Você sabia que São Paulo tem uma lei específica pra isso? A Semana da Mulher Progressista vai de 2 a 8 de março.
Foi criada pela Lei Nº 12.792 de 17 de fevereiro de 1999 e ratificada pela Lei Nº 14485 de 19 de julho de 2007, em apoio ao Dia Internacional das Mulheres.
Mas de onde veio essa data?
A versão mais difundida durante décadas dizia que tudo começou em 8 de março de 1907, no 50º aniversário de uma tragédia nos Estados Unidos.
Um suposto ataque incendiário da polícia — a serviço dos patrões — contra mulheres grevistas em 1857.
Essas operárias reivindicavam salários iguais aos dos homens e redução de jornadas que chegavam a 16 horas, pedindo que fossem cortadas para 10 horas diárias.
Teriam morrido 129 operárias na fábrica têxtil Cotton, em Nova York.
Só que essa versão tem problemas sérios.
E a verdade é bem diferente.
Em 16 de fevereiro de 1984, a pesquisadora canadense Renée Côté publicou o livro O Dia Internacional das Mulheres — Os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas.
O trabalho foi ignorado por mais alguns anos, mas trouxe uma reconstrução bem diferente.
Segundo Côté, o prelúdio de um dia dedicado às mulheres nasceu em 1908, quando o Partido Socialista dos Estados Unidos criou um Comitê Nacional da Mulher para fazer campanha pelo sufrágio.
Em 8 de março de 1908, a Sociedade de Mulheres Democráticas Sociais de Nova York realizou uma marcha de protestos.
Mas como as pessoas não podiam se dar ao luxo de perder um dia útil de trabalho, os congressistas estadunidenses declararam o último domingo de fevereiro como "Dia Nacional da Mulher".
A primeira celebração aconteceu em 23 de fevereiro de 1909 — com o objetivo de unir setores da população em torno de objetivos comuns.
A partir dessa comemoração norte-americana, a socialista alemã Clara Zetkin passou a lutar por um Dia Internacional das Mulheres desde 1910, ainda sem data fixa.
A sugestão foi feita durante um encontro internacional de mulheres em preparação para a assembleia geral da Associação da Segunda Internacional de Homens Trabalhadores, realizada em Copenhague, capital da Dinamarca, em agosto de 1910.
Essa entidade tinha sido fundada em 14 de julho de 1889, num aniversário da Queda da Bastilha, e reunia partidos socialistas, sindicatos e clubes políticos — num tempo em que a esquerda priorizava a jornada de 8 horas e limites para o trabalho feminino e infantil.
O primeiro dia festivo dedicado às mulheres europeias foi celebrado em 18 de março de 1911, nos 40 anos da Comuna de Paris.
Pelo menos 300 manifestações aconteceram no Império Austro-Húngaro e em outras partes do continente.
Com algumas exceções por conta da guerra, essa dinâmica seguiu até 1918.
Foi quando o 8 de março começou a ser adotado, inicialmente de forma informal, como data internacional entre os socialistas.
O motivo: uma passeata de grevistas bolcheviques — na grande maioria mulheres — em São Petersburgo (ou Petrogrado), liderada pela feminista Alexandra Kollontai.
Feministas russas já celebravam um dia dedicado às mulheres no último domingo de fevereiro desde pelo menos 1913, inspiradas pelas norte-americanas.
Em 1917, a passeata foi reprimida pelo czar com inúmeros mortos, marcando o início da Revolução de Fevereiro — o 8 de março no calendário gregoriano equivale a 23 de fevereiro no juliano.
Os desdobramentos dessa revolução contribuíram para a queda do czar Nicolau II, que abdicou pouco depois, até 12 de março no calendário gregoriano (27 de fevereiro no juliano).
Por insistência de Clara Zetkin, em 1922 o Dia Internacional das Mulheres virou feriado oficial dos comunistas, por deliberação de Lenin.
Ficou assim — exclusivamente comunista — até por volta de 1967.
Mas o que mudou, afinal?
Filhas de comunistas na Universidade de Illinois, em Chicago, lembravam ter ouvido dos pais sobre o feriado.
Ou seja, a memória familiar virou semente de um movimento maior.
E foi assim que nasceu a celebração como conhecemos hoje — com um novo senso de consciência feminina e um novo significado para o feminismo internacional.
Por volta de 1955, como parte de uma campanha anticomunista, começou a circular a história do incêndio fictício de 1857 em Nova York.
O objetivo era internacionalizar a data e tirar dela o peso comunista.
A história provavelmente se baseou num incêndio real — e esse, sim, aconteceu.
Em 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica têxtil da Triangle Shirtwaist Company, em Nova York, matou pelo menos 146 trabalhadores.
A maioria? Mulheres imigrantes, de 13 a 23 anos.
O enterro foi acompanhado por mais de cem mil pessoas e deu início ao movimento trabalhista nos Estados Unidos.
O acidente aconteceu quando um trabalhador acendeu um cigarro perto de um monte de tecidos.
As chamas se espalharam rápido.
As portas das escadas de incêndio estavam trancadas por fora — para evitar que os funcionários saíssem mais cedo.
As jornadas eram exageradamente longas. As condições de trabalho? Muito mais escravizantes do que qualquer coisa que a gente conheça hoje.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: