lado da linha quando alguém mais precisa.
O Ministério da Saúde trata o suicídio como problema de saúde pública.
Os números explicam por quê: uma pessoa morre por hora no Brasil por essa causa, e outras três tentam sem sucesso no mesmo intervalo.
Ou seja, a mortalidade é só uma parte do tamanho real do problema.
O resto a gente raramente vê.
Mas o suicídio pode ser prevenido na grande maioria dos casos — e a prevenção começa com informação.
Quando a população, os profissionais de saúde, os jornalistas e os governantes têm dados suficientes sobre o tema, as medidas adequadas ficam ao alcance de mais gente.
Por isso o CVV não apenas atende: estimula a discussão aberta sobre o tema desde a sua fundação.
Se você quiser conversar — sobre qualquer coisa — o número é 141. Gratuito, sigiloso, 24 horas.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: