Dia Nacional dos Vicentinos 2026

Data Comemorativa
Próximo Dia Nacional dos Vicentinos 27 de Setembro de 2026 | Domingo
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Sobre Dia Nacional dos Vicentinos

27 de setembro.

Todo ano, nessa data, o Brasil para para homenagear uma figura que poucos conhecem de verdade — e que, quando conhecem, não esquecem mais.

O Dia Nacional dos Vicentinos foi criado pela Lei Nº 11.536, de 30 de outubro de 2007.

O Ceará vai além: a data é também o "Dia Estadual dos Vicentinos e da Sociedade de São Vicente de Paulo".

Mas quem foi esse homem que inspira leis, datas comemorativas e obras espalhadas pelo mundo inteiro?

Tudo em louvor a São Vicente de Paula, que morreu exatamente em 27 de setembro de 1660, em Paris, e foi sepultado na capela-mãe da Igreja de São Lázaro.

Quem foi Vicente

Vicente de Paula foi um sacerdote francês, nascido em 24 de abril de 1581 — uma terça-feira de Páscoa.

Não era nobre nem rico. Não tinha padrinho poderoso.

Era filho de camponeses do sudoeste da França e, ainda assim, se tornou um dos grandes protagonistas da Reforma Católica na França do século XVII.

Desde cedo, se destacou pela inteligência e pela devoção.

Fez os primeiros estudos em Dax, virou professor em apenas 4 anos e concluiu teologia na Universidade de Toulouse.

Aos dezenove anos, já era sacerdote.

A vida seguia bem — até que a primeira prova chegou.

Uma viúva que gostava de ouvir suas pregações, sabendo que ele era pobre, deixou-lhe sua herança: uma pequena propriedade e uma quantia em dinheiro guardada com um comerciante em Marselha.

Em 1605, durante o retorno dessa viagem, o navio em que Vicente se encontrava foi atacado por piratas turcos.

Escravo em Túnis

Ele sobreviveu ao ataque, mas foi levado como prisioneiro para Túnis.

Lá, foi vendido como escravo — primeiro para um pescador, depois para um químico.

Com a morte do químico, seu sobrinho herdou Vicente e o vendeu para um fazendeiro renegado: um homem que antes era católico mas, com medo da escravidão, adotara o islamismo.

Esse fazendeiro tinha três esposas.

Uma delas, turca, ouviu Vicente cantar e quis saber o que aquelas músicas significavam.

Ao conhecer a história da relação do marido com a fé católica, ela o censurou por ter abandonado uma religião que, para ela, parecia tão bonita.

O patrão se arrependeu — e propôs a fuga para a França.

Dez meses depois, em 1607, os dois atravessaram o Mediterrâneo numa pequena embarcação e chegaram à costa francesa.

De Volta à Europa

De Aigues-Mortes, foram a Avinhão, onde encontraram o Vice-Legado do Papa.

Vicente voltou ao sacerdócio. O fazendeiro renegado abjurou publicamente o islamismo e retornou à Igreja Católica.

Os dois ficaram com o Vice-Legado — e quando ele precisou viajar para Roma, levou ambos.

Em Roma, Vicente frequentou a universidade e se formou em Direito Canônico.

O fazendeiro foi admitido em um mosteiro, onde se tornou monge.

Por conta de um encargo cumprido com presteza — levar pessoalmente um documento sigiloso do Papa ao rei Henrique IV da França —, o rei nomeou-o Capelão da Rainha Margarida de Valois, a rainha Margot.

No cargo, distribuía esmolas aos pobres e visitava enfermos no hospital de caridade em nome da rainha.

Entre Cortes e Pobres

A partir de 1610, após o assassinato de Henrique IV, Vicente passou um ano na Sociedade do Oratório, fundada pelo Cardeal Pierre de Bérulle.

Mais tarde, Bérulle — já como Bispo de Paris — o indicou como vigário de Clichy, então um subúrbio parisiense.

Ali, Vicente fundou a Confraria do Rosário e visitava os doentes todos os dias.

Porém, a pedido do próprio Bérulle, partiu para residir no Palácio dos Gondi e se tornou preceptor dos filhos do general das galés.

A Marinha francesa crescia, e a solução para a falta de remadores era brutal: condenar às galés qualquer pessoa por delitos comuns.

Roubar um pão e passar anos acorrentado num navio.

Vicente não se contentou em rezar por eles — chegou ao ponto de se colocar no lugar de um deles para libertá-lo.

Além disso, acompanhava a senhora de Gondi em visitas às famílias nas vastas propriedades da família.

Foi nesse contato que percebeu a carência espiritual daquele povo.

Criou sessões de confissão comunitária nas missas dominicais e convocou outros padres para ajudar, porque eram muitos os que queriam o sacramento.

Ficou cinco anos nas terras dos Gondi, foi a Paris, e depois retornou — a pedido da família — por mais oito anos.

As Obras que Fundou

A piedade heroica de Vicente lhe conferiu o cargo de Capelão Geral e Real da França.

Mas foi o que ele fez fora dos palácios que marcou a história.

Em 1625, vendo o abandono espiritual dos camponeses franceses, fundou a Congregação da Missão — os Padres Lazaristas, cuja missão era evangelizar o "pobre povo do interior".

O Papa Urbano VIII reconheceu oficialmente a congregação por Bula Papal de 12 de janeiro de 1633, ou seja, apenas 7 anos depois.

Rápido, para os trâmites do Vaticano.

Em 1643, Luís XIII pediu para ser assistido por Vicente em seu leito de morte e morreu nos seus braços.

Depois disso, a regente Ana d'Áustria — de quem Vicente era confessor — nomeou-o para o Conselho de Consciência, responsável pelos assuntos eclesiásticos da regência.

Foi também durante um sermão em Châtillon que nasceu o movimento das Senhoras Damas da Caridade, a Confraria da Caridade.

A primeira irmã foi a camponesa francesa Margarida Nasseau, que contou com a orientação espiritual de Santa Luísa de Marillac.

Desse começo surgiu a Confraria das Irmãs da Caridade, hoje conhecidas como Filhas da Caridade — de 4 irmãs nos primeiros tempos para centenas delas espalhadas pelo mundo.

Vicente também organizou retiros espirituais para leigos e sacerdotes através das Conferências das Terças-Feiras, a Confraria de Caridade para homens.

O Legado Vicentino

Inspirado pelo amor a Deus e aos pobres, Vicente de Paula criou inúmeras obras de amor e caridade.

Muitos citam a caridade como sua maior virtude — mas sua humildade suplantava até isso.

Um homem que foi escravo, capelão de rainha, confessor de regente, e que ainda assim preferia estar entre os pobres.

Esse é o legado vicentino: não o que ele acumulou, mas o que ele deu.

Das obras que ele inspirou, duas continuam bem vivas.

A Associação dos Filhos de Maria — hoje Juventude Mariana Vicentina —, criada a pedido da Virgem Maria durante uma aparição a Santa Catarina Labouré na noite de 18 de julho de 1830.

E as Conferências Vicentinas, fundadas em 23 de abril de 1833 por Antônio Frederico Ozanam e seus companheiros.

Espalhadas pelo mundo inteiro, essas e muitas outras obras vivem permanentemente dos exemplos e ensinamentos de São Vicente de Paula.

Por isso, em 12 de maio de 1885, o Papa Leão XIII o declarou "patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica".

Mais de três séculos depois de sua morte, os Vicentinos ainda visitam hospitais, distribuem alimentos e acompanham famílias em situação de vulnerabilidade.

O que Vicente começou com quatro irmãs e um punhado de leigos, o mundo inteiro continua. Vale conhecer de verdade.

Perguntas Frequentes

27 de Setembro de 2026 | Domingo

Dia Nacional dos Vicentinos é data comemorativa no Brasil.

27 de setembro. Todo ano, nessa data, o Brasil para para homenagear uma figura que poucos conhecem de verdade — e que, quando conhecem, não esquecem mais. O Dia Nacional dos Vicentinos foi criado pela Lei Nº 11.536, de 30 de outubro de 2007.

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