Você sabia que todo dia 14 de outubro o mundo celebra o Dia Mundial da Padronização?
Também chamado de World Standards Day, a data pode parecer distante do seu dia a dia — mas não é.
Três gigantes coordenam a iniciativa: a ISO, a ITU e a IEC.
Mas não para por aí — organizações como a ISA, o IEEE, a IATA e o Codex Alimentarius também entram no jogo.
Mas o que são, afinal, essas normas técnicas?
São um conjunto de regras internacionais criadas para padronizar pesos, medidas, quantidades e afins — tudo para facilitar o comércio, expandir o conhecimento e disseminar avanços tecnológicos.
Na prática, isso ainda soa meio utópico, por mais que peritos do mundo inteiro se esforcem.
A padronização — ou normalização, se preferir — é o processo de desenvolver e implementar normas técnicas.
O objetivo: definir especificações que ajudem a maximizar compatibilidade, reprodutibilidade, segurança e qualidade de processos, produtos ou serviços.
Nas ciências sociais e na economia, a lógica é parecida.
Pense assim: padronizar é como resolver um problema de coordenação — todo mundo ganha, mas só se todo mundo jogar junto.
Na prática, é aplicar conhecimento técnico nos processos produtivos, buscando soluções para questões recorrentes sem ignorar a realidade econômica nem o estado da arte.
A normalização técnica se baseia em ciência, tecnologia e experiência prática.
Seu conceito básico é o consenso entre fabricante, fornecedor e cliente. E o que a padronização busca, concretamente?
Definição, unificação e simplificação racional — tanto de produtos acabados quanto dos elementos usados para produzi-los.
Os objetivos principais:
A implementação de padrões na indústria e no comércio ganhou força com a Revolução Industrial.
A necessidade de produzir grandes quantidades com qualidade homogênea mudou tudo.
No início do século XX, o engenheiro mecânico estadunidense Frederick Winslow Taylor — frequentemente chamado de "Pai da Administração Científica" — propôs o uso de métodos científicos cartesianos na administração de empresas, com foco em racionalizar as etapas de produção.
Eficiência e eficácia operacional na administração industrial eram seu norte.
Em seu livro The Principles of Scientific Management, de 1911, Taylor defendia que administrar uma empresa deveria ser tratado como ciência — o chamado "Taylorismo".
A ideia central passava pela racionalização do trabalho por meio da divisão de funções.
Para isso, era necessário padronizar os processos de produção, de modo que o produto final não dependesse de um único trabalhador responsável por todas as etapas, mas sim de conjuntos de trabalhadores treinados para funções específicas.
Desde então, a divisão e a padronização do processo produtivo têm visado máxima eficiência com o menor esforço.
Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, costuma ser apontado como um dos criadores desse modelo de administração.
As medidas práticas que ele adotou em suas fábricas seguiam uma concepção teórica semelhante à de Taylor, o que o tornou o primeiro empresário a aplicar a montagem em série — produção em massa de automóveis em menos tempo e com menor custo.
A ele se atribui o "Fordismo": produção em grande quantidade a baixo custo, por meio da famosa linha de montagem.
No plano internacional, a padronização começou pela área eletrotécnica, com a criação da Comissão Internacional Eletrotécnica em 1906.
Logo depois, em 1926, surgiu a Federação Internacional das Associações Nacionais de Padronização (International Federation of the National Standardizing Associations), com foco em engenharia mecânica.
Mas foi a Segunda Guerra Mundial que mudou o jogo de vez.
Após o ataque japonês a Pearl Harbor, os Estados Unidos precisaram adaptar suas indústrias — especialmente as mecânicas e metalúrgicas — para produzir canhões, aviões, navios, fuzis e todo tipo de armamento.
Trabalhando contra o tempo, as atividades de fabricação foram divididas entre diversas empresas, cada uma com maior afinidade para a produção específica de cada item.
Peças passaram a ser fabricadas em lugares diferentes e enviadas a um local central para a montagem final.
Para que tudo isso funcionasse, foi necessário investir pesado em padronização de medidas e intervalos de confiança.
Afinal, as peças precisavam se encaixar na hora da montagem. Sem padrão, nada encaixava.
Simples assim.
Com o fim do conflito, representantes de 25 países se reuniram em Londres, em 1946, e criaram uma nova organização internacional para facilitar a coordenação e unificação dos padrões industriais.
A ISO iniciou oficialmente suas operações em 23 de fevereiro de 1947, com sede em Genebra, na Suíça.
Em cada país, normalmente existe um organismo nacional de normalização certificada.
Alguns exemplos:
Essas entidades podem ser públicas, privadas ou uma parceria entre os dois setores — e o que define isso tem a ver com a história de cada país, com o peso do setor privado na administração pública e com o nível de desenvolvimento da economia local.
Mas, no fim das contas, públicas ou privadas, todas respondem à ISO.
É ela quem dá as cartas na padronização internacional.
A ABNT nasceu em 1940 e, desde então, é peça-chave no desenvolvimento tecnológico brasileiro.
Entidade privada e sem fins lucrativos, ela é o único Foro Nacional de Normalização do país — além de ser membro fundador da ISO e da COPANT.
Ou seja, quando o assunto é norma técnica no Brasil, é pela ABNT que tudo passa.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: