11 de dezembro. Todo ano o Brasil celebra o Dia Nacional das APAEs — e a história por trás dessa data começa em 1954, no Rio de Janeiro.
Um grupo de pais, amigos, professores e médicos de pessoas com deficiência se reuniu motivado pela chegada ao Brasil de Beatrice Bemis: integrante do corpo diplomático norte-americano, mãe de uma criança com Síndrome de Down, vinda dos Estados Unidos.
A primeira reunião do Conselho Deliberativo aconteceu em março de 1955, na sede da Sociedade Pestalozzi do Brasil.
A Pestalozzi cedeu parte de um prédio para abrigar a escola. Duas salas de aula, 20 alunos.
Mais tarde, a professora Olívia Pereira criou oficinas pedagógicas com atividades criativas e profissionalizantes.
Antes das APAEs, havia um trabalho pioneiro no Brasil.
A psicóloga e pedagoga de origem bielorrussa Helena Antipoff — formada na Rússia, em Paris e em Genebra — chegou ao país em 1929, a convite do governo de Minas Gerais, para atuar na Reforma Francisco Campos-Mário Casassanta.
Foi ela quem introduziu a educação especial no Brasil, pesquisadora e educadora da criança com deficiência, e iniciou o movimento pestalozziano brasileiro ao fundar a primeira Sociedade Pestalozzi em Belo Horizonte, em 22 de novembro de 1932.
Esse movimento conta hoje com cerca de 100 instituições, e a Fundação Helena Antipoff segue esse legado nas Terras Brasilis.
Ou seja, o trabalho de Antipoff não foi apenas pioneiro — foi o alicerce sobre o qual o movimento das APAEs foi construído.
De 1954 a 1962, outras APAEs foram surgindo pelo país.
Era a primeira vez que a questão da pessoa com deficiência era discutida em grupo — com famílias reais, que viviam aquilo todos os dias, trazendo suas dores, suas descobertas e, em alguns casos, também o conhecimento técnico da área.
No final de 1962, 12 das 16 APAEs existentes se reuniram em São Paulo para a primeira reunião nacional de dirigentes, coordenada pelo médico psiquiatra Stanislau Krynsky, brasileiro nascido na Polônia.
Ali trocaram experiências sobre pessoas com deficiência em nível nacional e surgiu a necessidade de formar um Conselho ou uma Federação.
Prevaleceu a segunda proposta.
A Federação Nacional das APAEs foi fundada em 10 de novembro de 1962 e funcionou por vários anos em São Paulo, no consultório do próprio Krynsky.
O primeiro presidente da diretoria provisória eleita foi Antonio Clemente Filho.
Em 1964 — em plena ditadura — o marechal Castelo Branco apoiou a aquisição de um prédio.
A história tem dessas ironias: no mesmo governo que sufocava liberdades, o movimento das APAEs ganhava casa própria.
Mais tarde, a sede foi transferida para Brasília, onde permanece até hoje.
O símbolo adotado foi uma flor ladeada por duas mãos em perfil — uma em posição de amparo, a outra de proteção.
A APAE — Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais — reúne pais, amigos e toda a comunidade para prevenir e tratar a deficiência, promovendo o bem-estar e o desenvolvimento da pessoa com deficiência.
A Federação é civil, filantrópica, cultural e educacional — sem prazo para acabar, reunindo as APAEs e outras organizações do mesmo perfil em todo o país.
Parece simples quando você lê: melhorar a qualidade de vida da pessoa com deficiência, conscientizar a sociedade, defender direitos e representar o movimento — nacional e internacionalmente.
Mas cumprir isso é outra história. Se você conhece uma APAE na sua cidade, apoie.
Se ainda não conhece, essa data é uma boa razão para mudar isso.
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