Dia do Cuidador de Idosos 2026

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Sobre Dia do Cuidador de Idosos

Você sabia que o Ceará tem um dia dedicado ao cuidador de idosos? Pois é.

Em 27 de setembro, o estado celebra essa data, criada pela Lei Nº 15.239, de 2012, em homenagem a um sujeito que morreu em 1660, em Paris — São Vicente de Paula.

Mas o que um santo francês do século XVII tem a ver com o cuidado de idosos no Ceará?

Ele foi sepultado na capela-mãe da Igreja de São Lázaro, na mesma cidade.

Mas quem foi esse sujeito cuja memória inspirou uma lei estadual quase quatro séculos depois?

O começo

Vicente de Paula nasceu em 24 de abril de 1581, numa terça-feira de Páscoa.

Sacerdote francês, canonizado em 1737 pelo Papa Clemente XII, ele se tornaria um dos grandes nomes da Reforma Católica na França.

Mas o caminho até esse reconhecimento foi tudo, menos tranquilo.

Desde cedo, Vicente chamava atenção pela inteligência e pela devoção.

Fez os primeiros estudos em Dax, na França, e em quatro anos já era professor no local.

Isso abriu caminho para concluir teologia na Universidade de Toulouse.

Em 23 de setembro de 1600, aos dezenove anos, foi ordenado sacerdote.

Piratas e escravidão

Logo depois da ordenação, veio a primeira reviravolta.

Uma viúva que gostava de ouvir suas pregações — e sabia que ele era pobre — deixou para Vicente sua herança: uma pequena propriedade e uma quantia em dinheiro, guardada com um comerciante em Marselha.

Ou seja, ele precisaria viajar para buscar o que era seu.

E foi aí que tudo mudou.

Em 1605, na viagem de volta de Marselha, o navio em que Vicente se encontrava foi atacado por piratas turcos.

Ele sobreviveu — mas a liberdade, não. Os turcos o levaram para Túnis e o venderam como escravo.

Imagine: um padre recém-ordenado, vendido de mão em mão. Primeiro para um pescador, depois para um químico.

Quando o químico morreu, o sobrinho herdou Vicente como se fosse um objeto — e o revendeu para um fazendeiro renegado, um ex-católico que tinha aderido ao islamismo por medo de ele mesmo acabar escravizado.

O fazendeiro renegado tinha três esposas.

Uma delas, turca, ouviu os cânticos de Vicente e quis saber o que significavam.

Quando descobriu que o marido havia abandonado o catolicismo, censurou-o por ter largado uma religião que, para ela, parecia tão bonita.

O fazendeiro se arrependeu da abjuração e propôs a Vicente uma fuga para a França.

A fuga só aconteceu dez meses depois, já em 1607.

Atravessaram o Mediterrâneo numa pequena embarcação e conseguiram chegar à costa francesa.

De Aigues-Mortes, seguiram para Avinhão, onde encontraram o Vice-Legado do Papa. Vicente voltou à condição de padre.

O renegado abjurou publicamente do islamismo e retornou à Igreja Católica.

Roma e o rei

Os dois passaram a viver com o Vice-Legado.

Quando este precisou viajar a Roma, levou Vicente e o renegado consigo.

Na cidade italiana, Padre Vicente frequentou a universidade e se formou em Direito Canônico.

O renegado foi admitido em um mosteiro, onde se tornou monge.

Ainda em Roma, o Papa precisou enviar um documento sigiloso ao rei francês Henrique IV — e escolheu Padre Vicente como fiel depositário.

Pela presteza, o rei o nomeou Capelão da rainha Margarida de Valois, a rainha Margot.

No cargo, Vicente distribuía esmolas aos pobres e visitava enfermos no hospital de caridade em nome da rainha.

A missão com os pobres

A partir de 1610, após o assassinato de Henrique IV, Padre Vicente passou um ano na Sociedade do Oratório, fundada pelo Cardeal Pierre de Bérulle.

Mais tarde, Bérulle foi nomeado Bispo de Paris e indicou Vicente como vigário de Clichy, então um subúrbio parisiense.

Ali, Vicente fundou a Confraria do Rosário e visitava os doentes todos os dias.

A pedido de Bérulle, foi para o Palácio dos Gondi como preceptor dos filhos do general das galés.

E ali descobriu algo que mudaria sua trajetória.

Naquele período, a Marinha francesa estava em plena expansão — e a 'solução' encontrada para a falta de remadores era brutal: condenar pessoas às galés por delitos comuns.

Vicente se jogou nessa causa, lutando por mais dignidade para os prisioneiros, que viviam em condições sub-humanas.

Chegou a se colocar no lugar de um prisioneiro para libertá-lo.

As propriedades da família Gondi eram enormes.

Padre Vicente acompanhava a senhora de Gondi em visitas às famílias que moravam nessas terras — e percebeu como era necessária a confissão daquele povo.

Na missa dominical, fazia sessões de confissão comunitária.

Conseguiu a adesão de outros padres para ajudar, porque a demanda pelo sacramento era grande.

Por cinco anos, Padre Vicente esteve nas terras dos Gondi.

Depois foi a Paris e, mais tarde, a pedido de Bérulle, voltou à casa da família, onde permaneceu por mais oito anos.

Congregação da Missão

A piedade de Padre Vicente levou-o ao cargo de Capelão Geral e Real da França.

Diante do abandono espiritual dos camponeses franceses, ele fundou em 1625 a Congregação da Missão — os Padres Lazaristas —, cuja missão era evangelizar o "pobre povo do interior" da França.

Porém, só sete anos depois, pela Bula Papal de 12 de janeiro de 1633, o Papa Urbano VIII reconheceu oficialmente a congregação.

Em 1643, o rei Luís XIII pediu para ser assistido em seu leito de morte por Padre Vicente.

Morreu em seus braços.

Depois disso, a regente Ana d'Áustria — de quem Vicente era confessor — o nomeou para o Conselho de Consciência, responsável por assuntos eclesiásticos da Regência.

Caridade organizada

A partir de um apelo feito por Padre Vicente durante um sermão em Châtillon, nasceu o movimento das Senhoras Damas da Caridade, a Confraria da Caridade.

A primeira irmã foi a camponesa francesa Margarida Nasseau, que contou com a orientação espiritual de Santa Luísa de Marillac.

Mais tarde, foi estabelecida a Confraria das Irmãs da Caridade, atuais Filhas da Caridade.

De apenas quatro irmãs nos primeiros tempos, a Confraria cresceu para centenas.

Vicente também organizou retiros espirituais para leigos e sacerdotes, por meio das famosas Conferências das Terças-Feiras, a Confraria de Caridade para homens.

O legado

O que moveu Vicente de Paula a vida inteira?

O amor a Deus e aos pobres. Simples assim. Ele criou inúmeras obras de caridade e dedicou cada dia à doação.

Muitos acreditam que sua maior virtude era a caridade — mas quem olha mais de perto percebe que a humildade suplantava tudo.

Vicente sempre buscava o bem da Igreja Católica.

Foi pai dos pobres e reformador do clero.

Para se ter uma ideia do alcance: foram inspiradas por ele a Associação dos Filhos de Maria, hoje Juventude Mariana Vicentina, criada a pedido da Virgem Maria durante uma aparição a Santa Catarina Labouré na noite de 18 de julho de 1830, e as Conferências Vicentinas, fundadas em 23 de abril de 1833 por Antônio Frederico Ozanam e seus companheiros.

Hoje, espalhadas pelo mundo inteiro, essas e muitas outras obras seguem vivas — alimentadas pelos exemplos e ensinamentos de um padre que foi escravo, capelão de rainhas, pai dos pobres e, acima de tudo, um homem que nunca parou de servir.

Por isso, em 1885, o Papa Leão XIII fez o que parecia inevitável: declarou Vicente "patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica".

Um título à altura de uma vida inteira dedicada aos que mais precisavam.

Perguntas Frequentes

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Dia do Cuidador de Idosos é data comemorativa no Brasil.

Você sabia que o Ceará tem um dia dedicado ao cuidador de idosos? Pois é. Em 27 de setembro, o estado celebra essa data, criada pela Lei Nº 15.239, de 2012, em homenagem a um sujeito que morreu em 1660, em Paris — São Vicente de Paula.

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