25 de outubro.
Provavelmente passa como qualquer outro dia — mas carrega quase 150 anos de história da odontologia brasileira e existe por causa de um decreto imperial assinado nesse mesmo dia em 1884.
O Dia Nacional da Saúde Bucal foi instituído pela Lei Nº 10.465 de 27 de maio de 2002 e passou a dividir espaço com o "Dia da Saúde Dentária", que também era comemorado no Brasil, além de ter celebrações associadas em várias cidades e estados.
A data homenageia a assinatura do Decreto Imperial Nº 9311, de 25 de outubro de 1884, que autorizou os primeiros cursos de graduação em Odontologia no país — nas cidades do Rio de Janeiro e de Salvador.
Vicente Cândido Figueira de Sabóia — médico cearense, futuro Visconde de Sabóia — assumiu a direção da Faculdade de Medicina do Rio em 23 de fevereiro de 1880.
Não ficou só reorganizando a gestão: atualizou o ensino material e cientificamente, criou o laboratório de cirurgia dentária com equipamentos encomendados dos Estados Unidos e montou o laboratório de prótese dentária com crédito especial obtido pela Lei Nº 3141 de 30 de outubro de 1882.
O resultado foi concreto: um novo texto nos Estatutos das Faculdades de Medicina do Império, formalizado pelo Decreto Nº 9311 — a chamada "Reforma Sabóia".
Era a primeira vez que a Odontologia aparecia como curso nos estatutos.
Por isso, as Faculdades de Medicina do Império do Rio de Janeiro e de Salvador passaram a ter quatro cursos: Ciências Médicas e Cirúrgicas, Farmácia, Obstetrícia e Ginecologia, e Odontologia.
O curso tinha três séries — do básico científico à prática clínica.
Física, Química Mineral, Anatomia e Topografia da Cabeça no começo; Histologia, Fisiologia, Patologia Dentária e Higiene da Boca no meio; Terapêutica, Cirurgia e Prótese Dentárias no fim.
Ou seja: da teoria à cadeira, em três anos.
Os três primeiros mestres no Rio de Janeiro foram Thomas Gomes dos Santos Filho, Aristides Benício de Sá e Antônio Gonçalves Pereira da Silva — todos com contribuições relevantes para a odontologia brasileira.
Thomas Gomes dos Santos Filho foi mais do que um dos primeiros professores.
É a ele que a odontologia nacional deve, principalmente, a introdução da fórmula do vulcanite nos tratamentos dentários brasileiros — usado como base de dentaduras sob os nomes de Ebonite ou Vulcanite, em conjunto com dentes de porcelana.
Além disso, ele passou a produzir o material no país, resolvendo a escassez de insumos e combatendo os preços abusivos praticados na época.
Tinha estética pobre, gosto ruim e odor desagradável.
Imagine usar isso na boca todos os dias.
Mas o vulcanite permaneceu como o principal material para bases de dentaduras por aproximadamente 75 anos — o que diz muito sobre o que estava disponível antes e sobre o quanto a iniciativa de Thomas foi determinante para a expansão da odontologia no Brasil.
Em 1889, a Faculdade de Odontologia do Rio de Janeiro formou Isabela Von Sidow, paulista de Cananéia.
Ela se tornou a primeira mulher dentista graduada no Brasil — num campo dominado por homens, num país que mal tinha regularizado o próprio ensino odontológico cinco anos antes.
Em 1919, a Reforma Educacional criou a Deontologia Odontológica — disciplina voltada aos princípios, fundamentos e ética profissional — e também a Cadeira de Medicina Legal aplicada à Arte Dentária.
O 25 de outubro, por isso, vai além de uma data de calendário.
É o registro de quando a odontologia brasileira ganhou forma oficial — e de quando algumas pessoas decidiram que isso valia a luta.
Se você trabalha com saúde bucal, ou simplesmente zela pelos seus dentes, essa história é parte do que torna isso possível hoje.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: