Estudante de medicina no 3º ano. Rio de Janeiro, 1855.
A cólera avançava pela então capital do Brasil — e João Severiano da Fonseca estava lá, no meio da epidemia, cuidando de quem ninguém mais queria chegar perto.
Esse é o tipo de homem que o Exército escolheu como patrono do seu Serviço de Saúde.
Faz sentido, não faz?
A data, 27 de maio, é o aniversário do nascimento de João Severiano — médico, professor, escritor, historiador, diplomata e general — que veio ao mundo nesse dia em 1836.
O Exército formalizou isso em decreto — duas vezes, aliás.
Mas a justificativa real é mais simples: ele dedicou a vida inteira à saúde do soldado brasileiro, na paz e na guerra, sem exceção.
Por esse trabalho durante a epidemia de cólera, ainda estudante, o Imperador Dom Pedro II o condecorou com a "Comenda da Ordem da Rosa" no grau de Cavaleiro.
Depois do cólera, João Severiano serviu como 2º Tenente-Cirurgião do Corpo de Saúde do Exército no Hospital Militar da Guarnição da Corte — o atual HCE, Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro.
De lá foi para a Campanha do Uruguai e depois para a Campanha da Tríplice Aliança.
No conflito, mostrou capacidade técnica e comprometimento de um nível raro: foi o único oficial do Corpo de Saúde a ser condecorado com a "Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro" por essa participação.
Mas não parou por aí.
Integrou a Comissão de Limites da Bolívia, serviu no Hospital Militar do Andaraí, chefiou a Enfermaria da Escola Militar da Praia Vermelha e foi o 1º Diretor do Hospital Central do Exército.
Em 1º de maio de 1890, promovido a General de Brigada, foi nomeado Inspetor-Geral do Serviço Sanitário do Exército — o equivalente ao atual Diretor de Saúde.
No cargo, reestruturou o serviço e preparou a força para a Campanha de Canudos: 43 oficiais médicos, 9 oficiais farmacêuticos e um aporte significativo de material sanitário mobilizados para o conflito.
Além da carreira militar, foi o 1º militar a integrar como membro efetivo a Academia Imperial de Medicina, fez parte do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro com trabalhos em geografia, história, poesia, literatura e etnologia, foi senador da República em 1891 e integrou o Conselho Superior Militar de Justiça do Brasil.
Trabalhou até o fim.
Morreu em 7 de novembro de 1897, no posto mais alto do Serviço de Saúde do Exército. Não parou.
Nunca parou.
O legado de João Severiano não é só simbólico — é estrutural.
A rede assistencial do Exército Brasileiro conta hoje com:
A isso se somam a Escola de Saúde do Exército e o Destacamento de Saúde Paraquedista, responsáveis pela formação e adestramento operacional do pessoal de saúde.
O Serviço de Saúde do Exército atua em seis frentes: medicina preventiva, assistencial, operacional, pericial, administrativa e de ensino e pesquisa — dentro e fora do território brasileiro.
Ou seja: onde o soldado vai, o serviço vai junto.
O objetivo é manter a saúde dos militares da Força Terrestre, assistir a família militar e, quando necessário, atender também a população civil, especialmente em áreas remotas onde, muitas vezes, as Forças Armadas são a única presença do Estado Brasileiro.
Por isso, o sistema investe em qualificação técnica dos seus quadros, em novas tecnologias de diagnóstico e em melhoria contínua da assistência.
O objetivo não mudou desde 1855: cuidar de quem cuida.
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