Entre 25 e 31 de março, a Paraíba coloca o tema das crianças desaparecidas em evidência.
A data foi instituída pela Lei Nº 9.510, de 14 de novembro de 2011, em apoio à Semana de Mobilização Nacional para Busca e Defesa da Criança Desaparecida — uma mobilização que tem paralelo também na Semana Estadual de Mobilização do Mato Grosso e no Dia da Busca e da Defesa da Criança Desaparecida em São Paulo.
A lei paraibana determina que a semana inclua audiências públicas e seminários, além da divulgação de fotos recentes e dos locais de desaparecimentos de crianças em todos os meios de comunicação do estado.
A data não é aleatória.
O dia 31 de março marca a fundação da ABCD — Associação Brasileira de Busca e Defesa da Criança Desaparecida — criada em 1995 e hoje conhecida em todo o país como "Mães da Sé".
A associação atua em conformidade com o ECA, a Lei Federal Nº 8.069 de 13 de julho de 1990, e se tornou referência nacional na localização e reintegração familiar de crianças e adolescentes desaparecidos em São Paulo.
Parcerias com a iniciativa privada, ações preventivas junto à sociedade e divulgação massiva de fotos de crianças desaparecidas estão entre os pilares desse trabalho.
A ABCD nasceu de uma coincidência.
Ivanise Esperidião da Silva e Vera Lúcia Gonçalves, duas mães de crianças desaparecidas, se conheceram em janeiro de 1996 quando um grupo de mães paulistas foi convidado a participar das gravações da novela Explode Coração, de Glória Perez, na TV Globo.
A novela levou para o horário nobre o drama de famílias de pessoas desaparecidas — e gerou uma campanha nacional que resultou na localização de 113 pessoas desaparecidas, entre crianças, adolescentes e adultos.
Durante as gravações no Rio de Janeiro, Ivanise e Vera conheceram dois grupos que já atuavam em outras regiões do Brasil: as "Mães da Cinelândia", no Rio de Janeiro, e o "Movimento Nacional em Defesa das Crianças Desaparecidas", no Paraná.
Estimuladas pelo trabalho desses grupos, decidiram criar algo semelhante em São Paulo.
Poucos meses depois de criada, a ABCD começou a ganhar visibilidade na mídia.
Empresas contagiadas pelo enredo da novela passaram a apoiar a causa.
Mas o que acabou definindo a identidade da associação foi um movimento que se tornou permanente: a cada segundo domingo do mês, um grupo de mães leva cartazes com fotos de seus filhos desaparecidos para a Praça da Sé, no centro de São Paulo — sempre com a esperança de que alguém de passagem possa trazer alguma notícia.
Esses encontros são, na prática, um protesto silencioso contra a ineficiência do Estado.
Por isso o nome "Mães da Sé", uma referência direta às "Madres de Plaza de Mayo" da Argentina.
Com a articulação de Ivanise, a associação foi ganhando estrutura aos poucos.
No início dos anos 2000, a ABCD organizou uma coordenadoria jurídica e uma divisão de apoio psicológico, passando a oferecer esses serviços aos associados.
Com o tempo, o foco também se ampliou: o que antes atendia apenas casos de crianças desaparecidas em São Paulo hoje abrange familiares e amigos de pessoas desaparecidas em todo o Brasil, independentemente da faixa etária.
Em mais de 18 anos de existência, a ABCD cadastrou mais de 9.000 casos.
Desse total, cerca de 27% — ou 2.937 casos — foram solucionados.
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