Dia do Fotógrafo 2026

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Sobre Dia do Fotógrafo

Você sabia que todo 8 de janeiro é comemorado como Dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia?

A data aparece em praticamente toda lista de efemérides brasileiras — mas pouca gente conhece a história por trás dela.

É uma data extraoficial — não existe decreto nem lei que a formalize —, mas ela se repete em praticamente toda lista de efemérides brasileiras.

E embora não existam evidências históricas conclusivas sobre a escolha dessa data específica, tudo indica que ela tenha a ver com a chegada do daguerreótipo ao Brasil.

O daguerreótipo chega ao Brasil

O daguerreótipo era aquele processo inventado pelo francês Louis Jacques Mandé Daguerre: uma imagem fixada sobre uma placa de cobre banhada em prata, formando uma superfície espelhada.

Imagem única, sem negativo.

A placa polida era sensibilizada com vapores de iodo, exposta à luz, revelada com vapores de mercúrio e fixada com solução de sal concentrado.

Um processo trabalhoso, demorado — mas absolutamente revolucionário para a época.

Quem trouxe a novidade de Paris foi o abade Louis Compte, capelão do navio-escola franco-belga L'Orientale, uma corveta que transportava estudantes de famílias ricas da Europa.

Compte tinha sido encarregado de propagar a fotografia pelo mundo.

Antes de chegar ao Rio de Janeiro, ele passou por Salvador, onde o daguerreótipo esteve entre 13 e 17 de dezembro de 1839.

Experiências bem-sucedidas teriam sido realizadas na capital baiana, mas nenhuma imagem desse período sobreviveu — perdidas no tempo, segundo alguns historiadores.

Mas o destino principal era outro.

Depois de Salvador, Compte aportou no Rio de Janeiro.

Jornais da época registram uma demonstração de daguerreotipia feita pelo abade no Largo do Paço Imperial, em 17 de janeiro de 1840 — apenas seis meses após o anúncio oficial da invenção.

Um intervalo curtíssimo para a primeira metade do século XIX.

O relato do Jornal do Commercio

A edição vespertina do Jornal do Commercio de 17 de janeiro de 1840 registrou o evento:

> "Finalmente passou o daguerreótipo para cá os mares, e a fotografia que até agora só era conhecida no Rio de Janeiro por teoria."

>

> "Hoje de manhã teve lugar na hospedaria Pharoux, um ensaio fotográfico, tanto mais interessante, quanto é a primeira vez que a nova maravilha se apresenta aos olhos dos brasileiros."

>

> "É preciso ter visto a coisa com os seus próprios olhos para se fazer ideia da rapidez e do resultado da operação."

>

> "Em menos de nove minutos, o chafariz do Largo do Paço, a praça do Peixe, o Mosteiro de São Bento, e todos os outros objetos circunstantes se acharam reproduzidos com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a coisa tinha sido feita pela própria mão da natureza, e quase sem intervenção do artista."

Dom Pedro II, fotógrafo

Entre os presentes naquela demonstração estava um jovem de 14 anos: o herdeiro do trono e futuro imperador, Dom Pedro II.

Ficou tão encantado que encomendou um aparelho de daguerreotipia na mesma hora. Poucos meses depois, o equipamento chegou ao Brasil.

Aprendeu a fotografar com o professor norte-americano Augusto Morand e se tornou o primeiro fotógrafo amador brasileiro.

Mais que isso — cumpriu papel decisivo no incentivo e na divulgação da fotografia no país.

Talvez por isso a passagem da "engenhoca" pelo Brasil tenha ganhado tanta importância.

A demonstração de janeiro de 1840 foi eternizada pelos jornais, e o daguerreótipo histórico de Dom Pedro II ainda pertence à família imperial, ramo Petrópolis.

Pioneirismo caro

Mas o que isso significava na prática?

Para entender o tamanho do pioneirismo de Dom Pedro II, vale olhar o contexto da época.

O alto custo dos materiais, as limitações técnicas — especialmente em relação à luz, que precisava ser abundante, por isso as fotos eram preferencialmente tiradas entre 10h e 15h — e o peso do equipamento faziam da fotografia coisa para poucos.

Gente abastada, curiosos endinheirados, entidades científicas com recursos.

No primeiro ano de comercialização, em 1839, foram vendidos apenas 30 exemplares do equipamento.

Custava 400 francos-ouro, pesava cerca de 50 quilos e vinha com um manual de uso nos principais idiomas da época.

Legado imperial

Esse impulso dado por Dom Pedro II, somado a iniciativas como a criação do título "Photographo da Casa Imperial" a partir de 1851 — atribuído a 23 profissionais, sendo 17 no Brasil e 6 no exterior —, colocou a produção fotográfica brasileira do século XIX como a mais importante da América Latina, tanto em qualidade quanto em quantidade.

O fotógrafo franco-brasileiro Marc Ferrez, que recebeu o título de "Photographo da Marinha Imperial", talvez seja o exemplo mais emblemático dessa produção.

Seu trabalho tem reconhecimento internacional frente à produção do século XIX.

Sistematização tardia

Só em 1946 saiu a primeira grande sistematização da fotografia brasileira, publicada no nº 10 da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A iniciativa foi do historiador Gilberto Ferrez — neto e herdeiro do fotógrafo Marc Ferrez —, com o ensaio "A Fotografia no Brasil e um de seus mais dedicados servidores: Marc Ferrez", que ocupava as páginas 169 a 304 e já trazia boas fotografias da sua coleção, buscando mapear o movimento fotográfico no período estudado.

Florence e a reviravolta

Trinta anos depois, o fotógrafo, pesquisador, historiador e professor Boris Kossoy mostrou ao mundo que o inventor francês Antoine Hercule Romuald Florence, isoladamente na atual cidade de Campinas-SP, descobriu em 1832 os processos de registro da imagem fotográfica.

E mais: foi ele quem escreveu a palavra photographia para denominar o processo.

As pesquisas de Kossoy, desenvolvidas a partir de 1973 e comprovadas nos laboratórios de Rochester, nos Estados Unidos, ganharam as páginas das principais revistas de arte e fotografia do mundo — entre elas, a Art Forum de fevereiro de 1976 e a Popular Photography de novembro de 1976.

No mesmo ano, saiu a primeira edição do livro Hercules Florence 1833: a descoberta isolada da fotografia no Brasil, que já chegou à terceira edição, ampliada pela EDUSP.

A tese provocou uma reviravolta na história da fotografia.

O início não está mais só em Niépce e Daguerre.

Hoje se entende que várias iniciativas de pesquisa aconteceram quase ao mesmo tempo, dando origem à fotografia como a conhecemos.

Uma nova história que relaciona os nomes dos pioneiros sem hierarquizá-los ou priorizá-los do ponto de vista da descoberta.

Pesquisa em expansão

Nos últimos anos, o cenário mudou bastante.

Diversos livros foram publicados sobre a produção fotográfica brasileira do século XIX e da primeira metade do século XX.

Eles enriqueceram a iconografia conhecida e trouxeram dados novos sobre a biografia e as trajetórias dos fotógrafos daquele período.

O interesse despertado em jovens pesquisadores de todo o Brasil mostra que há urgência em sistematizar informações, divulgar acervos e coleções, e criar parâmetros de análise sobre a produção fotográfica brasileira.

Dezenas de dissertações e teses já foram apresentadas sobre o tema.

Ou seja, a história da fotografia no Brasil ainda está sendo escrita — e há muito por descobrir.

Perguntas Frequentes

Dia do Fotógrafo em 2026 foi em 08 de Janeiro de 2026 (Quinta-feira) e já passou. A próxima Dia do Fotógrafo será em 08 de Janeiro de 2027 (Sexta-feira).

Dia do Fotógrafo é data comemorativa no Brasil.

Você sabia que todo 8 de janeiro é comemorado como Dia Nacional do Fotógrafo e da Fotografia? A data aparece em praticamente toda lista de efemérides brasileiras — mas pouca gente conhece a história por trás dela.

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