Você sabe por que o 12 de maio é tão importante para a saúde no Brasil?
Nessa data, celebramos o Dia do Enfermeiro — e a história por trás dessa homenagem é mais forte do que você imagina.
A data tem conexão direta com o Dia Internacional dos Enfermeiros (International Nurses Day), mas a versão brasileira veio antes — foi instituída pelo Decreto Nº 2.956, de 10 de agosto de 1938.
O decreto determinou que hospitais e escolas de enfermagem de todo o país prestassem homenagens à memória de Ana Neri (Ana Justina Ferreira Neri).
É também nessa data que começa a Semana da Enfermagem no Brasil.
Ana Neri se destacou como enfermeira voluntária durante a Guerra do Paraguai (ou Guerra da Tríplice Aliança), com um trabalho que marcou a história da saúde no país.
Viúva do capitão-de-fragata Isidoro Antônio Néri, ela viu filhos e irmão serem convocados para o conflito. Não ficou parada.
Fez o que qualquer mãe determinada faria: foi direto ao presidente da Província da Bahia e pediu autorização para acompanhar seus filhos — ou, no mínimo, prestar serviços voluntários nos hospitais do Rio Grande do Sul.
E conseguiu.
Em agosto de 1865, embarcou de Salvador com a tropa do 10º Batalhão de Voluntários da Pátria, na qualidade de enfermeira voluntária.
Durante toda a campanha, prestou serviços ininterruptos nos hospitais militares de Salto, Corrientes, Humaitá e Assunção, além de hospitais da frente de operações.
Agora imagina o cenário: cólera, febre tifoide, disenteria, malária, varíola.
As doenças dominantes da época transformavam os hospitais em verdadeiros campos de batalha paralelos.
Ana Neri organizou hospitais de campanha e enfrentou esse caos de frente.
A primeira enfermaria que ela montou foi bancada do próprio bolso, dentro da sua casa, em Assunção, capital paraguaia.
Ela organizou as tarefas com método, buscando eficácia — mas sem nunca perder a humanidade.
Cuidava indistintamente dos combatentes da Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) e dos soldados paraguaios.
Impôs condições mínimas de higiene para conter a propagação de doenças e tratar feridas.
Os recursos da época incluíam iodo, cloreto de potássio, água fenicada, cauterização e beberagens de plantas medicinais.
Ana Neri é considerada a primeira pessoa brasileira não religiosa a se dedicar aos cuidados de saúde de uma comunidade.
Ou seja, a primeira enfermeira do Brasil. E isso não é pouco.
Por isso, recebeu a Medalha Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de 1ª classe, além de uma pensão vitalícia concedida pelo imperador Dom Pedro II.
A data internacional foi estabelecida em 1974 pelo ICN (Conselho Internacional dos Enfermeiros — International Council of Nurses) para marcar o aniversário de nascimento de Florence Nightingale, enfermeira e estatística inglesa nascida na Itália em 12 de maio de 1820.
Florence é considerada a fundadora da enfermagem moderna.
Mas foi durante a Guerra da Crimeia que Florence ganhou notoriedade de verdade — atendendo soldados feridos e ganhando o apelido de "a Dama da Lâmpada" (The Lady with the Lamp), pelo hábito de fazer rondas noturnas.
Aos 35 anos, Florence contraiu uma doença paralisante que a manteve praticamente acamada pelos cerca de 50 anos restantes de sua vida.
Quando recebia pessoas importantes — gente que vinha pedir conselhos ou homenageá-la —, ela exigia luzes baixas no quarto e aceitava apenas um visitante por vez.
Mesmo assim, fundou a primeira escola de enfermagem de que se tem notícia na história mundial.
Também é creditada a ela a inspiração para que o banqueiro e filantropo suíço Jean Henry Dunant criasse a Cruz Vermelha (Red Cross), instituição humanitária voltada a prevenir e aliviar o sofrimento humano em tempos de guerra, sem discriminação de nacionalidade, raça, credo religioso, orientação sexual, classe ou opinião política.
Florence passou 35 anos — 35 anos — lutando por justiça para os soldados doentes da Guerra da Crimeia.
E o legado prático que ela deixou é impressionante.
Entre as contribuições concretas: a instalação do primeiro elevador em hospitais — para que o transporte de macas não agravasse os ferimentos de soldados queimados e quebrados pela guerra — e a criação de um posto central de enfermagem em cada andar, com cabos ligados a sinos que pacientes puxavam quando precisavam de ajuda (hoje substituídos por campainhas e equipamentos do gênero).
Quem conta essa história é o médico canadense Byron Marshall Hyde, especializado em encefalomielite miálgica, num livro dedicado ao tema.
A história de Florence também inspirou Tom Hennessy (Thomas Michael Hennessy Jr.), executivo norte-americano de publicidade e vendas que era paciente de Doença Neurológica Crônica e Imunológica.
Em 1992, ele iniciou o Dia Internacional de Conscientização sobre Doenças Neurológicas Crônicas e Imunológicas — o CIND (International Awareness Day for Chronic Immunological and Neurological Diseases), também conhecido como Dia Mundial da Fibromialgia e da Síndrome de Fadiga Crônica (World Day of Fibromyalgia and Chronic Fatigue Syndrome).
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: