Dia do Bioma Pampa 2026

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Sobre Dia do Bioma Pampa

O que leva alguém que passou anos vendendo agrotóxicos pelo mundo a se tornar o maior nome do ambientalismo brasileiro?

Filho de imigrantes alemães, agrônomo especializado em adubos, executivo da Basf — José Lutzemberger passou boa parte da carreira viajando o mundo a serviço de uma grande empresa do setor agrícola.

Escritor, filósofo, paisagista e ambientalista: esses títulos todos vieram depois, quando ele tomou uma decisão que mudou tudo.

No fim dos anos 1960, começou a se desiludir com as políticas agrícolas e os danos que causavam ao meio ambiente.

Em 1970 largou o emprego; no ano seguinte, fundou a AGAPAN — Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural — junto com um grupo de simpatizantes em Porto Alegre, numa época em que ambientalismo ainda era coisa desconhecida do grande público.

O Dia do Bioma Pampa é celebrado em 17 de dezembro por causa dele: essa é a data do seu aniversário.

Lutzemberger nasceu em 17 de dezembro de 1926, em Porto Alegre, capital do estado onde o Pampa é o bioma predominante.

O dia foi instituído por decreto em 12 de dezembro de 2007 e coincide, no Rio Grande do Sul, com o Dia do Ecoturismo e o Dia Estadual das Plantas Medicinais.

Militância e projeção

À frente da AGAPAN, depois de inúmeras campanhas ecológicas, Lutzemberger ganhou projeção local, nacional e internacional.

Personalidade enérgica e combativa, com preparo intelectual sólido sobre o tema — era o tipo de figura que polarizava opiniões.

Em 1976, quando publicou o Manifesto Ecológico Brasileiro: O Fim do Futuro?, sua liderança no movimento se consolidou.

Palestrou pelo mundo inteiro, publicou muitos outros textos, sensibilizou audiências grandes e influentes — e foi chamado, ao mesmo tempo, de "gênio pioneiro" e de "louco fanático".

Em 1987, saiu da AGAPAN e criou a Fundação Gaia, dedicada à promoção de um modelo de vida sustentável, que presidiu até o fim da vida.

Conduzia também uma empresa de reciclagem de resíduos industriais.

Em 1990, Fernando Collor de Mello o chamou para a Secretaria Especial do Meio Ambiente.

A passagem foi breve e muito controversa, mas deixou realizações concretas — como a demarcação das terras ianomâmis.

O estilo contundente não mudou: denunciou corrupção no IBAMA e por isso foi demitido em 1992.

Afastado da cena política, continuou ativo até o fim — entrevistas, palestras, assessorias.

Atento aos novos problemas ambientais e às soluções que o progresso pode oferecer, se conduzido com sabedoria.

As distinções foram chegando: Prêmio Nobel Alternativo, Ordem do Ponche Verde, Ordem de Rio Branco, Ordem do Mérito da República Italiana, doutorados honoris causa.

Ele nunca parou.

O fim, do jeito dele

Lutzemberger faleceu em 14 de maio de 2002, aos 75 anos, após crises de asma seguidas de ataque cardíaco.

O governo do Rio Grande do Sul decretou luto oficial de três dias.

Sua morte foi noticiada no Brasil e no exterior, com muitos elogios ao seu gênio e à sua carreira brilhante e frutífera.

Foi sepultado em um bosque no Rincão Gaia, em Pantano Grande, exatamente como pediu: nu, envolto em um lençol de linho, sem caixão.

Sem deixar marcas no ambiente — coerente, até o último momento, com a filosofia que defendeu a vida toda.

O Bioma Pampa

Cerca de 25% da superfície terrestre é coberta por campos — ou seja, um em cada quatro hectares do planeta é, na essência, isso: grama, vento e horizonte.

São ecossistemas entre os menos protegidos do planeta, porém dos mais relevantes.

Na América do Sul, pampas e campos se estendem por aproximadamente 750 mil km², compartilhados por Brasil, Uruguai e Argentina.

No Brasil, o Pampa existe só no Rio Grande do Sul.

Segundo o IBGE, ocupa 176.496 km² — 63% do território estadual e 2,07% do território nacional.

As paisagens variam bastante: de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas.

Além dos campos nativos que definem o bioma, há matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados e afloramentos rochosos.

O bioma carrega ainda um imenso patrimônio cultural associado à sua biodiversidade.

A vegetação dos campos é estruturalmente mais simples do que a das florestas e savanas — mas não menos relevante.

Os campos têm papel fundamental no sequestro de carbono, no controle da erosão e como fonte de variabilidade genética para as espécies que sustentam toda a cadeia alimentar.

Por ser um conjunto de ecossistemas muito antigos, o Pampa apresenta flora e fauna próprias e grande biodiversidade, ainda não completamente descrita pela ciência.

Flora

São cerca de 3.000 espécies de plantas — e isso é muito mais do que o olho vê ao cruzar uma campanha aparentemente vazia.

O destaque vai para as gramíneas: mais de 450 espécies, como capim-forquilha, grama-tapete, flechilhas, brabas-de-bode e cabelos-de-porco.

Nas áreas de campo natural predominam também compostas e leguminosas, em torno de 150 espécies: babosa-do-campo, amendoim-nativo e trevo-nativo.

Nos afloramentos rochosos, há presença expressiva de cactáceas.

Entre as espécies típicas do Pampa, vale citar o Algarrobo (Prosopis algorobilla) e o Nhandavaí (Acacia farnesiana), cujos remanescentes existem apenas no Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí.

Fauna

Quase 500 espécies de aves habitam o bioma: ema (Rhea americana), perdigão (Rynchotus rufescens), perdiz (Nothura maculosa), quer-quero (Vanellus chilensis), caminheiro-de-espora (Anthus correndera), joão-de-barro (Furnarius rufus), sabiá-do-campo (Mimus saturninus) e pica-pau-do-campo (Colaptes campestres), entre outras.

Mais de 100 espécies de mamíferos terrestres também estão presentes, incluindo veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), graxaim (Pseudalopex gymnocercus), zorrilho (Conepatus chinga), furão (Galictis cuja), tatu-mulita (Dasypus hybridus), preá (Cavia aperea) e várias espécies de tuco-tucos (Ctenomys sp).

O Pampa abriga ainda espécies endêmicas — encontradas aqui e em nenhum outro lugar do planeta: o tuco-tuco (Ctenomys flamarioni), o beija-flor-de-barba-azul (Heliomaster furcifer) e o sapinho-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus atroluteus), entre outras.

Preservar o Pampa não é apenas uma questão ambiental — é garantir que essas espécies continuem existindo.

Perguntas Frequentes

17 de Dezembro de 2026 | Quinta-feira

Dia do Bioma Pampa é data comemorativa no Brasil.

O que leva alguém que passou anos vendendo agrotóxicos pelo mundo a se tornar o maior nome do ambientalismo brasileiro? Filho de imigrantes alemães, agrônomo especializado em adubos, executivo da Basf — José Lutzemberger passou boa parte da carreira viajando o mundo a serviço de

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