Você sabia que o segundo domingo de junho é o Dia do Pastor Evangélico em alguns estados brasileiros?
A data é móvel — pode cair entre 8 e 14 de junho, dependendo do calendário gregoriano daquele ano.
A comemoração é móvel — pode cair entre 8 e 14 de junho, dependendo do calendário gregoriano daquele ano.
A data é oficializada por lei em três lugares:
Cada unidade federativa tem sua própria legislação sobre o tema — algumas com mais de uma lei regulamentando a celebração.
O Rio de Janeiro, aliás, já teve outra data para homenagear os pastores evangélicos: 31 de outubro.
Mas essa versão anterior foi extinta e substituída pelo segundo domingo de junho.
Por que 31 de outubro?
Porque essa é a data da Reforma Protestante — o Reformationstag.
Em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano e teólogo alemão Martinho Lutero fixou as chamadas "95 Teses" na porta da Igreja do Castelo (Schlosskirche) em Wittenberg, na Saxônia.
O gesto deu início à grande cisão com a Igreja Católica Apostólica Romana.
E, por consequência, ao surgimento das igrejas evangélicas espalhadas hoje por praticamente todo o mundo.
Mas o ato de Lutero, a princípio, não teria sido provocação.
A porta da igreja ficava na rua principal de Wittenberg e funcionava como um quadro de avisos públicos — o lugar lógico para se publicar qualquer notícia relevante.
As teses, além disso, foram escritas em latim, a língua oficial da Igreja Católica na época, e não em alemão.
Porém, o conteúdo gerou uma controvérsia dura entre Lutero e os aliados do Papa.
A disputa envolvia várias doutrinas e práticas — da venda de indulgências à autoridade papal.
Quando Lutero e seus seguidores foram excomungados em 1520, nasceu a tradição luterana.
Para a igreja Luterana, essa data é um feriado menor, oficialmente chamado de Festival da Reforma.
Até o século XX, as igrejas luteranas celebravam rigorosamente no dia 31 de outubro, sem importar o dia da semana.
Hoje, a maioria das igrejas protestantes desloca a celebração para o domingo mais próximo — e às vezes para 1º de novembro, o Dia de Todos os Santos, preservando tradições católicas no processo.
Os sabatistas são a exceção: costumam manter a data no dia 31 ou deslocar para o sábado.
A cor litúrgica do dia é o vermelho, que remete ao Espírito Santo e aos mártires da Igreja Cristã.
O hino "Castelo Forte é Nosso Deus" (Ein feste Burg ist unser Gott), de Lutero, é tradicionalmente cantado com todos de pé — em memória ao seu uso nas guerras religiosas do século XVI.
Há também a tradição de alunos de igrejas protestantes encenarem passagens da vida de Lutero.
E aqui começa a parte mais difícil de rastrear — e, confesso, a mais curiosa.
Li a íntegra e a justificação do Projeto de Lei Nº 282 de 2012 da Assembleia Legislativa do Paraná.
Nada.
Li também o Projeto de Lei Nº 1.640 de 2004 da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro — que, até onde consegui apurar, resultou na mais antiga oficialização estadual do Dia do Pastor Evangélico no segundo domingo de junho.
O que o legislador carioca cita é que o segundo domingo de junho já era tradicionalmente festejado como "Dia do Pastor" por várias igrejas evangélicas do estado.
Ou seja, a lei veio formalizar algo que já existia na prática.
Pesquisando mais a fundo, encontrei que a cidade de Niterói-RJ instituiu o Dia do Pastor Evangélico no segundo domingo de junho pela Resolução Nº 1.313 de 1984, confirmada pela Lei Nº 565 de 1985.
Essa é a referência mais antiga que localizei até agora. Por que os niteroienses escolheram exatamente essa data móvel?
Ainda não encontrei uma resposta definitiva — mas se você souber, me conta.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: