Você sabia que a Polônia criou algo que nenhum outro país tinha feito antes?
Em 14 de outubro de 1773, nasceu o primeiro ministério nacional de educação do mundo.
A Comissão de Educação Nacional — ou "Komisja Edukacji Narodowej" — é largamente considerada a primeira do tipo na história mundial.
Por isso, até hoje, todo 14 de outubro, os poloneses celebram o Dia Nacional da Educação, o "Dzień Edukacji Narodowej", que por muito tempo foi chamado simplesmente de "Dia dos Professores" ("Dzień Nauczyciela").
Quem botou essa engrenagem pra funcionar foi Estanislau II da Polônia — Estanislau Augusto Poniatowski — o último rei e grão-duque da República das Duas Nações.
Nascido em 17 de janeiro de 1732, ele começou a reinar em 7 de setembro de 1764.
Mas a figura dele é, no mínimo, controversa.
Parte da nobreza polonesa, a "szlachta", acusou Estanislau de trabalhar pelo absolutismo e pelo fim dos privilégios nobres.
Outros diziam que ele queria derrubar a Igreja Católica.
E ainda havia quem o chamasse de fraco, subserviente — traidor, até — especialmente depois do episódio com a Confederação Targowica.
A Confederação Targowica era uma organização militar formada por nobres da República das Duas Nações, com apoio de Catarina II da Rússia.
O alvo deles?
A Constituição polonesa de 3 de maio de 1791, adotada pelo "Grande Sejm" (o "Sejm de 4 anos"), que impunha limites aos privilégios da nobreza.
Ou seja, a velha história: mexeu no poder de quem já tem poder, e a reação foi imediata.
As forças da Confederação venceram.
Derrotaram as tropas leais à República, o Sejm e o próprio rei na Guerra em defesa da Constituição.
O resultado foi devastador: a vitória precipitou a 2ª partição da Polônia, abriu caminho para a 3ª divisão e, por fim, a dissolução completa da República.
Ironia pesada: a maioria dos Confederados não queria nada disso.
Eles só queriam restaurar seus privilégios e achavam que, derrubando a Constituição de 3 de maio, o objetivo seria alcançado.
Não foi.
Por mais polêmico que tenha sido no campo político, Estanislau II deixou marcas profundas na cultura e na educação polonesa.
Além da Comissão Nacional de Educação, ele fundou a Escola de Cavalaria ("Szkoła Rycerska"), que funcionou de 1765 a 1794.
Entre os ex-alunos dessa escola está ninguém menos que Tadeusz Kościuszko (Andrzej Tadeusz Bonawentura Kościuszko), o Herói Nacional da Polônia.
Em 1765, ajudou a criar o teatro nacional polonês ("Teatr Narodowy") e o jornal "Monitor", considerado o principal periódico do Iluminismo polonês.
Reunia em seus famosos "jantares de quinta-feira", em Varsóvia, os nomes mais brilhantes da sociedade polaca.
Apoiou a instalação de indústrias e o desenvolvimento da mineração.
Reformou o Castelo Real de Varsóvia.
Ergueu o elegante complexo Łazienki, no mais romântico parque da cidade.
Montou uma coleção de numismática, uma galeria de quadros e uma sala de gravuras.
O plano dele era construir uma galeria de pintura cada vez maior em Varsóvia — mas a destruição da Polônia interrompeu tudo.
A maioria das pinturas que ele havia escolhido pode ser vista hoje na Dulwich Picture Gallery, em Londres.
Depois da 3ª partição da República das Duas Nações, Estanislau Augusto foi forçado a abdicar em 25 de novembro de 1795.
Partiu para São Petersburgo.
Lá, vivendo como prisioneiro virtual, subsistiu com uma pensão de Catarina, a Grande.
Um rei sem reino, mantido por quem ajudou a destruí-lo.
Morreu cheio de dívidas em 12 de fevereiro de 1798 e foi sepultado na Igreja Católica de Santa Catarina, em São Petersburgo.
Em 1938, seus restos mortais foram transferidos para a igreja da cidade polonesa de Wołczyn (hoje Bielorrússia), sua terra natal.
Só em 1995 chegaram ao destino final: a Catedral de São João de Varsóvia — o mesmo local sacro onde ele havia celebrado, em 3 de maio de 1791, a adoção da Constituição de sua co-autoria.
A história, às vezes, sabe fechar seus próprios ciclos.
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