28 de fevereiro.
Trabalhadores com dor crônica nos pulsos, ombros ou pescoço conhecem bem essa data — é quando se comemora o Dia de Prevenção a LER/DORT, sigla para Lesão de Esforço Repetitivo e Doença Osteomuscular Relativa ao Trabalho.
No Mato Grosso, a data foi oficializada pela Lei Nº 8.213, de 12 de novembro de 2004, alinhada ao movimento internacional de conscientização sobre o tema.
Nos anos bissextos, cai em 29 de fevereiro — sempre o último dia do mês.
Você já sentiu aquela dor surda no pulso depois de um dia longo no teclado?
Ou aquela tensão no pescoço que não passa nem com alongamento?
LER e DORT são termos genéricos para uma família de distúrbios dolorosos que afetam tendões, músculos, nervos e articulações.
Pescoço, parte superior e inferior das costas, peito, ombros, braços, mãos — praticamente tudo que você usa para trabalhar está na lista.
Esses distúrbios aparecem quando o trabalho exige movimentos frequentes e repetitivos, posturas inadequadas, posições fixas por longos períodos, ou força concentrada em partes pequenas do corpo, como mãos e pulsos.
Calor, frio e vibração também contribuem.
Na maioria dos casos, não é uma causa única — é uma combinação de fatores que vai se acumulando silenciosamente.
Até que o corpo cede.
A data internacional foi criada em 1999 por trabalhadores afetados por LER e sindicalistas.
No mesmo ano, um estudo norte-americano mostrou que para cada dólar investido em ergonomia, as empresas podiam esperar um retorno de cerca de 18 dólares — ou seja, prevenir não é só mais humano, é mais inteligente economicamente.
Mas isso exige que as empresas enxerguem o trabalhador antes de enxergar o passivo.
A celebração teve início em 2000, com apoio de profissionais de saúde e segurança do trabalho, a partir da iniciativa da trabalhadora canadense Catherine Fenech — ela mesma afetada por LER.
O objetivo é chamar atenção para a crescente epidemia de lesões por esforços repetitivos e pressionar por ação concreta.
LER/DORT estão entre as principais causas de sofrimento humano no trabalho — e não é exagero usar essa palavra.
A dor crônica afasta e esgota. Além do custo humano, o impacto em produtividade e encargos econômicos é expressivo em todo o mundo.
Para o Centro Canadense de Saúde e Segurança Ocupacional (CCOHS), os perigos precisam ser eliminados na fonte — e no caso das lesões musculoesqueléticas, essa fonte é a repetitividade do trabalho.
Por isso, a prevenção ideal passa por redesenhar o trabalho em si, reduzindo ou eliminando a repetição.
Quando isso não for possível, outras estratégias entram em campo: bom layout do ambiente de trabalho, ferramentas e equipamentos bem projetados, e práticas de trabalho mais adequadas.
Reconhecer o problema cedo faz toda a diferença.
Com o tempo, os tratamentos perdem eficácia — ou seja, quanto mais demora o diagnóstico, menores as chances de recuperação.
Mas o maior obstáculo, muitas vezes, não é a falta de informação.
É o hábito de normalizar a dor como parte do trabalho.
A prevenção das LER/DORT vai além das medidas técnicas — depende do envolvimento real de quem está na ponta: trabalhadores, representantes e gestão.
Não funciona como política de cima para baixo — da mesma forma que não adianta colocar tapete novo numa casa com infiltração.
Precisa ser um esforço conjunto. E você, que lê isso, provavelmente sabe exatamente de qual lado da equação está faltando comprometimento.
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