Você trabalha com odontologia? Então com certeza conhece o 25 de outubro.
Mas aposto que pouca gente sabe a história por trás dessa data — e ela envolve um médico cearense, um decreto imperial e um material de gosto ruim que dominou a profissão por 75 anos.
Em 25 de outubro de 1884, o Decreto Imperial Nº 9311 criou os primeiros cursos de graduação de Odontologia no Brasil.
Até então, não existia formação oficial.
Os cursos foram autorizados a funcionar no Rio de Janeiro e em Salvador, anexos às Faculdades de Medicina do Império.
Ou seja, foi a partir daí que o 25 de outubro virou o Dia do Cirurgião-Dentista.
Em Minas Gerais, a comemoração foi oficializada pela Lei Nº 7.006, de 17 de junho de 1977.
Hoje, a data se desdobra em várias celebrações: a Semana Estadual de Promoção da Saúde Bucal, o Dia da Saúde Dentária, o Dia Nacional da Saúde Bucal — além de comemorações em diversas cidades e estados pelo país.
Mas essa conquista não aconteceu sozinha.
Por trás do decreto, dois nomes foram decisivos — e vale conhecer cada um deles.
O primeiro: Vicente Cândido Figueira de Sabóia, médico cearense que assumiu a direção da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 23 de fevereiro de 1880.
Ele modernizou o ensino, tanto no aspecto material quanto científico.
Criou o laboratório de cirurgia dentária, encomendou equipamentos dos Estados Unidos e montou o laboratório de prótese dentária com crédito especial obtido pela Lei Nº 3.141, de 30 de outubro de 1882.
Sabóia — futuro Visconde de Sabóia — foi tão importante que a reformulação dos Estatutos das Faculdades de Medicina ficou conhecida como "Reforma Sabóia".
O segundo: Thomas Gomes dos Santos Filho, cirurgião-dentista brasileiro que introduziu a fórmula de vulcanite nos tratamentos dentários do país.
O material era usado como base de dentaduras, sob os nomes de Ebonite ou Vulcanite, junto com dentes de porcelana.
Mas o mérito dele não parou aí — Thomas também começou a produzir o material por conta própria, suprindo a falta no mercado e combatendo os preços abusivos praticados na época.
E o tal vulcanite?
Pois é: estética pobre, gosto ruim e odor desagradável. Mesmo assim, o material reinou absoluto como base de dentaduras por cerca de 75 anos.
Difícil de acreditar, mas foi exatamente assim.
O trabalho desses dois nomes resultou numa mudança concreta nos Estatutos das Faculdades de Medicina do Império, apresentado em 25 de outubro de 1884 pelo Decreto Nº 9311.
Foi a partir daí que a odontologia brasileira ganhou impulso real, com aprimoramento do ensino e da tecnologia.
Pela primeira vez, o decreto determinava que a Odontologia formaria um curso anexo.
As Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e de Salvador passaram a ter um curso de Ciências Médicas e Cirúrgicas e três cursos anexos: Farmácia, Obstetrícia e Ginecologia, e Odontologia.
Os três primeiros mestres no Rio de Janeiro foram Thomas Gomes dos Santos Filho, Aristides Benício de Sá e Antônio Gonçalves Pereira da Silva — todos com relevantes serviços prestados à odontologia brasileira.
O currículo era dividido em três séries — e dá pra perceber como a formação já era robusta para a época:
Em 1919, a Reforma Educacional trouxe a Deontologia Odontológica — onde se estudam os princípios, fundamentos e a ética profissional — e criou também a Cadeira de Medicina Legal aplicada à Arte Dentária.
E um marco que não pode ficar de fora: em 1889, a paulista de Cananéia Isabela Von Sidow se formou pela Faculdade de Odontologia do Rio de Janeiro — tornando-se a primeira mulher dentista formada no Brasil.
Um nome que merece ser lembrado.
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