Você sabe por que o Dia da Esquadra Brasileira aparece em duas datas diferentes no calendário?
A resposta está num decreto de 1924 — e numa cerimônia de 1822 que poucos conhecem.
O Decreto Nº 16.623, de 1º de outubro de 1924, criava o Comando-em-Chefe da Esquadra do Brasil e definia a Esquadra Brasileira como força de combate organizada, com esquadrilhas de aviões e navios auxiliares.
Por isso a data aparece em alguns calendários para 1º de outubro.
Mas sem confirmação oficial — o que já diz muito sobre como a história se constrói: mais pela prática do que pelo decreto.
A Marinha do Brasil, porém, celebra o Dia da Esquadra em 10 de novembro.
E com razão — a data marca algo anterior e muito mais fundamental: a fundação oficial da própria Marinha Brasileira, em 10 de novembro de 1822.
Naquele dia aconteceu o 1º hasteamento do Pavilhão Nacional — a bandeira criada após a Independência, tanto do Brasil quanto do Império do Brasil — a bordo da Nau portuguesa Martim de Freitas, rebatizada "Nau Pedro I" em homenagem ao Imperador Dom Pedro de Bragança.
Com o nascimento da Marinha no jovem Império, o governo reconheceu o óbvio: uma nação nova não sobrevive sem defender o que tem.
Ou seja, era preciso uma esquadra capaz de proteger a costa, o território e o fluxo de comércio entre os portos.
A Providência, como se dizia na época, havia destinado ao Brasil os mais altos destinos de glória e prosperidade.
Esses destinos exigiam uma Marinha à altura.
Simples assim.
A Nau Martim de Freitas não era estreante na história (pense em tudo que ela já tinha visto).
Havia ajudado a trazer a Família Real de Portugal para o Brasil em 1808.
Depois, com o Grito do Ipiranga em setembro de 1822, virou de lado e aderiu à independência brasileira.
Era, em certo sentido, o navio certo para inaugurar a nova Marinha.
A cerimônia do hasteamento foi revestida de toda pompa — 101 tiros de salva — e marcou para sempre o 10 de novembro como a data de nascimento da Marinha brasileira.
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