Já parou pra pensar no que aconteceria se uma cidade inteira resolvesse deixar o carro na garagem?
Parece utopia, mas é exatamente isso que o Dia Mundial sem Carros propõe.
É isso que o Dia Mundial sem Carros — ou World Car-Free Day — propõe todo 22 de setembro. A ideia é simples.
Mas incômoda: questionar o uso indiscriminado do automóvel nas cidades.
A semente dessa mobilização tem raízes nos anos 1990.
Em 14 de outubro de 1994, o norte-americano Eric Britton — um pesquisador obcecado por ciências físicas e economia — fez uma chamada pública pelo uso responsável de carros nas cidades.
O discurso foi dado durante a Accessible Cities Conference, em Toledo, na Espanha. Arrojado pra época.
Mais de 20 anos depois da crise do petróleo de 1973, alguém finalmente botava o dedo na ferida de forma organizada.
Porém, a coisa só ganhou corpo institucional em 1997, quando a Grã-Bretanha realizou a primeira edição nacional do evento, puxada pela Environmental Transport Association (Associação Ambiental de Transporte).
Logo depois, em 1998, a França entrou no jogo com o Journée En Ville sans ma Voiture — o "Dia da Jornada Na Cidade Sem Meu Carro" —, focado em conscientizar as pessoas sobre alternativas ao carro particular.
Estudos já mostraram algo que quem pedala sabe de cor: em viagens curtas na cidade, a bicicleta muitas vezes chega antes do carro.
Ou seja, aquele trajeto de 3 km que você faz de carro em 20 minutos, de bike você faria em 10. Parece contraintuitivo, mas não é.
Trânsito, estacionamento, semáforos — tudo isso pesa contra o automóvel em trajetos curtos.
No Brasil, a data ganhou nomes diferentes dependendo do estado — e cada um oficializou do seu jeito:
Muitos nomes pra uma mesma provocação: dá pra viver na cidade sem depender tanto do carro?
A resposta, como quase tudo em mobilidade urbana, é: depende — mas vale tentar.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: