Você sabia que 25 de outubro é uma data oficial no calendário da saúde bucal brasileira?
No Amapá, isso está na lei: a Lei Nº 715, de 9 de setembro de 2002, criou o Dia da Promoção da Saúde Bucal.
Mas a coisa vai além: existe ainda a Semana Estadual de Promoção da Saúde Bucal, o Dia da Saúde Dentária e o Dia Nacional da Saúde Bucal — fora as comemorações espalhadas por cidades e estados de todo o Brasil.
A lei prevê seminários, debates, campanhas e atividades voltadas à identificação e prevenção de doenças bucais.
O Poder Executivo amapaense pode firmar acordos com municípios e entidades da sociedade civil para fazer isso acontecer.
Em 25 de outubro de 1884, o Decreto Imperial Nº 9311 foi assinado — e com ele nasceram os primeiros cursos de graduação em Odontologia do Brasil, autorizados a funcionar no Rio de Janeiro e em Salvador.
Por que essa data virou símbolo nacional?
Dois nomes explicam tudo.
Vicente Cândido Figueira de Sabóia, médico cearense, assumiu a direção da Faculdade de Medicina do Rio em 23 de fevereiro de 1880.
E foi fundo: atualizou o ensino material e cientificamente, criou o laboratório de cirurgia dentária com equipamentos importados dos Estados Unidos e montou o laboratório de prótese dentária por meio de crédito especial obtido pela Lei Nº 3141, de 30 de outubro de 1882.
O conjunto dessas mudanças ficou para a história como a "Reforma Sabóia" — apresentada em 25 de outubro de 1884, via Decreto Nº 9311.
O futuro Visconde de Sabóia abriu as portas para a odontologia moderna no país.
Sem ele, essa comemoração não existiria.
Com a Reforma, o Estatuto das Faculdades de Medicina definiu que a Odontologia seria um curso anexo.
As faculdades do Rio de Janeiro e de Salvador passaram a oferecer quatro cursos:
Os três primeiros mestres formados no Rio foram Thomas Gomes dos Santos Filho, Aristides Benício de Sá e Antônio Gonçalves Pereira da Silva.
O curso de Odontologia era dividido em três séries:
Em 1919, a Reforma Educacional acrescentou a Deontologia Odontológica — estudos sobre princípios, fundamentos e ética profissional — e a Cadeira de Medicina Legal aplicada à Arte Dentária.
O cirurgião-dentista Thomas Gomes dos Santos Filho é outro nome ao qual a odontologia brasileira muito deve.
Foi ele quem introduziu o vulcanite nos tratamentos dentários do país — material usado como base de dentaduras sob os nomes de Ebonite ou Vulcanite, em combinação com dentes de porcelana.
Mas ele foi além de simplesmente importar o material: passou a produzi-lo localmente.
Por isso, resolveu dois problemas de uma vez — a falta de insumos no mercado e os preços abusivos da época.
O vulcanite tinha suas limitações, é verdade: estética pobre, gosto ruim, odor desagradável.
Porém, por aproximadamente 75 anos, foi o principal material usado para bases de dentaduras no Brasil.
E as mulheres, onde estavam nessa história toda?
Em 1889, a paulista de Cananéia Isabela Von Sidow formou-se pela Faculdade de Odontologia do Rio de Janeiro — tornando-se a primeira mulher dentista graduada no Brasil.
Cada consulta que você faz hoje carrega um pouco dessa história.
Vale lembrar — e vale cuidar.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: