22 de novembro.
Uma data que o Mato Grosso do Sul decidiu transformar em celebração oficial — e não foi por acaso.
A Lei Nº 3.438, de 2007, instituiu o Dia da Comunidade Libanesa no calendário sul-mato-grossense — e mais tarde a Lei Nº 3.945, de 2010, veio reforçar essa escolha.
Por que o estado fez questão de oficializar isso duas vezes?
Porque a presença libanesa aqui não é detalhe de história: é parte da identidade do Mato Grosso do Sul.
A data ganhou amplitude nacional com o "Dia da Comunidade Libanesa no Brasil", e hoje conta com celebrações em várias cidades e estados por todo o país, todas girando em torno do Dia da Independência do Líbano.
Por força da legislação estadual, na data ou durante a semana do dia 22 de novembro, a Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul realiza sessão solene para entrega do prêmio "Independência do Líbano" — uma homenagem a personalidades e entidades que se destacaram no cenário sociopolítico, econômico e cultural do estado.
A escolha do dia 22 de novembro não é arbitrária.
Ela marca um momento de virada: líderes políticos libaneses presos pelos franceses foram libertados sob pressão — e o que parecia só mais uma crise colonial se transformou no embrião de uma nação independente.
Havia um governo libanês improvisado nas montanhas, apoio britânico e sírio, manifestações violentas espalhadas pelo país.
O caos, mas com direção.
A virada veio pela pressão britânica e pela intervenção do general francês Georges Catroux, enviado com urgência a Beirute.
Os representantes da França livre aceitaram o princípio da independência libanesa para restabelecer a ordem — mas deixaram claro que ainda pretendiam manter o controle francês na região.
Os processos históricos raramente são limpos.
A independência política do Líbano só se tornou oficial em 1º de janeiro de 1944.
A França foi cedendo poder aos poucos — competência por competência, mês após mês.
As últimas tropas francesas deixaram o país apenas em 1946.
Ou seja: do dia simbólico de novembro de 1943 ao fim real da presença estrangeira, foram três anos de transição.
Não foi a celebração de uma conquista fácil — foi o reconhecimento de uma luta longa e gradual.
O controle das tropas especiais do Levante permaneceu francês até o fim da guerra, condicionado à conclusão de um tratado.
Três anos para virar a página.
Para entender o peso dessa independência, é preciso recuar um pouco.
O Líbano que conhecemos hoje passou décadas sendo administrado como uma peça num tabuleiro europeu — primeiro pelos otomanos, depois pelos franceses sob mandato da Liga das Nações.
O Estado do Grande Líbano existiu entre 1920 e 1926 dentro da Síria mandatária, autônomo no nome, não na prática.
Em 1º de setembro de 1920, o general francês Henri Gouraud proclamou o estabelecimento desse Estado, uma expansão do chamado "Pequeno Líbano".
Desde 1861, essa região tinha o estatuto de província otomana separada e semiautônoma — condição mantida até 1915, quando o regime otomano, já em desintegração, decidiu recuperar o controle direto sobre o território.
Em 1926, o Grande Líbano — com as mesmas fronteiras do Líbano de hoje — passou a se chamar República Libanesa.
Eram as mesmas terras, outro nome e, ao menos no papel, outra condição.
Quinze anos depois, a invasão pelos Aliados em 1941 mudou tudo de vez: as autoridades francesas do Regime de Vichy saíram da equação.
Foi sob pressão britânica que os representantes da França livre endossaram a independência síria e libanesa.
Mas — e esse "mas" importa — ainda assim tentaram preservar sua influência na região por quanto tempo puderam.
Por isso, a independência de 1943 foi mais uma negociação do que uma concessão.
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